é o sonho de muitos

Com R$ 1 milhão dá para largar o trabalho e viver de renda?  

André Venâncio, assessor de investimentos da Manchester Investimentos, que possui  certificação CFP (Certified Financial Planner), afirma que é crucial responder duas questões: quanto você quer retirar mensalmente dos seus investimentos como forma de renda e quanto a sua carteira de investimentos renderá a cada mês

SÃO PAULO – Há algum tempo era comum que as pessoas enxergassem a simbólica cifra de R$ 1 milhão como sinônimo de dinheiro suficiente para realizar muitos sonhos e até mesmo parar de trabalhar e viver com a renda proporcionada pela aplicação do dinheiro.

Mas será que esse valor ainda é suficiente para ser a única fonte de renda de alguém?

André Venâncio, assessor de investimentos da Manchester Investimentos, que possui  certificação CFP (Certified Financial Planner), afirma que é crucial responder duas questões: quanto você quer retirar mensalmente dos seus investimentos como forma de renda e quanto a sua carteira de investimentos renderá a cada mês.

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“Caso a renda desejada mensal esteja dentro dos rendimentos obtidos da carteira, é possível alcançar este objetivo”, diz.

Para fazer algumas projeções, Venâncio considera uma taxa de juros média no Brasil de 9% ao ano a longo prazo (ele lembra que apesar dos juros estarem abaixo deste patamar atualmente, a ideia é projetar o longo prazo, onde é realista se esperar novos ciclos de altas de juros) e estima o resultado de uma boa carteira de investimentos de perfil conservador em 110% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário).

“Neste caso, teremos um rendimento anual bruto projetado de 9,90% ao ano. Descontando-se imposto de renda de 15% chegamos a um rendimento líquido anual de 8,42%. Aqui entra a variável crucial para este tipo de estudo: desconto do efeito negativo da inflação. Se considerarmos uma inflação anual de 4%, esta carteira gerará rendimento real líquido de 4,25% ao ano. Em juros mensais, estamos falando de uma rentabilidade de aproximadamente 0,35% ao mês. Esta é a rentabilidade que permitirá retiradas vitalícias, garantindo a perpetuidade do patrimônio inicial aliado a retiradas mensais de renda dentro da capacidade da carteira de investimentos”, afirma.

Ou seja, com este cenário traçado, uma carteira de investimentos de R$ 1 milhão permitiria retiradas mensais em torno de R$ 3,5 mil de forma vitalícia.

“Em outras palavras, como se está levando em conta o efeito negativo da inflação nos cálculos, o poder de compra de R$ 3,5 mil estaria garantido, sem se consumir o principal inicial. Caberia ao investidor controlar o seu orçamento pessoal para os seus gastos ficarem dentro deste valor”, destaca.

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O educador financeiro André Massaro, que apresenta o programa Riqueza Pessoal na InfoMoneyTV, chegou a cálculos bem parecidos.

“Para o Brasil, considerando a atual realidade e perspectivas de que os retornos caiam ainda mais no futuro, faria planos considerando um retorno real médio de 4% ao ano, o que daria uma renda de pouco mais de R$ 3 mil por mês. Possivelmente nada muito animador para quem pretende acumular um milhão e viver de renda”, destaca.

Segundo Venâncio, uma segunda possibilidade é trabalhar com uma carteira de perfil moderado/arrojado. Ele destaca que investimentos com estes perfis tendem a entregar desempenhos mais atrativos no longo prazo, gerando mais rentabilidade mensal e, consequentemente, mais renda.

“Carteiras de perfil moderado bem estruturadas e com bons produtos podem alcançar desempenho em torno de 130% do CDI, o que possibilitaria renda mensal vitalícia em torno de R$ 4,6 mil. Já uma carteira de perfil agressivo pode alcançar no longo prazo desempenho médio de 150% do CDI, permitindo retiradas mensais contínuas de mais de R$ 5,8 mil”, calcula.

Ao mesmo tempo, o assessor afirma que é importante estar ciente que estas carteiras incluem investimentos mais agressivos para parte do capital, o que aumenta a oscilação dos resultados mensais. “Cabe a cada investidor conhecer a sua tolerância a riscos para definir a melhor estratégia para si”, diz.

Outro ponto fundamental para é que o investidor faça um planejamento para definir seus objetivos e traçar as estratégias.  

“Todo planejamento financeiro é como uma bússola em uma trilha de mata fechada: quando você vai avançando pela mata, descobre obstáculos que podem demandar desvios de rota. Da mesma maneira, um planejamento financeiro deve ser acompanhado por especialistas periodicamente. Caso ocorram mudanças bruscas nas variáveis traçadas, as contas devem ser refeitas para se refletir a nova realidade”, aconselha.

Tanto Venâncio quanto Massaro destacam que o investidor deve sempre levar em consideração os ganhos acima da inflação para este tipo de cálculo de renda vitalícia.

“No Brasil, nós fomos doutrinados, por anos e anos, a acreditar que 1% ao mês é “perfeitamente razoável” e, para piorar as coisas, ficamos mais negligentes com os efeitos da inflação após o sucesso do plano Real, o que nos levou a não mais considerar o efeito da inflação nos investimentos”, diz Massaro.

Onde conseguir aplicações com estes rendimentos

Outro ponto fundamental é lembrar que para conseguir viver de renda é necessário investir em produtos rentáveis. Na plataforma das corretoras de valores é possível encontrar uma variedade enorme de investimentos de todos os tipos, como produtos de renda fixa, fundos de investimentos e produtos mais sofisticados e difíceis de encontrar nos grandes bancos, como COE (Certificado de Operações Estruturadas), debêntures incentivadas (isentas de Imposto de Renda) e CRIs (Certificado de Recebíveis Imobiliários). 

Essas aplicações rendem mais do que os produtos que normalmente estão disponíveis para os clientes dos bancos e devem ser priorizadas pelos investidores que pretendem acumular dinheiro para ter um futuro mais tranquilo.

R$ 1 milhão já não é mais a mesma coisa…

Também é importante lembrar que há 10 anos, por exemplo, o poder de compra de R$ 1 milhão era muito maior do que hoje. Desde 2008, a inflação acumulada no Brasil foi de 82%. Isso quer dizer que R$ 1 milhão naquela época equivaleriam a R$ 1,82 milhão hoje, quase o dobro portanto.

Se levarmos em consideração a inflação desde o início do plano real, em 1994, é ainda mais fácil notar como R$ 1 milhão perdeu valor ao longo do tempo. Nos últimos 24 anos, desde que o país instituiu a moeda estável, a inflação acumulada foi de 425%. Isso significa que R$ 1 milhão naquele ano tinha o mesmo poder de compra de R$ 5,25 milhões hoje – percebe a diferença?

Logo, o poder de compra da renda obtida com esses R$ 1 milhão também foi afetado na mesma proporção. Então vamos imaginar que a taxa de retorno do investimento fosse a mesma em 1994 e em 2018. Se nos dois casos o suposto retorno nominal mensal fosse exatos R$ 5 mil, esse dinheiro compraria muito menos coisas hoje do que em 1994.

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