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SÃO PAULO – Com os desdobramentos da Operação Lava Jato, a presidente da Petrobras (PETR3, PETR4) Graça Foster renunciou nessa semana e, após muita especulação, Aldemir Bendine, que ocupava a presidência do Banco do Brasil, foi anunciado no cargo. A indicação não foi bem recebida pelos investidores e os papéis da companhia caíram forte na Bolsa de Valores.
João Pedro Brugger, analista da Leme Investimentos, afirma que o nome de Bendine trouxe desânimo para quem esperava por outros executivos que foram ventilados na imprensa e que pareciam ser mais adequados para o atual momento da companhia. Bendine é visto como alguém muito próximo da presidente Dilma Rousseff e que pode acabar cedendo a pressões políticas e deixar de resolver questões importantes da companhia.
No entanto, para ele, o atual patamar baixo do preço do papel faz com que esse seja um bom momento de entrada para quem pensa no longo prazo. Isso porque, se for bem administrada e voltar a ganhar a confiança dos investidores, a estatal poderá voltar a ser um bom investimento. “Mas só vejo a Petrobras se recuperando daqui cerca de três anos”, afirma Brugger.
Já para Clodoir Vieira, analista da Compliance Comunicação, existe uma oportunidade de compra no curto prazo para o papel da Petrobras. “Perto de R$ 8,50 a R$ 8,90 já vale a pena comprar para operar no curto prazo e vender com uma valorização de R$ 0,50”, afirma.
Sobre a condução da companhia, o analista afirma que uma transparência total no comando da Petrobras é necessária, mesmo que isso seja prejudicial no curto prazo. Para Clodoir, a tendência é que, no futuro, isso venha a significar uma confiança dos investidores em Bendine e também na Petrobras.
“Nova diretoria não cria nova companhia”
No último dia 4, portanto antes da informação de que Bendine seria presidente da estatal, o Credit Suisse divulgou relatório ressaltando que uma nova diretoria não faz da Petrobras uma nova companhia. A instituição financeira manteve sua recomendação neutra para os ADR (American Depositary Receipts) e destacou a vontade dos investidores de entrar no papel esperando que o novo comando signifique uma nova companhia, com resolução mais rápida dos balanços auditados, melhor governança e melhor performance financeira e operacional.
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Contudo, apesar da forte queda das ações nos últimos meses, os analistas relatam que não é certo que a nova direção aceleraria os resultados auditados e, mais importante que isso, a maior parte dos elementos na equação de fluxo de caixa da companhia não vão mudar com novos diretores.
Para o Credit Suisse, 2016 será um ano mais complicado do que 2015 para a empresa. A Petrobras começará com ano com US$ 8 bilhões em caixa, o mínimo necessário para tocar o negócio e as operações e geração de caixa não vão melhorar materialmente no ano que vem independentemente da direção.