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Ciclo financeiro da vida: poupar e acumular um patrimônio é a única opção

Como as pessoas vivem cada dia mais, construir um patrimônio é a única forma para garantir um futuro tranquilo

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SÃO PAULO - Se as pessoas mudam com a idade, também mudam suas necessidades financeiras. Quando analisada do ponto de vista financeiro, a vida de cada indivíduo pode ser dividida em fases, onde as necessidades e os objetivos são diferentes, mudando gradualmente ao longo do tempo.

Um exemplo é o padrão de receitas e despesas. Existem fases em nossa vida, por exemplo, quando as despesas aumentam bastante: quem tem filhos sabe exatamente o que isso significa para o orçamento. Também as receitas variam, pois saímos de uma situação de salários mais baixos no início da carreira para uma situação muito melhor na meia idade, quando a maioria atinge seu apogeu profissional.

No entanto, não somente as receitas e as despesas mudam ao longo do tempo. Também a necessidade de poupança vai se alterando, permitindo que alguns períodos de nossa vida possam ser ideais para acumulação de uma reserva financeira. Outros, por sua vez, são aqueles onde precisamos usar recursos poupados anteriormente para manter nosso padrão de vida.

Segmentando as receitas
Vale a pena analisar inicialmente o ciclo de receitas, buscando dividir as receitas em dois grupos: receitas de trabalho e outras receitas. As receitas de trabalho são aquelas obtidas de atividade profissional, incluindo salário, benefícios, 13º, bônus e outros.

Já as outras receitas surgem como resultado da posse de ativos, sejam eles financeiros ou não. Como exemplos aparecem juros de investimentos em renda fixa, dividendos em aplicações em ações, aluguéis de imóveis residenciais ou comerciais e qualquer outra receita que seja derivada de algum ativo.

O ciclo das receitas
De forma geral, a partir do momento onde as pessoas deixam de depender de seus pais, ou seja, atingem um grau de independência financeira, as receitas de trabalho são as mais importantes. O raciocínio é simples: você ainda não conseguiu construir um patrimônio que gere renda.

Esta renda de trabalho tende a subir ao longo do tempo até o momento da aposentadoria, refletindo o crescimento profissional. Portanto, é uma curva crescente até o final da carreira profissional, quando cai de forma significativa para um nível mais baixo, que corresponde ao recebimento dos benefícios de aposentadoria.

Já o crescimento das outras receitas varia bastante. Em geral, as pessoas começam acumular patrimônio a partir dos 30 anos, o que acaba gerando mais recursos que, adicionados às receitas do trabalho, correspondem às receitas totais. O ideal é que as outras receitas cresçam ao longo do tempo, evidenciando um crescimento do patrimônio.

O gráfico abaixo ilustra melhor o ciclo de receitas.



Ciclo das despesas
As despesas, por sua vez, têm um ciclo mais previsível. Elas tendem a crescer rapidamente a partir dos 25 anos, atingindo um patamar mais elevado na meia idade, quando se combinam um padrão de vida mais elevado com a manutenção das despesas com filhos.

Uma queda mais significativa é verificada somente quando da independência econômica dos filhos. Isso não significa, porém, que o nível de despesas volta aos níveis registrados anteriormente, já que as pessoas adquirem um padrão de vida mais elevado e não querem reduzi-lo antes da aposentadoria.

Comparando os ciclos
Quem analisou em detalhe o gráfico acima percebeu que a renda após a aposentadoria pode ser bem diferente de pessoa para pessoa, dependendo principalmente de uma variável: as outras receitas. Como outras receitas aparecem como uma conseqüência direta do patrimônio acumulado, quem não conseguiu poupar pode estar em situação complicada.

Quem não acumulou um patrimônio terá poucas receitas extras, normalmente tendo que depender dos benefícios da aposentadoria para viver. Já quem conseguiu acumular um patrimônio pode complementar sua renda mensal com juros, aluguéis, dividendos ou outros. Ter uma reserva ou não faz toda a diferença no momento em que as receitas de trabalho caírem, ou seja, na aposentadoria.

Sem um patrimônio, é a renda que você irá receber na aposentadoria que determinará o quando você poderá gastar: é fácil entender porque é fundamental construir uma reserva. Quem conseguir compensar a perda de receitas de trabalho por outras receitas irá conseguir manter o seu padrão de vida. Já quem não conseguiu terá duas opções: ter uma forte queda no padrão de vida ou adiar a aposentadoria, buscando renda para manter se padrão de vida.

Comece enquanto ainda é tempo
Analisar de perto o ciclo financeiro da vida pode trazer várias lições. A principal é que, a não ser que você queira passar sua terceira idade trabalhando ou dependendo de favores dos outros, é absolutamente necessário criar uma reserva, ou seja, acumular um patrimônio que gere renda no futuro. Isso somente é possível através da poupança.

Pouca gente percebe, mas a expectativa média de vida das pessoas tem aumentado de forma significativa nas últimas décadas. A expectativa média de sobrevida de um homem de 35 anos ano Brasil, segundo dados do IBGE de 2004, era de 38,4 anos, ou seja na média, a expectativa é que os homens desta idade alcancem 73,4 anos. Para as mulheres na mesma faixa etária, a expectativa é maior: 44,7 anos de sobrevida, ou 79,7 anos de idade.

Os números, portanto, mostram que você deverá viver bastante. Porém, para que as últimas décadas de sua vida não sejam marcadas por dificuldades, você deve começar a se preparar o mais rapidamente possível. Poupar e construir uma reserva financeira não é um luxo ou capricho, mas a única garantia para manter um bom padrão de vida no futuro.

 

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