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Gol pode se beneficiar mais com crise da Avianca, mas Azul é a "queridinha" da XP no setor

Apesar do noticiário conturbado, as expectativas para 2019 podem ser construtivas para companhias do setor aéreo  

Azul - avião 04
(Divulgação)

SÃO PAULO - O setor aéreo enfrenta algumas incertezas nos últimos dias. O pedido de Recuperação Judicial da Avianca Brasil, seguido pela Medida Provisória assinada por Michel Temer que permite a entrada de 100% de capital estrangeiro nas companhias aéreas brasileiras e o potencial interesse da Azul na Avianca Brasil mexeram com o mercado.

Apesar do noticiário frenético e ainda incerto, as expectativas para 2019 são construtivas e o setor pode se beneficiar de uma recuperação da atividade econômica, competição mais racional e de um ambiente de custo mais controlado. 

A XP Investimentos fez uma análise desses acontecimentos que impactaram o setor aéreo e divulgou suas percepções em um relatório assinado pela analista Bruna Pezzin. 

Apesar do desempenho da Gol, XP recomenda Azul

Esses eventos podem ter criado um ambiente mais positivo para as companhias do setor com ações negociadas na B3. Nos últimos dias, a Gol (GOLL4) viu seus papéis apresentarem forte valorização. Foram ganhos de 34% nos últimos 10 pregões. Já as ações da Azul (AZUL4) subiram 13% no período. 

Apesar do desempenho mais modesto no período, a Azul segue sendo a preferida pela XP Investimentos no setor. Eles explicam: “a visibilidade é baixa sobre potenciais resultados do 'evento Avianca', e acreditamos que o descolamento recente da Gol tenha em parte incorporado um cenário de menor competição e absorção adicional da demanda da empresa concorrente”.

A equipe de análise da corretora acredita que a Azul pode apresentar crescimento superior de margem advindo de custos mais baixos, aquecimento na demanda e ganhos de eficiência - além de negociar múltiplos atrativos. O preço-alvo é de R$ 40 por ação - o que representa um potencial de valorização de 14,3% em relação ao fechamento da última sexta-feira (21).

Na última quarta-feira, as ações de Gol (GOLL4) e (AZUL4) fecharam com respectivas quedas de 0,97%0,31%. No acumulado do ano, as companhias apresentam altas de 69,66% e 28,62%, respectivamente.O Ibovespa por sua vez sobe 11,25% no mesmo período.

Efeito Avianca pode beneficiar ainda mais a Gol

Em relação à recuperação judicial da Avianca, quarta empresa do setor, a XP afirma que é necessário monitorar a reunião agendada para 14 de janeiro entre a Avianca e as empresas com as quais tem acordo de leasing. Nesta data, deve ser definido se essas empresas reaverão ou não as aeronaves.

O relatório cita a Convenção de Cape Town, que está em vigor no Brasil desde 2013. Trata-se de um tratado internacional que visa dar mais segurança a credores em operações internacionais envolvendo bens móveis.

De acordo com especialistas sobre a legislação setorial, esse tratado se sobrepõe a pedidos de Recuperação Judicial e Falência, e pelas regras, em um cenário de insolvência da empresa os credores poderiam retomar as aeronaves após o prazo.

Há um espaço para Gol e Azul crescerem a depender do desfecho da recuperação judicial da Avianca - logicamente, com uma concorrente a menos ambas as concorrentes poderiam ganhar.

Mas é “importante relembrar que, no acumulado até outubro de 2018, a Avianca foi responsável por 14% da demanda do mercado. Um cenário em que a empresa reduza a oferta de assentos potencialmente beneficiaria as competidoras. Nesse caso, dado que a Gol possui maior sobreposição de rotas com a Avianca, a empresa poderia ser mais diretamente beneficiada”, afirma Pezzin.

Apesar disso, a Azul segue sendo a queridinha da XP no setor. "Nossa preferência pelo modelo de negócios da Azul baseia-se nas vantagens competitivas", diz o relatório.

Entre elas estão o fato de ter uma malha aérea mais exclusiva, que resulta em maior habilidade de definir preços e maior capacidade de repassar custos assumindo racionalidade, menor exposição do balanço ao Dólar e outras “opcionalidades” que não estão precificadas em nossos números, como a aprovação final da JV com os Correios, que ainda depende de aprovações finais, e dos títulos conversíveis da TAP, no valor de 90 milhões de euros.

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