Liga de FIIs

“Contra o retorno dos FIIs, não há argumentos”, afirma professor Baroni em resposta a Barsi

Em entrevista ao Valor Econômico, o investidor criticou os fundos imobiliários: “conto do vigário”

Por  Wellington Carvalho

Um dos maiores especialistas de fundos imobiliários do País, Marcos Baroni – head de pesquisa em FIIs da Suno Research – saiu em defesa da eficiência do produto para geração de dividendos. Para ele, críticas como as feitas recentemente por Luiz Barsi destoam da realidade dos fundos imobiliários e podem assustar quem está ingressando no segmento.

Professor Baroni, como é conhecido, participou da edição do Liga de FIIs desta terça-feira (4), que teve apresentação de Maria Fernanda Violatti, analista da XP, Thiago Otuki, economista do Clube FII, e Wellington Carvalho, repórter do InfoMoney.

Luiz Barsi, um dos maiores investidores individuais da Bolsa brasileira, conhecido pela estratégia de comprar ações de empresas que pagam dividendos generosos, fez duras críticas aos fundos imobiliários. Afirmou que são um “conto do vigário” e acrescentou: “Fuja dos fundos”.

A fala de Barsi — que deu as declarações em entrevista ao jornal Valor Econômico — repercutiu no mercado de FIIs. Para Baroni, os fundos imobiliários provaram, ao longo dos últimos 11 anos, que entregam resultados semelhantes ou até superiores ao dos principais índices da Bolsa.

Baroni toma como exemplo o desempenho das empresas do IDIV – índice de Dividendos da Bolsa – na comparação com o Ifix. Os dois indicadores apresentam comportamento similar ao longo do tempo – altas de 176% e 180% em 11 anos, respectivamente.

Comparado com as empresas do IMOB – índice do setor imobiliário na B3 – Baroni afirma que fica muito mais evidente a consistência dos fundos imobiliários. Nos últimos 11 anos, o IMOB acumulou queda de 29%.

“O desempenho no período deveria fazer o Barsi reconhecer os FIIs como ativos previdenciários”, diz Baroni. “Contra esse gráfico, não há argumentos”.

Baroni pondera que é um direito de Barsi gostar mais de um produto do que de outro, especialmente diante da história que o investidor construiu ao longo das últimas décadas no mercado financeiro.

Ele lembra, porém, que o termo utilizado por Barsi – “conto do vigário” – pode sinalizar que só há fraudes no segmento, o que não é verdade, afirma. Segundo o especialista em FIIs, levar a discussão para este caminho pode assustar os investidores que estão começando na Bolsa.

“É como se alguém dissesse: não invista em Bolsa de Valores, que é um cassino”, provoca Baroni.

FIIs e outros fundos

Na polêmica fala, Barsi também recomenda ao investidor fugir dos fundos, incluindo os FIIs na mesma cesta dos fundos de investimento e igualando produtos diferentes, com legislações e dinâmicas próprias.

Thiago Otuki, do Clube FII, contesta a fala do investidor e lembra que, diferentemente de outras carteiras, o fundo imobiliário é irreplicável.

“Mesmo um investidor pequeno consegue hoje replicar um fundo de ações e até mesmo o portfólio do Warren Buffet”, detalha. “No fundo imobiliário é diferente. Dificilmente o investidor terá capital para comprar os imóveis dos FIIs e, mesmo se tiver, estes espaços não estão à venda”.

Otuki lembra ainda que os fundos imobiliários oferecem acesso democrático a imóveis de alta qualidade que, até pouco tempo, eram inacessíveis para os investidores pessoas físicas.

Taxas cobradas pelos fundos imobiliários

As taxas cobradas pelos fundos imobiliários – performance, administrativas entre outras – também estão entre os fatores que desagradam Barsi. Para ele, os custos reduziriam o retorno do investimento ao longo do tempo.

Maria Fernanda, da XP, tem opinião contrária e lembra que os gestores estão ali para buscar os melhores retornos e as melhores oportunidades para os fundos.

Além disso, a analista lembra que as empresas listadas na Bolsa também pagam para executivos gerirem as companhias. Ela destaca que, em meio à polêmica da fala de Barsi, o mercado repercutia a remuneração paga aos diretores do Nubank (NUBR33) que devem receber, em média, R$ 100 milhões em 2022.

Produzido pelo InfoMoney, o programa vai ao ar todas as terças-feiras, às 19h, no canal do InfoMoney no Youtube. Você também pode rever todas as edições passadas.

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