“Estamos muito longe desse cenário de fim de mundo”

Em contraste a Stuhlberger e Xavier, Appel se mostra otimista com trajetória fiscal do Brasil em 2021

Já com a Bolsa brasileira, o gestor da Adam Capital não está tão animado frente aos preços atuais, com posições apenas em Petrobras e Vale

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SÃO PAULO – A trajetória da dívida pública brasileira em 2021 aparece hoje como o grande risco no radar dos investidores no âmbito doméstico, com reflexo sobre o relevante aumento dos prêmios pagos por títulos públicos nas últimas semanas.

A situação, contudo, está longe de ser caótica na visão de Márcio Appel. O gestor da Adam Capital vê um temor exagerado por parte dos investidores refletido na curva de juros futuros, no que diz respeito à condução das contas públicas nos próximos meses.

Por conta dessa visão, o gestor carrega hoje no portfólio dos fundos multimercados da casa uma posição em títulos indexados à inflação com vencimento em 2050, mais sujeitos à volatilidade do mercado em comparação àqueles de menor duration.

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“Não ficamos extremamente preocupados com a dinâmica da dívida pública”, afirmou Appel, durante live nesta quarta-feira promovida pela casa de análise Spiti. O discurso do gestor vai em direção contrária ao de outros gestores de renome do mercado brasileiro, como Luis Stuhlberger e Rogério Xavier.

Quando quer, prosseguiu o fundador da Adam, o mercado olha tudo pelo lado mais pessimista. “Estamos muito longe desse cenário de fim de mundo”, disse Appel. “O governo claramente entende a necessidade de voltar para uma situação fiscal mais controlada.”

Pela expectativa otimista de que os políticos vão se entender em Brasília e encontrar uma saída razoável para o desafio fiscal, o gestor acredita que teremos em 2021 uma redução relevante da distribuição de renda à população por parte do governo.

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Diante desse ambiente de menor expansão monetária, uma das principais posições na carteira hoje é comprada em real. “Vão faltar reais, como em 2016, o que vai fazer com que a moeda volte a um preço mais condizente”, disse Appel.

Além disso, ao mesmo tempo em que enxerga distorções na renda fixa que embutem um cenário muito pior do que o esperado, na renda variável, o gestor da Adam vê preços fora do lugar. Nesse caso, contudo, a visão é a de que os ativos refletem a projeção de um cenário diametralmente oposto, de crescimento vigoroso da economia local.

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Appel carrega na carteira apenas posições em Petrobras e Vale, que dependem mais da economia global do que da atividade local. “Nos juros, a tese do mercado é a de que o país vai acabar e, na Bolsa, de que o país é a Suíça”, comparou.

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Segundo o gestor da Adam, “o mercado parece muito crédulo no Brasil”, no que tange às projeções otimistas dos analistas com alguns papéis da Bolsa. Ele citou o setor varejista de venda de linha branca e marrom e de aluguéis de automóveis para ilustrar o raciocínio.

“Não estamos vendidos, não vou ficar na frente dessa liquidez, mas [o preço] não faz com que eu fique animado com a Bolsa brasileira em hipótese alguma.”

Appel se mostrou um pouco mais alinhado com os gestores da Verde e da SPX em relação às críticas à atuação do Banco Central (BC).

“Acho que o BC errou na última reunião, devia ter sido mais hawkish [pró alta dos juros]”, disse o gestor da Adam, acrescentando que a inflação já tem dado as caras. “O BC e o mercado tem histórico de subestimar a inflação.”

Em 2020, o principal multimercado da gestora, o Adam Macro, tem valorização de 2,21% até outubro, contra 2,43% do CDI. O produto foi prejudicado principalmente pela queda de 1,65% em setembro.

Fim dos estímulos?

Na cena global, Appel afirmou que a sinalização dos primeiros resultados da eleição nos EUA, que ele entende que apontam para uma vitória democrata na presidência, e republicana no senado, é a melhor possível. Isso porque os contrapesos devem impedir uma atuação irresponsável do ponto de vista fiscal.

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Apesar disso, ele reconheceu que, caso esta projeção se confirme, o anúncio de um novo pacote de estímulos nos EUA pode ficar mais distante, com uma provável redução da liquidez abundante.

“[Esse cenário] talvez fale mal para ativos de risco ao longo do ano que vem”, afirmou Appel, que destacou que o portfólio global da Adam é composto por posições compradas e vendidas que se contrabalanceiam, e que buscam ir bem independentemente do direcional mais amplo do mercado.

Nos EUA, o gestor da Adam entende que as empresas do setor de tecnologia ainda representam uma das melhores oportunidades.

Os riscos de aumento da regulação sobre as companhias do Vale do Silício em um governo Biden não devem causar impactos negativos de longo prazo para os papéis do segmento, prevê o especialista.

No portfólio global, Appel citou ainda uma posição comprada no peso mexicano, e no franco suíço contra o euro.

A moeda latina teve uma desvalorização acima do que deveria por um receio infundado dos investidores sobre uma eventual postura mais dura de um segundo governo Trump, ou de um governo Biden, disse o gestor.

Na ponta vendida da carteira global, as maiores posições da Adam estão no índice S&P 500 e, em especial, no setor industrial.

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