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Com juros caindo no Brasil e altos por mais tempo nos EUA, vale migrar para renda fixa em dólar?

Diferença dos papéis de dez anos é de 6,8 pontos percentuais, mas há menos de um ano superava os 8 pontos

Ana Paula Ribeiro

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Estados Unidos e Brasil traçam caminhos opostos no ciclo monetário, com manutenção de patamar elevado de juros lá fora, em conjunto com um nove corte na taxa Selic nesta quarta-feira (20) — o que põe novamente em destaque os altos rendimentos dos títulos dos EUA, que estão no maior patamar desde 2007. Diante do descompasso entre os países, faz sentido para o investidor migrar da renda fixa brasileira para a americana?

Para especialistas, a resposta depende da estratégia de alocação do investidor, mas cada vez mais beneficia quem tem o objetivo de obter renda em moeda forte.

A “Super Quarta” foi recebida indigesta pelo mercado global, que, nesta quinta-feira (21), vende ativos arriscados e volta a apostar em instrumentos dolarizados após o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) reforçar o plano de manter os juros dos EUA altos por mais tempo, com direito a possível novo aumento em 2023.

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Essa sinalização, aliada ao novo corte de 0,50 ponto percentual dos juros no Brasil, aponta para a redução da distância entre as remunerações pagas no mercado americano e no brasileiro — o diferencial de juros.

Atualmente, esse diferencial está em 6,88 pontos percentuais quando consideramos os títulso prefixados com vencimento em dez anos. Há um ano, era ainda maior, 8,6 pontos. Quanto menor for a disparidade entre os juros dos EUA e do Brasil, mais interessantes ficam aos olhos do investidor os títulos emitidos pelo governo americano, considerados os mais seguros do mundo.

Rodrigo Moliterno, sócio fundador da Veedha Investimento, afirma que os juros nos Estados Unidos em nível elevado favorecem a alocação em renda fixa em dólar, ainda mais em um momento em que os principais ativos do mercado de renda variável estão próximos das máximas históricas.

“Aplicar na Bolsa quando ela está nas máximas é arriscado. Já aplicar em juros quando eles estão nas máximas, parece um risco menor, já que as taxas devem voltar a cair (e o investidor se beneficiar por mais tempo desse ganho”, diz.

Para o especialista, no entanto, o investidor precisa ter ciência dos riscos de curto prazo envolvidos: ao comprar um título de dez anos, por exemplo, há possibilidade de volatilidade na marcação a mercado no meio do caminho.

“O juro nesse patamar é vantajoso. Ao longo do tempo, as taxas devem voltar para patamares inferiores. Mas há esse risco de curto prazo”, explica.

Considerados os riscos e oportunidades à mesa, o investidor de renda fixa que decide se aventurar nos EUA tem algumas opções disponíveis. São elas:

T-Notes

Um exemplo de título público dos EUA são as T-Notes, que têm pagamento de juros semestral assim como a NTN-F (Notas do Tesouro Nacional, série F). Lucas Schwarz, analista da VG Research, explica que pelas características e prazos, esses dois papéis podem ser comparados. No Tesouro Direto, a NTN-F é encontrada como Tesouro Prefixado.

As T-Notes de dez anos pagam atualmente uma taxa de 4,48% ao ano, a maior já registrada em praticamente 16 anos. O retorno é menor do que o oferecido pelos títulos públicos prefixados brasileiros — as NTN-F de dez anos retornam atualmente 11,36% ao ano —, mas a tendência é de encurtamento da distância.

A rentabilidade das T-Notes longas, por exemplo, estava em 4,35% até ontem, mas subiu logo depois que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deixou inalterada a taxa na faixa de 5,25% a 5,50% ao ano, com a possibilidade de novo aumento neste ano e sinalização de que as taxas devem ficar elevadas por mais tempo.

TIPs

O diferencial de juros também está presente nas outras modalidades de títulos públicos, como nos papéis indexados à inflação.

Schwarz, da VG Research, lembra que Tesouro americano possui um título chamado de TIPs que têm prazos mais longos, com vencimentos entre cinco e 30 anos, e pagam um rendimento rela, ou seja, acima da inflação medida pelo CPI (índice de preços ao consumidor, na sigla em inglês), um dos principais indicadores de inflação nos EUA.

No mercado brasileiro, esse título seria equivalente à NTN-B (Notas do Tesouro Nacional, série B), que no Tesouro Direto é encontrada como Tesouro IPCA.

As TIPs com vencimento em abril de 2029 tem o principal corrigido pelo CPI e em cima disso pagam 2,216% ao ano. Já as NTN-Bs com vencimento em 2029 pagam IPCA + 5,38% ao ano.

Como comprar

Tanto as T-Notes como as TIPS são títulos do Tesouro americano. O investidor que tiver interesse em alocar nesses papéis poderá fazer isso mesmo morando no Brasil. Para isso, terá que ter uma conta em uma corretora que ofereça conta internacional. Antes de fazer a abertura, é importante checar se os Treasuries estão entre os produtos de investimento em renda fixa ofertados.

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Ana Paula Ribeiro

Jornalista colaboradora do InfoMoney