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E se a Selic nunca mais voltar a 10%? Gestor diz como investir

Superintendente de Investimentos da Brasilprev acredita que as taxas de juros não voltarão mais a dois dígitos no Brasil e que é hora de olhar para investimentos alternativos

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(Brasilprev)

SÃO PAULO – Em um cenário econômico instável e com a constante queda dos juros que vem ocorrendo no País, os investidores terão que poupar cada vez mais cedo e aplicar ao menos uma pequena parte dos recursos em produtos um pouco mais arriscados. Essa é a opinião de Altair Cesar de Jesus, superintendente de Investimentos da Brasilprev, a gestora de fundos de previdência privada do Banco do Brasil e do grupo americano Principal, que tem R$ 58 bilhões sob administração.

Na opinião pessoal do especialista, a taxa básica de juros (Selic) nunca mais deve voltar aos dois dígitos. Trata-se de uma mudança estrutural – em 1999, a Selic chegou a estratosféricos 45%. Isso obrigará os brasileiros a procurar outros produtos financeiros para investir para a aposentadoria. “Está na hora de o brasileiro mudar seu perfil. Ele sempre foi muito conservador”, afirma Altair.

Entre as alternativas que mais atraem o gestor da Brasilprev, estão os títulos públicos indexados à inflação (NTN-B) e papéis privados de grandes bancos, como CDB e letras financeiras. Em relação ao mercado acionário, o gestor tem preferido as empresas que pagam fartos dividendos – ainda que melhor escolha varie de acordo com o momento econômico do Brasil e do mundo.

Leia mais: Índice de dividendos rende o triplo do Ibovespa em 6 anos e é opção para juro baixo

Saídas para as baixas taxas de juros
É claro que para montar uma carteira com um pouco mais de risco é preciso fazer uma análise prévia, definindo quais são os objetivos do investidor e qual prazo possui. Mas algumas sugestões de Altair e do gerente de inteligência de mercado do Brasilprev, Sandro Bonfim, é olhar para o mercado de ações como uma saída alternativa para encarar os juros mais baixos do mercado.

De acordo com Altair, mesmo com o baixo número de pessoas cadastradas na Bolsa de Valores, o mercado está evoluindo e chamando a atenção de mais investidores “O setor está muito mais desenvolvido, e as pessoas estão aprendendo muito mais sobre ações”, coloca.

Outra opção são os títulos de renda fixa de empresas (debêntures). De acordo com os especialistas, ainda falta um mercado secundário para que os investidores se acostumem mais a investir em papéis como debêntures de empresas, por exemplo. Ao contrário do Tesouro Direto, que permite a revenda de títulos públicos para o próprio governo uma vez por semana, quem compra uma debênture muitas vezes é obrigado a ficar com ela até o prazo de vencimento porque não há compradores para o papel.

Além disso, os especialistas apontam que o país possui uma indústria de fundos muito grande. Apesar de parecer algo positivo, isso às vezes deixa investidor perdido em meio a tantas opções.

Poupe mais cedo
Com a queda remuneração média dos investimentos no Brasil e com o aumento da expectativa de vida da população, os executivos também recomendam que as pessoas comecem a poupar cada vez mais cedo para garantir uma aposentadoria tranquila.

O regime de juros compostos que corrige a poupança dos investidores tem um efeito brutal sobre o dinheiro que será acumulado no longo prazo. O ideal é que o investidor comece a poupar assim que comece a ter renda.

No entanto, produtos de previdência privada, como os da Brasilprev, são indicados apenas para o dinheiro que será reservado para objetivos de longo prazo, como a aposentadoria ou a faculdade dos filhos. Somente nesses casos, será possível aproveitar os benefícios fiscais oferecidos pelo produto.

Para quem está começando a poupar ainda bem jovem, Sandro sugere guardar em torno de 5% a 6% da renda. Quem faz isso durante décadas e escolhe um bom produto de previdência poderá conseguir garantir uma renda equivalente a ao menos 70% do último salário recebido como trabalhador ao se aposentar. Isso deverá ser suficiente para o investidor ao menos manter o padrão de vida quando parar de trabalhar, já que seus gastos serão menores e provavelmente também será possível complementar a renda com o benefício pago pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

 

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