Em onde-investir

Os investimentos de renda fixa mais rentáveis de 2012

O IMA-B 5+ (índice que mede o retorno das NTN-Bs com prazo maior que 5 anos) , valorizou 31,21%

cofre_bancos
(Getty Images)

SÃO PAULO – A renda fixa brasileira passou por muitas mudanças em 2012. Com a queda na taxa de juros para 7,25% ao ano, seu menor nível histórico, muitos investimentos atrelados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário, que oscila bem próximo da Selic) perderam a sua atratividade. Dentro deste cenário, os investidores precisaram olhar para aplicações diferentes para continuar com retornos interessantes.

Em 2012, mais uma vez, os títulos atrelados à inflação se destacaram em relação à rentabilidade. Se por um lado a queda dos juros prejudica algumas aplicações, outras se beneficiam com o aumento da expectativa de preços (com juros mais baixos, a tendência é que o consumo aumente e impulsione índices de inflação). Foi o caso das NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional Série B), títulos públicos atrelados ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) que trouxeram rendimentos significativos este ano que se encerra. De acordo com dados da Anbima, o IMA-B 5+, índice que mede o retorno das NTN-Bs com vencimento acima de 5 anos, rendeu 31,21% até o dia 30 de novembro. Veja abaixo os índices de renda fixa que mais valorizaram este ano (até 30 de novembro):

IMA-B 5+ (índice que mede o retorno das NTN-Bs com prazo maior que 5 anos)  == 31,21% 

IMA-B (índice que mede o retorno das NTN-Bs) == 24,29%

IDA –IPCA (índice de debêntures atreladas ao IPCA)== 19,01%

IRF-M 1+ (índice que mede o retorno das LTN com prazo maior que 1 ano) == 15,93%

IMA – B 5  (índice que mede o retorno da NTN-Bs com prazo até 5 anos) === 15,38%

A explicação para este rendimento elevado dos títulos de inflação é a própria expectativa de aumento dos preços e a queda dos juros. Além disso, o especialista em finanças pessoais da MoneyFit, André Massaro, ressalta que os títulos mais longos tendem a oferecer retornos mais elevados, por conta de seu risco. “Títulos longos representam um risco maior para o investidor, por isso o ‘prêmio’ tem que ser correspondentemente maior. Se você ver, por exemplo, os TBonds americanos por prazo, você vai ver grandes diferenças entre os curtos e os longos. Aqui é igual”, compara.

O risco destes títulos está justamente na volatilidade que eles possuem. O investidor que fica com o título até o final sempre vai ganhar o rendimento que foi pré-acordado, portanto não tem com o que se preocupar. No entanto, quem vender antes do vencimento estará sujeito às oscilações do mercado (tanto para cima, quanto para baixo), que são mais fortes à medida que o prazo do título aumenta.

O IDA –IPCA (índice de debêntures atreladas ao IPCA) também registrou retornos elevados em 2012 (com valorização de 19,01%). O especialista da MoneyFit lembra que as debêntures (títulos de dívida de empresas privadas) ainda são pouco populares no Brasil. “Mas se a tendência de queda de juros persistir, o investidor brasileiro vai ter que se familiarizar com elas se quiser obter retornos em renda fixa”, diz. Ele lembra que, em linhas gerais, as debêntures são consideradas instrumentos de risco maior que títulos do governo e títulos emitidos por bancos, por isso o retorno maior. “O risco da debênture é o risco da empresa que emite ela - é isso que o investidor precisa olhar”, aponta.

Com retorno menor, mas ainda assim atrativos, as LTN (Letras do Tesouro Nacional, títulos prefixados) também figuram entre os investimentos de renda fixa mais rentáveis de 2012. Segundo a Anbima, o IRF-M 1+ (índice que mede o retorno das LTNs com prazo maior do que um ano) rendeu 15,93% até o dia 30 de novembro, beneficiado pelos consecutivos cortes na Selic. “Títulos prefixados são beneficiados em cenários onde a tendência da taxa de juros é de queda (é o caso aqui), por isso eles tiveram uma performance tão boa”, explica.

Próximo ano
Na opinião de Massaro, 2013 ainda deve ser um ano em que a renda fixa vai predominar, mas pode ser o "começo do fim". “As taxas de juros estão caindo e as mudanças da poupança em 2012 abriram espaço para quedas ainda maiores no futuro. Os retornos em RF no Brasil ainda são altos para os padrões mundiais e os investidores devem tirar proveito disso em 2013, mas é bom já irem se acostumando com outras opções de investimento mais complexas e mais agressivas caso pretendam manter os mesmos níveis de retorno no futuro”, conclui.

 

Contato