Mudanças em CRI, CRA, LCI e LCA beneficiam setores agro e imobiliário, diz Anbima

No mercado, fundos de investimentos tendem a sair ganhando, enquanto securitizadoras veem risco de algumas operações não saírem do papel

Bruna Furlani

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Os ajustes apresentados ontem (1) pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) nas normas que regem as emissões de títulos isentos do agronegócio e do setor imobiliário foram vistos como positivos pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Em nota antecipada ao InfoMoney nesta sexta-feira (2), a associação disse que as alterações irão “aumentar a eficiência da política pública no suporte aos setores do agronegócio e imobiliário, o que contribui para o desenvolvimento e para o constante aprimoramento do mercado de capitais”.

Na prática, a primeira alteração restringiu os tipos de ativos que podem servir de lastro para as emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e Imobiliários (CRIs), enquanto a segunda não só aplicou essa mudança às Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), Imobiliário (LCIs) e Imobiliárias Garantidas (LIGs), mas também alongou os prazos de vencimento desses papéis.

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Fundos saem ganhando

Fundos de investimento, que sofreram forte concorrência dos ativos isentos nos últimos meses, tendem a se beneficiar das mudanças trazidas pelo CMN.

A competição com os isentos foi citada como o principal problema que impulsionou o forte volume de saídas líquidas em multimercados nos últimos meses, na visão de Luis Stuhlberger, CEO e CIO da Verde Asset Management.

Para atrair e reter clientes, a casa prepara para este ano a criação de uma área dedicada à infraestrutura e a montagem de um fundo de investimento em direito creditório (FIDC). O maior apetite por isentos também fez a Tenax Capital se mexer. A gestora vai lançar em breve um fundo dedicado a crédito, afirmou Alexandre Silvério, CEO e CIO da casa, nesta semana.

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Ao Brazil Journal, o JPMorgan avaliou que enxerga benefícios também a players como a XP, que poderia perder receita no negócio de estruturação e distribuição de títulos isentos, mas ganhar espaço com a migração de capital hoje alocado nesses ativos em grandes bancos – que, por sua vez, ainda teriam que lidar com custos maiores de funding.

Em 2023, as emissões de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs), além de debêntures incentivadas, por exemplo, chegaram a R$ 115,5 bilhões. O valor foi bem menor do que o registrado no ano passado, mas representou um fluxo contrário em relação aos saques líquidos de R$ 127,9 bilhões vistos nos fundos de investimento locais. Os dados são da Anbima.

Operações revistas

Se os fundos estão animados com as mudanças, as securitizadoras afirmam que muitas operações planejadas corram o risco de não saírem do papel.

Para Flavia Palacios, CEO da Opea, uma das líderes no mercado de securitização brasileiro, as alterações promovidas pelo Governo não necessariamente levarão a um redirecionamento dos investimentos, como defenderam integrantes da equipe econômica e da CVM. “Estejam preparados para um recuo [das emissões]. O maior volume de operações historicamente é o de companhias abertas”, observou a executiva.

A especialista também teme que, com as restrições nos lastros de CRIs e CRAs, bancos tenham mais dificuldade de ceder crédito. “Agora, só poderá ceder se ele não ficar com nenhuma retenção de risco, o que não parece fazer sentido econômico”, ponderou Palacios.

A visão é compartilhada pelo escritório VBSO Advogados. Em relatório, a casa destacou que a vedação representa um “severo desestímulo ao financiamento privado para os setores imobiliários e do agronegócio”.