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SÃO PAULO – Entendendo cada vez mais a regra de não colocar todos os ovos na mesma cesta, principalmente em um ano tão desafiador para os investimentos como 2020, o investidor brasileiro tem diversificado mais o seu portfólio entre as diferentes classes de ativos. É o que mostra pesquisa divulgada pela B3 nesta segunda-feira (14), que mapeia o perfil dos novos investidores na Bolsa.
De acordo com o levantamento, que entrevistou cerca de 1,3 mil pessoas que investiram pela primeira vez na Bolsa entre abril de 2019 e abril de 2020, quase metade (46%) passou a ter mais de um produto de renda variável logo após sua entrada na B3.
Em 2016, cerca de 76% das pessoas físicas detinham apenas ações na carteira. Já em outubro de 2020, esse número caiu para 50%. Na outra ponta, o percentual alocado em ações, mais fundos imobiliários, cresceu, de 11%, em 2016, para 32%, em outubro.
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Quando analisada a distribuição sob a ótica do patrimônio investido, 61% estavam alocados em ações, em 2016, e 43%, em 2020. Já a fatia em ações mais FIIs subiu de 26% para 38%, no mesmo período.

Um dos destaques da pesquisa é a grande diversificação nos menores volumes financeiros.
Segundo dados de março deste ano, 37% dos investidores com até R$ 10 mil investido possuíam cinco ou mais ativos na carteira, percentual que cresce conforme aumenta o valor aportado.
“O novo investidor está mais antenado, buscando aprender mais sobre os instrumentos financeiros. O cenário macro [de juros baixos] também é decisivo e, se for mantido, oferece um potencial muito grande para as instituições financeiras”, disse Felipe Paiva, diretor de relacionamento com clientes pessoa física da B3, durante teleconferência com a imprensa.

Renda fixa ainda predomina
Embora a participação do brasileiro tenha crescido no mercado de renda variável nos últimos anos, a maior parte dos investidores segue concentrada na renda fixa, com 66% (ou 6,1 milhões de CPFs únicos) posicionados apenas nesta classe de ativo. Os dados, até junho de 2020, não consideram a poupança.
Com o dinheiro apenas no Tesouro Direto, são aproximadamente 438 mil investidores (ou 5% do total), enquanto somente em ações são 1 milhão de CPFs (cerca de 11%).
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No diagrama a seguir, é possível verificar o número de investidores com mais de uma classe de ativo na carteira. Em renda fixa e ações, por exemplo, são 6%, ou 582 mil, número que já supera a quantidade de pessoas físicas no programa do governo federal de compra e venda de títulos públicos (438 mil).
Outra participação relevante é a de investidores com posição em renda fixa, ações e Tesouro Direto, que somam 333 mil CPFs únicos.

O novo investidor na B3
De acordo com a B3, a nova “safra” de investidores na Bolsa é formada majoritariamente por homens (74%), sem filhos (60%), que trabalham em período integral (62%), vivem no sudeste do país (51%) e possuem renda de até R$ 5 mil. Esse investidor tem, em média, 32 anos.
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Além de diversificar mais o portfólio com foco no médio e longo prazo, os novos investidores de renda variável são antenados, buscando informações em diversos canais como portais de internet, influenciadores digitais e relatórios de análise econômica, aponta a pesquisa.
O estudo mapeou ainda o tipo de perfil de risco dos investidores na Bolsa: cerca de 18% são conservadores e avessos ao risco; 39% têm perfil “realizador”, com foco na liquidez, enquanto outros 39% são “ousados”, isto é, assumem mais risco e se envolvem mais ativamente nas decisões de investimento.
Com relação ao montante aplicado, o valor do primeiro investimento das pessoas físicas caiu 58% nos últimos dois anos, de R$ 1.916, em outubro de 2018, para R$ 660, em outubro deste ano.
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Já os investidores mais jovens, com idade entre 16 e 25 anos, estão entrando no mercado de renda variável com um valor médio ainda menor, de R$ 225.
Mulheres na Bolsa
Nos últimos três anos, o número de mulheres na Bolsa saltou de 179.392 para 809.533, com a participação feminina em relação ao total de investidores passando de 22,06% para 25,47% no período. O percentual, contudo, ainda é inferior aos 40% no Tesouro Direto.
O estudo da B3 considera dados atualizados da central depositária de renda variável da B3 e de dados coletados por meio de entrevistas com 1.371 investidores de todo o Brasil, com idade entre 18 e 65 anos, das classes A, B e C, que investiram pela primeira vez na bolsa de valores entre abril de 2019 e abril de 2020.
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