Investimentos

Fuga da poupança deve se acentuar ainda mais este ano, diz especialista

Segundo o diretor na Anefac, em um ambiente econômico mais recessivo, a tendência é de que a poupança se torne ainda menos atraente frente os demais tipos de investimentos

SÃO PAULO – O Banco Central registrou pelo quarto mês consecutivo uma redução no volume de depósitos. De acordo com o diretor Executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel José Ribeiro de Oliveira, este resultado negativo pode ser atribuído, entre outros fatores, às altas taxas de juros, e o cenário tende a se acentuar ainda mais nos próximos meses.

Ele lembra que o aumento da rentabilidade de aplicações financeiras em títulos do governo deve-se ao aumento das taxas básicas de juros, o que reduz a atratividade da aplicação em poupança. Com opções mais vantajosas, os investidores têm retirado suas aplicações da caderneta e migrado para este outro tipo de investimento, que inclui fundos de renda fixa, CDB’s, títulos do Tesouro Direto, entre outros, uma vez que apresentam uma rentabilidade superior.

Em abril de 2016, por exemplo, os Fundos de Renda Fixa apresentaram uma rentabilidade bruta de 1,05%, contra 0,63% oferecidos pela poupança. A disparidade não para por aí: em doze meses os fundos de renda fixa tiveram uma rentabilidade bruta de 13,85% contra uma rentabilidade de 8,33% da caderneta de poupança.

Outro fator considerado por Oliveira na desvalorização da poupança frente os demais tipos de investimentos, encontra-se na retração da economia brasileira, que com inflação e juros elevados, somados ao aumento de encargos e impostos, reduz a renda das famílias dificultando seu orçamento. Com verbas mensais reduzidas, menos recursos sobram para serem poupados e mais dinheiro é necessário para cobrir as despesas, o que faz com que as famílias recorram ao resgate de investimentos para complementar a renda.

Na opinião do diretor da Anefac, a tendência para os próximos meses é de que este movimento de redução no volume dos depósitos da poupança se acentue ainda mais, devido a um ambiente econômico mais recessivo, provocando uma elevação nos índices de desemprego e de inadimplência e reduzindo a rentabilidade da poupança em comparação com os demais ativos.

 

Leia também:

O método do editor-chefe do InfoMoney para economizar (funcionou até quando ele ganhava R$ 1.300/mês)

Baixe um pacote de planilhas financeiras gratuitas

Quer saber se você está investindo bem? Faça uma simulação

PUBLICIDADE