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Captação da poupança fica negativa pela primeira vez em 2 anos; o que isso significa?

A captação ficou negativa em R$ 1,273 bilhão no quarto mês de 2014

SÃO PAULO – A captação (diferença entre saques e depósitos) mensal da caderneta de poupança ficou negativa pela primeira vez desde fevereiro de 2012,  de acordo com dados divulgados pelo Banco Central. Em abril, os saques superaram os depósitos em 1,273 bilhão – foram R$ 124,1 bilhões de retiradas e R$ 122,8 bilhões em aportes. Os números destoam dos apresentados em 2013, quando a captação foi recorde: R$ 71 bilhões.

Mas o que levou a população a essa mudança de comportamento? Busca por novas opções de investimento ou maior endividamento? As respostas variam. O professor de finanças da PUC-SP Fábio Gallo afirma que os dois movimentos acontecem ao mesmo tempo. No entanto, ele atribui maior força à busca por outras aplicações. “Com a elevação da taxa de juros, a poupança só ganha de fundos de renda fixa que tenham a taxa de administração alta, na casa de 2,5%, enquanto a média delas está em 0,7%”, explica o especialista.

Já a educadora financeira Eliana Bussinger tem uma visão mais pessimista do quadro. Para ela, a população tem se endividado mais. “O brasileiro não tem a noção de que tem que se mover em determinados momentos e não busca investimentos. Falta muita educação financeira”, pondera. Segundo pesquisa divulgada pela FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), o endividamento na cidade de São Paulo chegou a 51,1% do total das famílias em abril.

Mantendo o tom pessimista, Bussinger ainda afirma que o rendimento da poupança deve ficar abaixo da inflação esse ano. Com a Selic a 11% ao ano, a caderneta de poupança paga 6,17% ao ano mais a Taxa Referencial. A especialista acredita que a inflação deve ficar acima desse patamar, uma vez que há um descontrole fiscal por parte do governo e falta de políticas monetárias mais firmes.

Sobre a importância em buscar outros investimentos além da poupança, Gallo destaca que esse é um movimento essencial para a economia. “É essencial para qualquer economia forte ter uma diversificação de investimentos e isso vale para todos, inclusive para o pequeno investidor”, afirma.

Eliana Bussinger destaca que a principal razão para se investir bem está no futuro. “Há a necessidade de cuidar do envelhecimento, as pessoas vivem mais, mas viver muito sem qualidade não interessa. Quando se trata de juntar grande quantidade de dinheiro para a aposentadoria, é importante buscar outras aplicações e não só a poupança ou a previdência privada”, afirma. A educadora financeira ainda ressalta que é a rentabilidade pesa muito no longo prazo e por isso é importante buscar a maior rentabilidade possível.

 

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