De olho nas criptomoedas

Hashdex: saída de mineradores da China pode ser “bom negócio no longo prazo para melhorar ESG”

Para Marcelo Sampaio, CEO e cofundador da Hashdex, mudança pode levar mineradores a buscarem fontes alternativas e mais renováveis de energia

Por  Bruna Furlani -

SÃO PAULO – As polêmicas envolvendo a intensificação do cerco a mineradores na China e notícias que questionam o gasto de energia no processo de mineração geraram fortes impactos no preço do Bitcoin nos dois últimos meses, quando o ativo chegou a cair mais de 30% em dólar.

Na visão do CEO e cofundador da gestora Hashdex, Marcelo Sampaio, contudo, a saída de mineradores da China pode ser positiva no longo prazo, especialmente do ponto de vista ESG (referente às melhores práticas ambientais, sociais e de governança), ainda que seja uma “notícia dura” no curto prazo.

Em live promovida pela Verde Asset Management na noite desta quarta-feira (30), Sampaio destacou que a energia utilizada hoje na mineração de criptomoedas no gigante asiático está nas mãos do governo e que parte, na maioria das vezes, vem de fontes poluentes. Atualmente, boa parte da mineração de criptoativos feita no mundo parte da China.

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As mudanças em curso podem, em sua avaliação, favorecer o uso de energias alternativas renováveis.

“O minerador está num jogo em que precisa minerar com a energia mais barata possível para ter o menor gasto e aumentar a mineração. E as [fontes] mais baratas são as energias renováveis […]. Então, a descentralização da mineração e do uso da energia na China pode ser interessante para o mercado de criptoativos”, pontua o CEO da Hashdex.

Para ele, mesmo que o Bitcoin seja bastante intenso em energia, essa saída pode fazer com que surja até mesmo um “case mais pró-ESG”, de uso de energia eólica ou outros tipos de energia menos poluentes.

Tuítes de Elon Musk

Além de polêmicas sobre a mineração na China, outro aspecto que contribuiu para balançar o mercado nos últimos meses está relacionado a publicações feitas por Elon Musk, CEO da Tesla, no Twitter, em maio deste ano.

Ao ser questionado sobre o impacto dessas postagens, Sampaio disse que viu certa intenção de que o comentário do CEO da gigante americana provocasse forte flutuação de preços.

“Tendo a acreditar que tinha uma agenda ali. Mas quem entra nesse mercado precisa entender que a volatilidade de notícias é normal”, afirma o CEO.

E, para Sampaio, essa volatilidade pode ser causada muitas vezes pelo próprio funcionamento do mercado de criptoativos. Isso porque não há o famoso circuit breaker (mecanismo disparado pela bolsa para interromper a sessão quando ocorrem oscilações muito bruscas e atípicas no mercado de ações), assim como o mercado funciona 24 horas e costuma operar bastante alavancado, o que pode gerar maior nível de manipulação nos preços.

Perfil dos investidores

Mesmo diante de um cenário de forte volatilidade no curto prazo, o mercado de criptoativos continua atraindo investidores. Um exemplo disso é que o ETF (fundo de índice com cotas negociadas em bolsa) de criptoativos lançado pela Hashdex em abril deste ano já é o segundo em número de investidores entre todos os ETFs (locais e internacionais) negociados na B3.

Na visão de Sampaio, a maior procura por esse tipo de ativo está focada em dois aspectos: hedge (proteção) e crescimento.

“Hoje, o cenário macroeconômico está estranho, com a forte impressão de dinheiro e em larga escala. Então, o investidor monta uma posição defensiva caso haja um forte impacto [em outros ativos mais relacionados a essa expansão monetária]”, destacou o especialista.

Já no caso do investidor que busca o crescimento, ele está de olho no fato de que, quanto mais criptomoedas forem adotadas por países e pessoas, mais elas devem valer.

E essa tese está bastante ligada à presença de investidores institucionais. Segundo Sampaio, há cada vez mais empresas alocando uma parte do caixa em Bitcoin, assim como tem crescido o interesse por hedge funds em garantir um lugar para os criptoativos dentro dos seus portfólios.

“A área de criptomoedas dentro da SEC [que funciona como a CVM americana] já é maior do que a área destinada a ações. Acho que a gente já passou desse risco de fechar todo o mercado. Agora, é mais jogo colocar regras, porque essa indústria está ficando de um tamanho em que faz sentido que grandes investidores passem a olhar”, finaliza o gestor.

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