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Evite prejuízos: aprenda a identificar quando a venda de uma ação é a melhor saída

Em uma carteira de longo prazo, manutenção de posições predomina; porém oportunidade de venda pode surgir

SÃO PAULO - A maioria dos analistas e profissionais de mercado financeiro recomenda que o investimento em ações deve ser realizado com uma mentalidade de longo prazo, onde apenas papéis de empresas com sólidos fundamentos, bem administradas, comprometidas com boas práticas de governança corporativa e, principalmente, com potencial contínuo de crescimento, devem ser adquiridos.

Assim, após a compra de um papel, a preocupação do investidor deve ser a de elevar suas posições investindo, mesmo que pequenas quantias, periodicamente, como, por exemplo, em um plano de previdência. Esse seria um dos melhores caminhos para se obter bons resultados no mercado de renda variável. Resumindo: recomenda-se montar uma carteira sólida, modificando a composição desta poucas vezes no decorrer dos anos.

No entanto, alterações de cenários podem fazer uma boa opção de investimento perder sua atratividade. Ou, em outros casos, uma ação que não apresentava as melhores perspectivas se transforma em uma interessante alternativa de investimento. Neste contexto, o INI (Instituto Nacional dos Investidores) dedicou um dos capítulos do seu Guia Oficial para auxiliar os investidores, descrevendo quais são os legítimos motivos para a venda de uma ação.

Capacidade administrativa, lucros e quadro financeiro
Em um primeiro quesito, o instituto recomenda a avaliação continua da capacidade administrativa da empresa. Mudanças desfavoráveis podem transformar uma boa opção de investimento em uma grande dor de cabeça. Neste caso, devido à dificuldade para avaliar a competência de uma nova administração, a opinião de profissionais de mercado pode ser bastante útil.

Além disso, uma tendência decrescente de margens de lucro deve ser analisada mais de perto, assim como a deterioração do quadro financeiro. A questão é saber se essa trajetória é passageira ou se tende a permanecer, uma vez que uma companhia pode enfrentar um ou mais anos de lucros estagnados com crescimento das dívidas.

Mercado de atuação e economia
Outro ponto importante está relacionado às perspectivas para o mercado de atuação da companhia e crescimento da concorrência de seu setor. Mesmo que uma empresa seja bem administrada e esteja financeiramente saudável, a redução da demanda ou o crescimento da oferta de produtos similares e/ou substitutos podem prejudicar os ganhos futuros. Neste contexto, o investimento em ações de uma empresa com portfólio pouco diversificado e muito dependente de um único produto deve ser sempre reavaliado.

A qualidade de uma ação também pode mudar em função de circunstâncias econômicas. Por exemplo: se o gasto com matéria prima subir muito sem que os preços dos produtos vendidos acompanhem tal evolução, os ganhos futuros da companhia fatalmente serão afetados.

Recompensa por anos de investimentos
Além destes fatores, o INI ressalta que a manutenção do equilíbrio por tamanho das empresas das ações que compõem uma carteira é importante. Assim, a recomendação é manter 25% de ações de empresas pequenas e com altas taxas de crescimento e o mesmo percentual em empresas de grande porte, sendo que o restante deve ser locado em companhias de médio porte.

Finalizando, a recompensa por anos de investimentos bem-sucedidos, onde os ganhos serão aplicados, por exemplo, na compra de uma casa própria, na educação de um filho ou na realização de um grande sonho, sem dúvida se apresenta como um legítimo motivo para a venda de uma ação.

 

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