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Ações ou renda fixa? Estrategista do Fundo Verde conta sua preferência - e qual rende mais

Estrategista orienta que os investidores foquem em títulos de renda fixa com vencimento de 5 a 10 anos

Luiz Parreiras Gestor Verde Scena
(Lucas de Abreu (InfoMoney))

SÃO PAULO - Se você for questionado por um instante sobre qual investimento traz maior rentabilidade, entre ações e renda fixa, provavelmente responderá que o mercado acionário tem a maior probabilidade de superar os títulos públicos em ganhos. 

Realmente, o risco maior da Bolsa de Valores agrega a possibilidade de ganhos grandiosos, mas - ao longo dos anos - não é isso que o histórico do Ibovespa apresenta. "Historicamente é melhor ter renda fixa no Brasil", avalia Luiz Parreiras, estrategista do Fundo Verde, destacando que a rentabilidade do principal índice da B3 ficou abaixo do IMA-B (índice de fundos de renda fixa atrelados à inflação) no acumulado de janeiro de 2008 a 2017. 

"Nesse período foi melhor ter IMA-B do que ter bolsa", disse Parreiras durante o 1º Encontro Icatu Seguros + Verde Asset, ocorrido na semana passada. Mesmo observando uma janela menor, dos últimos três anos, o Ibovespa também fica atrás do IMA-B. "De 2010 a 2017 a Bolsa nunca ganhou. Obviamente ter comprado Ibovespa em 39 mil pontos foi um bom negócio, mas será que é comprar agora?", questiona o estrategista após o principal índice da B3 superar os 74 mil pontos. 

"A Bolsa, comprada no preço errado, dificilmente vai bater a renda fixa [em rentabilidade]", acrescenta Parreiras, destacando que a volatilidade esperada para 2018, ano de eleições, tem efeitos diferentes no dois mercados e, por isso, enfatiza sua preferência nas NTN-Bs, títulos pós-fixados com rentabilidade atrelada à inflação, com destaque para aquelas com vencimento em 2022, 2023 e 2026. 

"Nessas curvas de juros é onde têm prêmio de risco razoável sem depender tanto do resultado da eleição de 2018", disse Parreiras durante o 1º Encontro Icatu Seguros + Verde Asset, ocorrido na semana passada. "Prefiro comprar NTN-B de 4,70% do que apostar na bolsa", acrescentou.

Onde investir?
De olho na volatilidade que deve permear os investimentos em 2018, o estrategista orienta que os investidores foquem em títulos de renda fixa com vencimento de 5 a 10 anos, prazo em que há menos prêmio de risco precificado. 

"O mantra é ter mais renda fixa e menos alocação em outros mercados para tentar navegar a volatilidades dos próximos 18 meses", disse.

Além do mercado acionário brasileiro, o estrategista também se mostra cético com as aplicações atreladas ao crédito. "Comprar crédito no Brasil com juros tão baixos não faz sentido", explicou. Investimentos em renda fixa atrelados ao crédito englobam, entre outros, LCI, LCA, CRI e CRA.

Parreiras conta ainda que o Fundo Verde segue usando o dólar como principal hedge e os fundos da Asset, com exceção dos previdenciários, apostam contra a moeda chinesa. 

A Verde Asset tinha sob sua gestão mais de R$ 33 bilhões de ativos no fim de outubro. Apenas no Fundo Verde eram mais de R$ 1,357 bilhão de patrimônio líquido, com rentabilidade acumulada de 9,40% até o mesmo passado.

 

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