FII TORD11 cancela dividendos de agosto por receio de inadimplência em projetos e CRIs

FII argumenta que inflação afeta poder aquisitivo do consumidor e pesa sobre segmentos em que atua

Wellington Carvalho

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Os mais de 104 mil cotistas do FII Tordesilhas EI (TORD11) foram surpreendidos no final de julho com o comunicado de que o fundo não distribuiria dividendos em agosto – referentes ao resultado de julho. O texto não trazia os motivos da decisão, que foram revelados só na última sexta-feira (12), com a divulgação do relatório gerencial da carteira.

De acordo com o documento, a operação do fundo tem sido prejudicada com o aumento da inadimplência e o cancelamento de negócios. Como medida preventiva, a gestão decidiu reter os dividendos para uma eventual necessidade de recursos no curto prazo.

Atualmente, 39,5% do portfólio do Tordesilhas EI está concentrado em equities – participação do fundo no desenvolvimento de empreendimentos imobiliários para a futura venda de unidades ou cotas. Além de ainda não gerarem receitas para o fundo – e, consequentemente, dividendos para os cotistas – os projetos têm demandado mais recursos da carteira.

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Em meio à necessidade de mais caixa, o fundo ainda tem enfrentado dificuldade na geração de recursos com os certificados de recebíveis imobiliários (CRI) presentes na carteira. O título representa receitas futuras de empresas do setor imobiliário – como aluguéis ou parcelas pela venda de apartamentos, por exemplo – que são vendidas aos investidores. Em geral, o CRI embute um rendimento prefixado e a correção monetária por um indicador, que normalmente é a taxa do CDI ou o IPCA.

Tanto os CRIs como os equities do Tordesilhas EI são focados no segmento de multipropriedades – hotelaria, residência, comércio e lazer, setores mais sensíveis ao aumento da inadimplência ou cancelamento de negócios, como destaca o relatório gerencial do fundo.

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“A inflação acumulada vem afetando o poder aquisitivo do consumidor em geral, [especialmente de clientes de segmentos] como o de multipropriedades, que não é considerado um produto de primeira necessidade”, pontua o texto.

Em alguns equities, a taxa de distrato – vendas canceladas – chegava a 60% em julho; a inadimplência no mês passado também bateu 55% em outros projetos.

Passado o período das férias de julho, a equipe de gestão espera aumento nas vendas, embora considere prematuro confirmar se a tendência negativa do segmento de multipropriedades foi revertida. Diante da cautela, o fundo decidiu reter os dividendos que seriam distribuídos em agosto.

“A expectativa é de que o aumento das vendas de novas cotas [dos equities] compense estes efeitos no médio prazo, mas a pressão de caixa no curto prazo para pagar os cancelamentos existe”, destaca o texto. “Como medida preventiva, a gestão decidiu reter o resultado caixa do mês para eventual necessidade de aporte de capital em seus equities”, completa o relatório gerencial.

O fundo também tem vendido os CRIs – outra fonte de receita, que poderia virar dividendos – para realizar novos aportes nos equities. Em 12 meses, a participação dos títulos na carteira do Tordesilhas EI caiu de 32,1% para os atuais 17,7%.

As cotas de outros FIIs representam hoje 42% da carteira do fundo, mas os papéis também não têm gerado receita com recorrência. O exemplo é o FII Serra Verde (SRVD11) – maior posição do fundo – que não distribui dividendos desde abril de 2022.

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Wellington Carvalho

Repórter de fundos imobiliários do InfoMoney. Acompanha as principais informações que influenciam no desempenho dos FIIs e do índice Ifix.