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Perda do “mágico 1% ao mês” na renda fixa deve provocar migração para COE e multimercados

O cenário de juros mais baixos costuma provocar um aumento no apetite por risco dos investidores mais conservadores, gerando uma procura por ativos de  maior retorno

Por  Diego Lazzaris Borges

SÃO PAULO – A queda da taxa de juros, possibilitada por uma inflação mais branda, deve provocar uma migração de investidores de produtos de renda fixa para aplicações com melhor retorno. A explicação de especialistas do mercado financeiro é simples: com a Selic diminuindo a cada reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), é natural que o investidor que estava confortável com o rendimento de suas aplicações agora tenha que se mexer e procurar fundos ou outros produtos que garantam um retorno tão atrativo quanto o que ele vinha tendo antes.

No final de 2015, por exemplo, um título de inflação pagava uma taxa prefixada de 7% ao ano, mais a inflação que naquele ano terminou em 10,67%. Isso quer dizer que o investidor esperava um retorno nominal bruto médio de 17% ao ano (sem contar o desconto de Imposto de Renda). Já neste começo de ano, o prêmio pago pelos títulos atrelados ao IPCA diminuiu para a faixa dos 5% ao ano e a inflação esperada para 2017 está em 4,47% segundo o último Relatório Focus. Se o retorno real (acima da inflação) já é bem menor, o investidor que observa a rentabilidade nominal também é afetado por um fator psicológico importante: a perda da rentabilidade de 1% ao mês, objetivo de boa parte dos brasileiros que aplicam seu dinheiro.

“Esse cenário de juros mais baixos costuma provocar um aumento no apetite ao risco dos investidores mais conservadores, gerando uma migração de renda fixa para os ativos de maior retorno. A perda do nível de remuneração mágico de 1% ao mês pode ser considerada como gatilho para esse processo, e é nesse ponto que nos encontramos agora”, afirma Celson Plácido, estrategista-chefe da XP Investimentos, uma das maiores instituições financeiras do país.

O estrategista destaca que este movimento já foi observado em 2006 e 2007 e o resultado foram captações expressivas nos fundos multimercados, de ações e long & short. Agora, ele lembra que há um outro produto que também pode absorver esses recursos e remunerar os investidores de maneira mais atrativa: o COE (Certificado de Operações Estruturadas).

O COE é um investimento que tem a rentabilidade atrelada a índices como o Ibovespa, a variação cambial de moedas como o dólar ou ainda a mercados em que o brasileiro está pouco habituado a investir, como commodities e índices ou ações de outros países. A grande maioria dos títulos emitidos é de capital protegido – ou seja, no pior cenário, o investidor recebe de volta o dinheiro aplicado, perdendo apenas o rendimento que obteria se tivesse escolhido um ativo que apresentou retornos maiores – o chamado custo de oportunidade.

“Os COEs são produtos que conseguem aliar grande flexibilidade de temas de investimento, retornos comparáveis aos fundos mais agressivos e a segurança de ter o capital protegido”, diz Plácido. Ele explica que a aplicação combina renda fixa com uma estrutura de opções, o que permite baixo risco por conta do capital protegido, otimização de custos – o COE não cobra tem taxa de administração nem performance – e uma boa eficiência tributaria, já que a tributação é calculada pela tabela regressiva de Renda Fixa.

 Juros em baixa e Bolsa em alta: multimercados são boa opção

Além do COE, outra aplicação que se torna cada vez mais atrativa neste cenário de queda de juros e alta da Bolsa são os fundos multimercados. “Esses fundos são extremamente interessantes e voltados principalmente para investidores com perfis moderados e agressivos”, aponta o estrategista. Entre as principais características dos multimercados está o fato de que os gestores têm liberdade para operar nos mercados de bolsa, juros e moedas, tanto no país quanto no exterior. Assim, eles podem “surfar” na alta ou na baixa destes ativos.

Este ano, os fundos multimercados estão com rendimento bem acima do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Até o dia 13 de fevereiro, o IHFA (Índice de Hedge Funds da Anbima) tinha subido 3,16%, mais do que o dobro do CDI, que rendeu 1,47% no mesmo período.

Mas quando se olha os fundos individualmente o resultado é ainda mais díspar. Na plataforma de fundos da XP Investimentos, que reúne mais de 120 multimercados de diferentes gestores, 11 fundos já renderam mais de 5% apenas este ano (até o dia 15 de janeiro). Entre os destaques, o fundo Solana Absolutto valorizou 12,67%, enquanto o Ibiuna Long Biased obteve retorno de 10,18% nos primeiros 45 dias do ano.

Ainda na lista dos mais rentáveis aparecem o Victoire Long & Short, com 9,15% de alta, e o Adam XP Macro, que rendeu 8,47% no ano. Este último foi fechado no final de janeiro, quando o patrimônio líquido do fundo master atingiu a marca de R$ 9 bilhões.

Na Bolsa, o melhor é optar por fundos

Já o pequeno investidor que quiser aproveitar o momento atual para investir na Bolsa de valores também deve priorizar os fundos de investimentos, que são comandados por gestores profissionais, cercados por equipes de analistas qualificados para garimpar as ações com maior potencial de alta.

Até o dia 16 deste mês, a valorização acumulada do Ibovespa no ano era de 12,60%. Entre os 48 fundos de ações da plataforma da XP, um terço tiveram um desempenho melhor do que o índice. O principal destaque é o fundo Alaska Black FIC FIA, que valorizou 32,57% no ano até o último dia 15. Já o fundo AZ Quest Small e Mid Caps rendeu 17,71%, enquanto o Mirae Asset Discover valorizou 17,53% este ano.

A possibilidade de ganhos com capital protegido do COE e o rendimento dos fundos multimercados e de ações mostram que o investidor de renda fixa tem para onde correr com a diminuição da Selic. “A resposta para quem estava receoso com menores rendimentos por conta da queda de juros é que existem, sim, diversas aplicações interessantes”, conclui Plácido.

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