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Dólar acima de R$ 4? Entenda como funciona a proteção e por que você deve fazer

Especialistas afirmam que pessoas que têm algum tipo de passivo em dólar - como viagens internacionais programadas ou cursos no exterior - devem se proteger dos altos e baixos

Dólar
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O dólar oscilou entre R$ 3,66 e R$ 3,96 desde o começo de fevereiro e ainda pode subir mais: de acordo com  os economistas do Top 5 do Banco Central – instituições que mais acertam projeções – a moeda pode chegar em R$ 4 ainda este ano.

Especialistas ouvidos pelo InfoMoney afirmam que principalmente as pessoas que têm algum tipo de passivo em dólar - como viagens internacionais programadas, cursos no exterior, ou pretendem comprar imóveis fora do país - devem se proteger dos altos e baixos.

De uma maneira resumida, a explicação é a seguinte: digamos que você queira fazer uma viagem para os Estados Unidos no final do ano. Precavido, já fez os cálculos de todos os seus possíveis gastos – hospedagem, compras, refeições, passeios, etc. Pelas suas contas, desembolsaria R$ 10 mil.

O ponto é que esse cálculo foi feito com o dólar nos níveis atuais – o turismo está cotado hoje em R$ 4,10. Mas e se no final do ano o dólar estiver valendo R$ 4,50? Isso acarretaria um acréscimo de aproximadamente R$ 4.000 a mais de despesas, de R$ 41.000 para R$ 45.000.

É aí que entra o investimento usado como proteção. Se você aplicar hoje os mesmos R$ 10 mil em um fundo cambial, a tendência é que ele tenha uma valorização próxima de 12% até o final do ano (usando aquele cenário de alta como exemplo), o que compensaria o aumento dos gastos da viagem.

Já se acontecer o movimento inverso -  ou seja, o dólar se desvalorizar – você vai perder com o fundo, mas vai economizar um percentual parecido na viagem. Percebe que nos dois casos não houve ganho financeiro? Pois esse é justamente o objetivo do hedge: obter proteção para oscilações de preço, e não lucrar com a operação.

Para Mauro Morelli, estrategista da Davos Wealth Management, antes de investir com objetivo de proteção, o investidor deve avaliar o prazo do passivo (duração da viagem ou do curso no exterior, por exemplo) e quanto vai gastar em moeda estrangeira. “A partir daí, ele poderá montar uma estratégia eficaz que minimize os riscos de oscilação da moeda”, aconselha.

Fernando Gaertner, sócio da G2 Investimentos, lembra que pessoas que não vão viajar também podem ser impactadas quando consumem produtos importados ou até mesmo pelo aumento de preços de produtos e serviços que são mais sensíveis ao câmbio. “Por isso, eu diria que uma parcela entre 10% e 20% da carteira dolarizada (ou em uma cesta de moedas) é saudável”, afirma. 

Vale investir para tentar ganhar dinheiro?

Muita gente se pergunta se vale a pena investir em fundos cambiais com objetivo de ter rentabilidade com a alta da moeda. A verdade é que tentar prever altas do dólar para ganhar dinheiro é um movimento considerado bastante especulativo e arriscado – diferente de uma ação, por exemplo, não há fundamentos tão claros que possam indicar compra ou venda da moeda.

“Salvo raras exceções, não recomendo que o investidor pessoa física especule diretamente na moeda, seja via contratos futuros ou fundos cambiais”, afirma Morelli, da Davos.

Por isso, quando há uma “tendência” de valorização, o investidor pode aproveitar fazendo o investimento em bons fundos multimercados que façam aplicações em moedas estrangeiras. “Existem ótimos fundos multimercados com foco em moedas. Eles têm agilidade e possuem profissionais especializados, que podem ganhar dinheiro com a volatilidade do dólar”, conclui o estrategista.

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