Com Selic abaixo de 12%, investidor que olhou além do “100% do CDI” embolsa até 22% no ano

Quem diversificou a carteira com títulos prefixados e atrelados à inflação viu ativos valorizarem mesmo com corte nos juros

Leonardo Guimarães

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O ano começou com a taxa básica de juros em estratosféricos 13,75% ao ano. O país enfrentava o vilão da inflação, que se alimentou dos choques de demanda causados pela pandemia de Covid-19. O fim, de 2023, porém, já tem um cenário diferente: a Selic está em 11,75% ao ano e a alta de preços parece estar controlada.

Apesar disso, no intervalo entre os dois cenários, alguns títulos de renda fixa entregaram cada vez mais retornos ao investidor.

Quem investiu no Tesouro Prefixado 2033 no início do ano e saiu da aplicação no último dia 13, quando o Banco Central fez o corte mais recente na Selic, teve lucro de 22,47%. No período, o Ibovespa entregou retorno de 17,98%. 

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Mas por que o investidor de renda fixa ganhou tanto enquanto os juros, base da remuneração na classe, caíram? A causa é simples – e entendê-la ajudará a investir melhor em 2024. 

Marcação a mercado

A explicação está ligada ao que se chama marcação a mercado, que é a precificação diária de um ativo de acordo com sua demanda atual.

Exemplo: o investidor que apostou em um prefixado que pagava 13% ao ano no início de 2023 travou seu rendimento nesta faixa. Agora que a rentabilidade anual dos prefixados está na casa dos 10% ao ano, o título que paga 13% passa a valer mais, já que essa rentabilidade já não é mais oferecida pelo mercado.

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No início do ano, o Tesouro Prefixado 2033 pagava 12,81%. No fechamento desta segunda-feira (18), o mesmo título tinha taxa anual de 10,63%.

“Quanto mais as taxas de juros caem, melhor é para os investidores que possuem aplicações prefixadas na carteira”, explica Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed. 

A lógica ainda vale para ativos indexados à inflação, que têm uma parte da remuneração prefixada. O Tesouro IPCA+ 2045 teve valorização de 19,64% entre 1 de janeiro e 13 de dezembro. 

Por que títulos mais longos se valorizaram mais? 

A valorização dos títulos com vencimento mais distante foi maior nos últimos meses. O prefixado com vencimento em 2026, por exemplo, teve rentabilidade acumulada de 18,49% até o último Copom, abaixo dos 22,47% do papel com vencimento em 2033.

“Nos títulos mais longos, as movimentações nas expectativas de risco fiscal tiveram impacto maior do que a política monetária”, afirma Camilla Dolle, head de renda fixa da XP.

Para a especialista, ainda que as reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) tenham influenciado preços de papéis mais longos, eles também reagiram a mudanças positivas nas perspectivas fiscais, com aprovação do arcabouço fiscal, maior clareza sobre o déficit primário e reformas que passaram pelo Congresso Nacional. O cenário externo também teve impacto significativo na precificação desses ativos, segundo Dolle. 

Perspectivas para 2024

No dia 31 de janeiro, o Copom termina sua próxima reunião para decidir sobre os juros básicos do Brasil. A expectativa é de um anúncio de novo corte de 0,5 ponto percentual na Selic, levando a taxa para 11,25% ao ano. Por enquanto, o mercado espera a manutenção do ritmo de cortes de 0,5 p.p. Mesmo assim, a valorização dos títulos não deve ser tão forte quanto em 2023. 

“Em 2024, não esperamos valorização tão grande (dos títulos de renda fixa) porque chegamos com expectativas mais equilibradas”, diz Camilla Dolle. Para ela, o cenário é diferente do apresentado no início de 2023, quando o mercado tinha profunda desconfiança do governo recém-eleito e os indicadores de inflação preocupavam. 

Para Fabrício Gonçalvez CEO da Box Asset Managemenr, apenas uma mudança significativa em indicadores macroeconômicos poderão impulsionar os ativos de renda fixa no mesmo ritmo em 2024. O cenário atual, porém, é de remuneração em menor grau ao investidor posicionado, pondera.