IA não é só “febre”, juros em queda livre e Bitcoin em alta: as apostas de Cathie Wood para 2024

Gestora da Ark Invest, Cathie Wood foi uma das palestrantes do evento “Onde Investir 2024”, promovido pelo InfoMoney

Lucas Gabriel Marins

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Os Estados Unidos se virão obrigados a reduzir juros, a inteligência artificial (IA) não é só uma “febre” e o Bitcoin (BTC) crescerá a ponto de começar a abocanhar parte do mercado de US$ 12 trilhões do ouro: são as tintas que pintam o cenário para 2024 na visão de Cathie Wood, fundadora, CEO e CIO da gestora americana Ark Invest.

Conhecida por seu faro para identificar negócios inovadores, Cathie foi convidada de segunda-feira (15) do Onde Investir 2024, evento online gratuito promovido pelo InfoMoney entre os dias 15 e 19 de janeiro.

“As taxas de juros vão cair neste ano por algumas razões. Uma delas é que acreditamos que os investidores vão chegar à conclusão de que a inflação era transitória, muito mais devido a um choque no lado da oferta e gargalos na cadeia de suprimentos, do que uma questão de política monetária”, afirmou a investidora, que completa: quando começarem, os cortes serão rápidos, em direção ao patamar de 2% a 3% ao ano.

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O InfoMoney realiza entre os dias 15 e 19 deste mês o Onde Investir 2024, evento gratuito que traz os principais nomes do mercado para discutir as melhores oportunidades para lucrar e se proteger em 2024. Inscreva-se agora.

Avanço da IA

Otimista com o setor de inteligência artificial, Cathie falou que a novidade não é apenas uma “febre”, e que as empresas dessa indústria ainda têm um longo caminho a percorrer, apesar de prever uma possível “pausa” na empolgação vista em 2023. Para a “guru da inovação”, as tecnologias de IA vão ganhar cada vez mais casos de uso e invadir o sistema produtivo.

“A produtividade de trabalhadores do conhecimento aumentará em quatro vezes nos próximos seis a sete anos [por causa da IA]. E quando há aumento da produtividade, isso normalmente é acompanhado de muita geração de riqueza”.

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No ano passado, a gestora foi criticada por vender as ações da Nvidia, perdendo um rali de 200% da empresa. Em defesa da Ark, disse que a casa começou a apostar no papel quando era negociado a cerca de US$ 5 em 2014. O papel fechou a sessão na segunda-feira a US$ 547. Hoje, avalia que há outras candidatas a um rali como esse.

“Não achamos que a Nvidia será uma ação ruim. Achamos que será uma boa ação. Só achamos que nossas ações serão melhores”, disse. “Estamos apenas visando o próximo grupo de vencedores”, completou.

Entre as empresas de IA no portfólio da empresa estão a Twilio, uma ferramenta de comunicação programável para fazer e receber chamadas de telefone, e a UiPath, que fornece uma plataforma para usuários criarem automação específica de aplicativos, mesmo sem conhecimento em programação.

Mas a principal aposta da Ark em IA pode passar despercebida da maioria. “A Tesla é hoje o maior projeto de IA do mundo. Táxis autônomos são a maior oportunidade em termos de receita, US$ 8 a US$ 10 trilhões nos próximos cinco a dez anos. E a empresa que chegar primeira abocanhará a maior parte. Acreditamos que, nos EUA, essa empresa é a Tesla”, explicou.

Bitcoin e ouro

Na semana passada, a Ark Invest foi uma das gestoras a ter um ETF spot de BTC liberado pelo regulador dos EUA. Para Cathie, a aprovação foi um marco para o setor e o produto vai atrair tanto investidores institucionais como de varejo. E reafirmou sua previsão otimista para a criptomoeda.

“Como chegaremos a US$ 1 milhão? O Bitcoin é o equivalente ao ouro digital, e o ouro (físico) é um ativo de US$ 12 trilhões de dólares. Acreditamos que o Bitcoin terá uma boa fatia disso”, falou.

O caminho para chegar lá, explicou, passa por investidores institucionais alocando um pequeno percentual dos seus portfólios no criptoativo. “As instituições sabem que, se houver uma nova classe de ativos, e acreditamos que os ativos digitais são uma nova classe, a correlação dos retornos com outras classes de ativos será baixa. Investidores institucionais sabem que não podem perder esse tipo de oportunidade”.

Lucas Gabriel Marins

Jornalista colaborador do InfoMoney