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“O mercado financeiro foi um divã”, diz o ator Márcio Kieling sobre a realidade de ser trader

Despido de qualquer glamour, profissional conta tudo sobre a faceta mais pé no chão da nova profissão

Suzana Liskauskas

Márcio Kieling, ator e agora trader. Crédito: Divulgação

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Sou ator há quase 30 anos e achava que me conhecia, mas entender, de fato, quem eu sou no mercado financeiro, foi uma espécie de divã. Esta fala não pertence a nenhum personagem da ficção. Trata-se do depoimento real do ator Márcio Kieling.

O ator se despiu em cena e abriu o jogo sobre as dores e as delícias de atuar como trader na vida real, diante da curiosidade do público do Smart Summit 2024, evento que contou com a cobertura especial do InfoMoney entre os dias 25 e 26 deste mês, no Rio de Janeiro.

Até atuar como trader, Kieling nunca tinha sentido necessidade de fazer terapia. No entanto, o dia a dia do mercado financeiro despertou a urgência de tratar da saúde mental.

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“Foi no mercado financeiro que eu comecei a me conhecer de fato. Quem é o Márcio? Veio a ansiedade, veio a falta de paciência e veio a ganância. Nada disso tinha vindo à tona enquanto eu estava atuando em cena. O mercado financeiro foi uma espécie de divã”, afirma Kieling, que estreou na terapia após ingressar na carreira de trader.

Sem pudores, o ator contou que é indispensável ter ajuda psicológica para suportar os altos e baixos da nova profissão. “Quando entrei no mercado financeiro, percebi que o negócio dependia do emocional. Vamos tratar da nossa ‘cabecinha’, porque é fundamental estar ‘alinhado’ [consigo mesmo] para desenvolver um bom trabalho”, diz.

Enquanto explica como não ser seduzido pelo fascinante poder de multiplicar o patrimônio no mercado financeiro e de saber a hora de parar, Kieling reforça a necessidade de também ter apoio de um assessor financeiro de confiança durante a jornada.

O ator também considera que é fundamental desenvolver um plano de trading, além de trabalhar com travas para se proteger.

Três pilares para ser trader

Ao responder uma das perguntas da plateia sobre o que não pode faltar a um bom trader, Kieling destacou três pilares: planejamento operacional, emocional equilibrado e gerenciamento de risco.

“Agora estou me conhecendo mais, porque a atuação no mercado financeiro revela as nossas melhores e piores emoções. Normalmente, o pior sempre prevalece e acaba nos prejudicando. O operacional é só mais um fator dentro da engrenagem”, conta.

Dicas para ser um trader longe do AVC

Para manter a saúde mental em dia, Kieling estabelece metas, como um teto para o ganho diário. Atualmente, ele se diz satisfeito em atingir R$ 500,00 por dia. Ao estabelecer esse limite, o ator faz questão de silenciar outros influenciadores que exibem fortunas diariamente nas redes sociais.

Quando começou a ser trader, Kieling lembra que procurou seguir o máximo de pessoas nas redes sociais para coletar informações. “Um tempo depois, comecei a perceber que acompanhar essas pessoas me atrapalhava, porque o valor que elas diziam atingir era surreal, não era palpável para a minha realidade”, diz. “Entendi também que não é difícil manipular resultados, operando na conta simulador. Grande parte dos caras muito bons nem está nas redes”, completa.

Mesmo atuando com mais cautela na hora de estabelecer metas, Kieling não diminui seus ganhos. “Não permito que tratem meus resultados como irrisórios, porque são satisfatórios dentro da minha realidade”, afirma.

Para ele, é fundamental ter objetivos. “Ninguém entra em um ônibus sem saber o destino daquela viagem. No mercado financeiro, é semelhante. É preciso ter um objetivo para alcançar”, diz.

O principal problema, segundo Kieling, é o desejo de ganhar sempre mais. Por isso, é crucial trabalhar o emocional e ter consciência do momento de parar. “Você pode perder tudo o que construiu. Se você tem uma meta e chega bem perto é como chegar ao ponto final do ônibus”, conta.

Sem se deixar seduzir pelos resultados instantâneos, Kieling é bem pragmático ao definir a profissão como um trabalho de alta performance. Para ele, a facilidade de abrir uma conta em uma corretora e começar a operar, porém, não significa que a pessoa esteja pronta para atuar no mercado.

“É preciso um tempo de aprendizado, de maturação”, diz. “Um médico não começa a fazer cirurgias da noite para o dia, assim como o advogado não pega uma causa sem ter embasamento e formação. Atuar no mercado exige o mesmo empenho e preparo”, conclui.