Inadimplência em FIDCs volta a cair em novembro, aponta pesquisa da Multiplike

Queda mostra melhora na originação de recebíveis novos e reflete recuo da Selic

Bruna Furlani

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O percentual de títulos vencidos em relação à carteira total de fundos de direitos creditórios (FIDCs), que recentemente passaram a poder ser ofertados para investidores comuns, recuou para 13,08% em novembro — o menor patamar registrado desde maio de 2023.

Os dados fazem parte do Índice Multiplike de Devedores (IMD), antecipados ao InfoMoney nesta quinta-feira (18) pela Multiplike. A casa divulga mensalmente a inadimplência média da indústria de FIDCs do tipo multicedente/multissacado. Ao todo, a pesquisa analisou 331 fundos em novembro.

Segundo Volnei Eyng, CEO da Multiplike, a queda mostra uma melhora na originação de recebíveis novos e é reflexo do recuo da Selic.

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O movimento chama atenção porque ocorre após uma elevação histórica da inadimplência em FIDCs vista em outubro, quando o indicador bateu 15,68% . “Quando ocorre um aumento pontual, como no mês de outubro, é devido a algumas RJs [recuperações judiciais] que deixaram certas casas inadimplentes”, destaca o CEO.

Confira o percentual de direitos creditórios vencidos em relação à carteira nos últimos 12 meses:

MêsPercentual de direitos creditórios vencidos sobre a carteira total
Nov-2211,47%
Dec-2210,85%
Jan-2311,57%
Feb-2312,28%
Mar-2312,09%
Apr-2312,66%
May-2314,05%
Jun-2313,78%
Jul-2314,85%
Aug-2314,96%
Sep-2313,85%
Oct-2315,68%
Nov-2313,08%
Fonte: Multiplike

A própria Multiplike, por exemplo, apresenta inadimplência de 1,37% sobre a carteira total de direitos creditórios, abaixo da média do mercado.

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Embora a inadimplência como um todo tenha diminuído em novembro, um olhar com lupa mostra que houve um aumento do percentual de vencimento de papéis entre 181 dias e 360 dias, e acima de 360 dias na comparação com o total de títulos vencidos — prazos que são considerados mais difíceis para recuperação dos créditos.

No caso dos títulos vencidos entre 181 e 360 dias, o percentual saiu de 21,25%, em outubro, para 25,69%, em novembro. Já títulos vencidos acima de 360 dias, viram o valor passar de 14,58% para 17,10%.

As dívidas acima de seis meses já estão descontadas do patrimônio dos fundos, em obediência à política de Provisão de Devedores Duvidosos (PDD), que funciona como uma estimativa de perda que pode ocorrer devido ao não recebimento, parcial ou total, de um fluxo de caixa esperado de um ativo de crédito.

Ainda assim, a situação exige atenção. “O índice revela que essas dívidas se tornaram mais desafiadoras para os fundos receberem os valores. Porém, caso sejam recebidas, isso poderá integralizar e aumentar o retorno da cota júnior, dado que são valores que já estão lançados no PDD”, explica Volnei.