Melhores fundos de ações de janeiro: campeão rende 6,41%; veja papéis que puxaram resultado

Nomes mais ligados ao setor de cuidados de saúde e cibersegurança tiveram destaque, para além das tradicionais big techs

Bruna Furlani

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Embalados pela visão de que o corte de juros nos Estados Unidos poderia começar em março, os principais mercados acionários americanos apresentaram alta em janeiro — o que se refletiu em ganhos também para fundos de ações posicionados em papéis negociados no país.

O destaque ficou por conta do Empiricus Tech Select FIA BDR Nivel I, que avançou 6,41% em janeiro, contra uma alta de 1,59% do S&P 500 no mesmo período.

No levantamento, o InfoMoney levou em conta dados extraídos da plataforma TC/Economatica no começo do mês. Para a pesquisa, foram considerados veículos não exclusivos, com gestão ativa, patrimônio líquido médio superior a R$ 100 milhões em 12 meses e mais de 99 cotistas no fim do mês de janeiro. Fundos monoação (que investem em apenas um papel) ficaram de fora.

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Confira os retornos dos melhores fundos de ações de janeiro:

FundoRetorno em Janeiro (%)
Empiricus Tech Select FIA BDR Nivel I6,41
Western Asset FIA BDR Nivel I6,27
Wellington Ventura Dolar Adv FIC FIA Ie4,65
Opportunity G e R Fc FIA BDR Ni Ie4,52
Ms Global Opportunities Dol Adv Fcfia Ie4,04
Fonte: TC/Economatica

Olho em cuidados de saúde e cibersegurança

Fora das tradicionais big techs, que levam o nome do fundo da Empiricus, um dos setores que mais ajudaram a incrementar os retornos do produto em janeiro foi o de cuidados de saúde (health care), puxado pelas ações da Eli Lilly & Company (LILY34). A empresa é líder no desenvolvimento de medicamentos para diabetes, oncologia, imunologia e neurociência.

João Piccioni, gestor de fundos da Empiricus Gestão, explica que a companhia obteve destaque na competição para desenvolver produtos voltados ao emagrecimento, como o Zepbound — medicamento em forma de caneta injetável que concorre diretamente com o Ozempic e Wegovy.

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O produto foi aprovado pelo FDA, agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, em novembro do ano passado, e recebeu uma boa aceitação por parte dos consumidores até agora, defendeu Piccioni.

A casa também tem apostado nas ações da Vertex Pharmaceuticals Inc (VRTX34) dentro do setor de cuidados de saúde — papel que deve se beneficiar da aprovação da primeira terapia com tecnologia de edição genética.

Não só: a expectativa com novas aprovações de medicamentos por parte do FDA deve movimentar o setor como um todo ao longo deste ano. “Acho que teremos um salto. Ele [FDA] ficou muito focado na questão da covid e a aprovação de outras drogas ficou para trás. Agora, isso deve ser retomado”, avalia o gestor.

Outro destaque do mês de janeiro ficou por conta de ações mais voltadas ao setor de cibersegurança. Um dos papéis preferidos do profissional é a Crowdstrike Holdings Inc. (C2RW34). “É a maior concorrente da Microsoft [no setor]. Foi um destaque. Teve uma arrancada grande e tem mostrado lucratividade alta para os investidores, com geração de caixa”.

Big techs, porém, não ficam de fora, especialmente Meta (M1TA34), Amazon (AMZO34) e Microsoft (MSFT34). Nomes que a Empiricus Gestão aumentou recentemente no fundo — movimento feito juntamente com a redução da exposição em Alphabet (GOGL34) e Apple (AAPL34).

Microsoft: resultados “sólidos”

A visão também é positiva para as ações da Microsoft dentro da Western Asset. Um dos produtos da casa, o Western Asset FIA Bdr Nivel I, terminou janeiro na segunda colocação entre os fundos de ações com melhor desempenho, ao acumular um retorno mensal de 6,27%.

Maurício Lima, superintendente de produtos da casa, avalia que os resultados da Microsoft vieram “sólidos”, com destaque para o crescimento da parte de nuvem. A receita em nuvem inteligente da empresa foi de US$ 25,9 bilhões e aumentou 20% com relação ao ano anterior. Já as receitas de produtos de servidor e serviços em nuvem aumentaram 22%, impulsionadas pelo crescimento de 30% da receita do Azure e de outros serviços, no segundo trimestre fiscal de 2024 (equivalente ao último de 2023).

Outro nome que trouxe ganhos em janeiro foi uma posição em Nvidia (NVDC34), que foi reduzida recentemente apenas para controlar o risco do portfólio, como explica Lima. Segundo ele, a companhia continua se destacando na competição com a Intel, que teve um guidance mais fraco e viu o papel “ficar para trás”.

Na última quarta-feira (14), a Nvidia também surpreendeu o mercado ao ultrapassar a Alphabet como a terceira empresa mais valiosa dos Estados Unidos, logo após superar a Amazon. A companhia divulgará os resultados em 21 de fevereiro, com analistas esperando um lucro por ação no quarto trimestre de 4,51 dólares e uma receita de US$ 20,19 bilhões, de acordo com dados da LSEG.

“Os valuations [preços] estão mais altos em tech do que no restante da Bolsa. Porém, num contexto de queda de juros nos EUA, esse é um setor que deveria se beneficiar e andar mais do que a média de mercado”, pondera Lima.