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Os melhores títulos públicos de renda fixa para comprar agora

Com os juros baixos, e um número cada vez maior de analistas esperando novas quedas da Selic ainda neste ano, o investidor precisa estar disposto a correr mais riscos para aumentar o retorno na renda fixa

Binóculo
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O mercado brasileiro tem sido um teste de nervos para investidores de todos os tipos, dos mais conservadores aos arrojados. Se de um lado aqueles dispostos a correr riscos estão tendo que controlar a ansiedade com a maior volatilidade da Bolsa, despertada essencialmente pelo noticiário político, os investidores mais avessos a emoções estão penando para garantir retornos satisfatórios ao fim de cada mês.

Isso porque a renda fixa já não é a mesma há algum tempo. Com a taxa Selic a 6,5% ao ano desde março de 2018, e com uma crescente expectativa do mercado financeiro de mais corte de juros ainda em 2019, tem sido praticamente missão impossível sustentar uma boa rentabilidade da carteira sem se dispor a correr riscos.

E a situação não tende a ser muito melhor daqui para frente. Para ganhar mais sem largar mão dos juros, o investidor vai ter que aceitar correr risco de curto prazo para aumentar os rendimentos no mercado de renda fixa.

Até agora, os títulos públicos foram generosos. Enquanto o IRF-M, índice que reflete a trajetória de uma carteira de títulos prefixados em mercado, acumulava valorização de 2,51% no ano até o dia 1º de abril e de 9,38%, em 12 meses, o IMA-B, que mede o desempenho de uma carteira com títulos públicos indexados ao IPCA, tem alta de 5,95%, em 2019, e de 14,14%, em 12 meses. Como referência, o CDI, referencial das aplicações de renda fixa, tem variação de apenas 1,54% no ano e de 6,37%, em 12 meses.

Os rendimentos oferecidos pelos títulos públicos negociados no Tesouro Direto estão menores agora, mas gestores ouvidos pelo InfoMoney acreditam que ainda há boas oportunidades para quem estiver disposto a manter os papéis até o vencimento. De forma geral, como o risco está maior, os especialistas recomendam aplicar em títulos atrelados à inflação, que garantem um retorno real ainda atrativo, superior a 4% ao ano.

Há papéis atrelados à inflação vencendo entre 2024 e 2050, e o investidor deve escolher os que melhor combinam com seu prazo estimado de aplicação. Vender antes do vencimento deu um retorno interessante no passado, mas a chance de isso se repetir diminuiu, segundo os especialistas.

Isso porque o mercado já se adiantou a um movimento de queda da Selic, que de fato levou a taxa de 14,25% para 6,50% ao ano, e os retornos pagos pelos títulos públicos ficaram muito menores. O governo hoje paga menos para o investidor lhe emprestar dinheiro.

Não aos prefixados

O problema dos títulos prefixados é que eles pagam um retorno nominal. Se a inflação subir mais que o esperado e o Banco Central elevar os juros como resposta, o investidor pode ficar preso a um investimento com rentabilidade ruim. Hoje, o papel público prefixado que vence em 2022 oferece um retorno de 7,71% e o que vence em 2025 tem um rendimento anual de 8,71%. 

A Quantitas é uma gestora que está reduzindo posições em papéis prefixados de longo prazo. “Essa crise indicou um risco maior no cenário pós-aprovação da reforma da Previdência”, diz Rogério Braga, sócio-diretor e responsável pela gestão de renda fixa e multimercados da casa.

Passada a aprovação da reforma, a gestora espera novos cortes da Selic a partir do segundo semestre do ano, levando a taxa básica de juros para o patamar de 5,5% ao ano e com sua manutenção ao longo de 2020.

Para Braga, os riscos relativos à falta de coordenação política do governo parecem maiores e podem comprometer um ambiente mais propositivo depois da reforma da Previdência. “Surpreendeu negativamente a forma como o governo conduziu a última crise, ainda que agora estejamos num ponto de maior tranquilidade. Há outras reformas para passar e o governo precisa de governabilidade”, comenta o gestor.

Diante dessa perspectiva, Braga não enxerga prêmios tão atrativos dentre os contratos de vencimento mais longos no mercado de juros futuros, mas ainda vê oportunidades nos papéis de prazos bem curtos, como os de janeiro de 2019 e 2020, negociados a taxas perto de 6,50%, acima, portanto, da variação em 12 meses do CDI.

Como investidor pessoa física busca exposição a título público diretamente por meio de Tesouro Direto e não há papéis com vencimentos tão curtos, o gestor da Quantitas sugere a alocação em títulos mais defensivos, como o Tesouro IPCA+, porém de olho no carregamento até a data de vencimento. Os prêmios dos papéis prefixados ofertados atualmente no programa, em sua visão, não compensam o risco no momento.

No primeiro trimestre, dentre os títulos públicos à venda no Tesouro Direto, as maiores valorizações partiram justamente daqueles indexados à inflação. Destaque para os papéis Tesouro IPCA+ com vencimentos em 2035 e 2045, com alta de 9,69% e 14,48%, respectivamente. Os títulos do tipo Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais com prazos em 2035 e 2050 também tiveram forte apreciação, de 6,75% e 7,45%.

Assim como a Quantitas, a equipe da XP Investimentos não recomenda a alocação em papéis com retorno prefixado. Nathalia Sá, estrategista da casa, tem visão semelhante à de Braga e diz preferir ativos com retorno indexado à inflação aos prefixados por conta do perfil mais defensivo e também por enxergar prêmio para aqueles que permanecerem com os papéis até o vencimento.

Se é para correr riscos, a XP dá preferência à própria bolsa. “A assimetria de preços na renda variável é mais perceptível”, diz a estrategista.

O economista-chefe da Vinland Capital, Aurelio Bicalho, conta que a gestora tem ajustado as posições com maior frequência por conta de ruídos políticos de curto prazo. A preferência tem sido por posições mais táticas.

De maneira geral, diz Bicalho, a carteira tem posições que se beneficiam de reduções do prêmio de risco na curva de juros, de um cenário de aprovação da reforma da Previdência, que também será positivo para a bolsa brasileira.

A Vinland espera dois cortes da Selic neste ano, cada um de 0,50 ponto percentual, condicionados a avanços “importantes” na reforma previdenciária. “Ela não precisa estar necessariamente aprovada, porque o processo é longo, mas precisa ter avançado, termos um projeto bem desenhado, com o que significa o tamanho da desidratação”, pontua Bicalho.

Na visão do economista, houve uma grande mudança na taxa de “juros estrutural” (também chamado de neutro ou de equilíbrio) da economia, tanto pelas mudanças provocadas pela imposição de um teto de gastos implementado no governo Temer, com um crescimento mais controlado dos gastos públicos, quanto pela substituição da TJLP pela TLP (Taxa de Longo Prazo), que passou a capturar os juros de mercado.

“A política econômica está estimulativa, mas não muito, porque o juro estrutural caiu”, aponta o economista. Para a gestora, o juro neutro, que viabiliza o crescimento econômico sem gerar inflação, ficaria hoje entre 2,5% e 3% ao ano.

Bicalho assinala que os contratos de juros futuros com vencimentos mais curtos não embutem em seus preços a perspectiva de novos cortes da Selic neste ano, o que abre oportunidades, assim como o juro real de mais longo prazo pode ser interessante, por conta de um horizonte mais benéfico com os avanços das reformas.

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