Legacy prevê Selic de 8% neste ano – e faz apostas para ganhar com a queda dos juros

Gestora detém visão mais positiva com a inflação e com a perda de força da atividade econômica ao longo deste ano

Bruna Furlani

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A aposta da Legacy para os juros no Brasil é mais agressiva do que a dos concorrentes: crente de que não haverá recessão na economia global e local, a gestora acredita que o Banco Central (BC) tem espaço para cortes mais duros da Selic, que poderia chegar ao patamar próximo de 8% no fim do ano.

Os economistas consultados no Relatório Focus do BC preveem uma Selic de 9%.

A informação consta na carta mensal divulgada nesta semana. No documento, a Legacy reforçou uma visão positiva para a inflação e a perda de força da atividade econômica.

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Segundo a Legacy, a média dos núcleos do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tem ficado em um “patamar consistente com a meta” desde o meio do ano, o que deve se repetir nos próximos meses, com destaque para a melhora da inflação de bens – dados os estoques elevados na indústria e a perspectiva global de correção do nível de preços de bens em geral.

A gestora também avalia que a economia deu sinais de desaceleração no quarto trimestre de 2023, especialmente no consumo das famílias. A casa ponderou ainda que a inadimplência do setor corporativo seguiu alta, assim como as recuperações judiciais de pequenas e médias empresas. A casa espera que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 1,5% em 2024 e que a inflação fique em 3,2%.

Aplicados em juros e vendidos em dólar

De olho na aceleração dos cortes da Selic, a Legacy manteve posições aplicadas (que se beneficiam do recuo) em juros reais e nominais no Brasil e em juros mexicanos em dezembro. A gestora também seguiu com uma exposição tática beneficiada por corte de juros nos Estados Unidos e na Europa.

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Na visão da gestora, a convergência da inflação para patamares próximos das metas e a moderação da atividade econômica são consistentes com o início dos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano) e pelo Banco Central Europeu (BCE) no primeiro semestre de 2024. “Uma vez que a prática de juros restritivos neste quadro já não se justifica”.

Na ata divulgada nesta quarta-feira (3), referente à última reunião do colegiado, os dirigentes do Fed destacaram que o progresso da inflação em direção à meta permite afirmar que os juros americanos estão no pico, ou perto dele. Em dezembro, a autoridade monetária optou por manter os juros entre 5,25% e 5,50% ao ano.

A possibilidade de que a autoridade monetária americana realize cortes neste ano reforça a expectativa de que o dólar enfraqueça em relação a outras moedas, avalia a Legacy. Posições vendidas (que se beneficiam da desvalorização) em dólar e euro, além de outra que ganha com a desvalorização do real contra o peso mexicano, são algumas das apostas para ganhar com esse cenário.

Riscos no radar

Entre os riscos no radar da Legacy está o de que o afrouxamento das condições financeiras volte a pressionar a inflação – uma possibilidade considerada “relativamente remota” no momento.

Outro risco é de que os efeitos defasados do aperto monetário de 2022 e 2023 provoquem uma desaceleração mais intensa das economias.

Cautelosa, a Legacy diz que aproveitou a boa performance em dezembro para reduzir a exposição na carteira. “A presença destes riscos, em meio ao clima de relativa euforia que começa a caracterizar o comportamento do preço dos ativos, sugere cautela”.