CDB hoje: retorno de títulos prefixados chega a quase 16% após pressão sobre metas de inflação

Por outro lado, verificou-se uma queda leve nas taxas máximas oferecidas pela maior parte dos CDBs indexados ao CDI ao longo da última quinzena

Bruna Furlani

[Pixabay]

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A postura beligerante de governistas por mudanças nas metas de inflação deste ano e o embate travado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o nível elevado de juros do País – de 13,75% ao ano – elevaram o prêmio de risco nas últimas semanas.

O reflexo disso também pôde ser sentido nos retornos oferecidos pelos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs). Entre os dias 31 de janeiro e 13 de fevereiro, alguns títulos prefixados voltaram a pagar taxas máximas próximas de 16%.

É o caso de um CDB oferecido pelo Banco Master com prazo a partir de 36 meses que entregava uma rentabilidade bruta – sem desconto do Imposto de Renda – de 15,67% nos últimos 15 dias.

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Maior parte dos CDBs prefixados também registrou avanço nos retornos médios, caso dos papéis com prazo de três, seis e 12 meses.

Títulos prefixados com vencimento em três meses também viram as taxas máximas avançarem de 13,60%, entre os dias 17 e 30 de janeiro, para 13,88% agora. Apenas os papéis com prazo de seis, 12 e 24 meses apresentaram recuo nas rentabilidades máximas nos últimos 15 dias.

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Retornos brutos de CDBs prefixados (de 31/01 a 13/02)

Prazo (meses) Indexador Taxa mínima Taxa média Taxa máxima Número de títulos Emissor da maior taxa
3 PREFIXADO 13,35% 13,57% 13,88%                               12 BANCO DAYCOVAL
6 PREFIXADO 13,30% 13,65% 14,09%                               32 BANCO DAYCOVAL
12 PREFIXADO 13,15% 13,71% 14,35%                               24 BANCO DAYCOVAL
24 PREFIXADO 12,43% 12,77% 13,10%                                 2 BANCO ABC BRASIL
36 PREFIXADO 12,60% 14,16% 15,67%                               22 BANCO MASTER

Fonte: Quantum Finance. Obs: Os retornos são brutos, sem descontar o Imposto de Renda.

CDBs atrelados ao CDI

Por outro lado, verificou-se uma queda leve nas taxas máximas oferecidas pela maior parte dos CDBs indexados ao CDI ao longo da última quinzena.

Papéis com vencimento em 24 meses foram o destaque em termos de recuo, ao ver o juro máximo cair de 113% do CDI para 107% do CDI.

Ao mesmo tempo, as taxas médias oferecidas por títulos atrelados ao CDI caíram, na maior parte dos casos. Títulos com vencimento em seis meses viram a rentabilidade média passar de 100,29% do CDI para 99,27% do CDI ao longo dos últimos 15 dias.

Retornos brutos de CDBs indexados ao CDI (de 31/01 a 13/02)

Prazo (meses) Indexador Taxa mínima Taxa média Taxa máxima Número de títulos Emissor da maior taxa
3 %CDI 98,50% 101,92% 105,50%                               13 CCB BRASIL BANCO MÚLTIPLO
6 %CDI 97,50% 99,27% 102,00%                               50 BANCO DAYCOVAL
12 %CDI 90,00% 99,88% 120,00%                               56 BANCO MASTER
24 %CDI 98,00% 100,12% 107,00%                               32 BANCO FIBRA
36 %CDI 100,00% 102,68% 113,00%                               56 BANCO RODOBENS

Fonte: Quantum Finance. Obs: Os retornos são brutos, sem descontar o Imposto de Renda.

O movimento vai na contramão do aumento das projeções para a Selic apresentadas no Relatório Focus, do Banco Central.

Leia mais:
Boletim Focus: projeção para a inflação em 2023 volta a subir e ao do PIB cai

Nesta semana, o documento trouxe que o ponto médio esperado para a taxa básica de juros está em 12,75% ao ano, acima dos 12,50% esperados um mês antes.

CDBs atrelados à inflação

A piora nas projeções não está restrita à taxa de juros. A pesquisa feita pelo Banco Central com economistas também mostrou uma deterioração nas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano e nos próximos anos, diante de discussões envolvendo mudanças nas metas de inflação.

Nesta semana, o Focus trouxe que a expectativa para o IPCA em 2023 estava em 5,79%, bem acima dos 5,39% vistos quatro semanas antes. Alterações também nas projeções para 2024, 2025 e 2026, que chegaram a 4,00%, 3,60% e 3,50%, nessa ordem. Um mês antes, as mesmas estimativas estavam em 3,70%, 3,50% e 3,22%, respectivamente.

Tais mudanças provocaram alterações nas taxas oferecidas por CDBs atrelados à inflação. Na última quinzena, a taxa máxima entregue por papéis com vencimento a partir de 36 meses chegou a 5,75% acrescida de IPCA.

No levantamento anterior, entre os dias 17 e 30 de janeiro, o percentual máximo tinha chegado a 5,30%.

Também teve aumento nas taxas médias oferecidas por títulos com vencimento em 24 meses e 36 meses, que passaram de 5,89% +IPCA para 6,03% +IPCA, e de 5,20% para 5,64%, respectivamente.

Retornos brutos de CDBs indexados à inflação (de 31/01 a 13/02)

Prazo (meses) Indexador Taxa mínima Taxa média Taxa máxima Número de títulos Emissor da maior taxa
12 IPCA 5,65% 5,85% 6,05%                                 2 BANCO ABC BRASIL
24 IPCA 6,00% 6,03% 6,10%                                 3 BANCO ABC BRASIL
36 IPCA 5,40% 5,64% 5,75%                                 4 BANCO ABC BRASIL

Fonte: Quantum Finance. Obs: Os retornos são brutos, sem descontar o Imposto de Renda.

Ruídos sobre metas e arcabouço fiscal

A deterioração das expectativas é reflexo do desencontro de informações envolvendo mudanças nas metas de inflação. Luciano Costa, economista-chefe e sócio da Monte Bravo Investimentos, aponta que agentes receberam informações confusas sobre medidas que seriam tomadas pelo governo.

Na sessão de ontem (14), rumores de que o presidente Lula teria avisado à equipe econômica que desejava um aumento de um ponto percentual na meta de inflação deste ano acenderam o sinal de alerta entre agentes financeiros.

Horas depois, Haddad afirmou que uma eventual mudança nas metas de inflação não estará na pauta da reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) de amanhã (16). A declaração trouxe certo alívio ao mercado.

Na manhã desta quarta-feira (15), a curva de juros futuro voltava a “fechar” – jargão de mercado para dizer que os juros caíam.

Luciano Costa, economista-chefe e sócio da Monte Bravo Investimentos, diz que a declaração de Haddad é “positiva” no curto prazo. “Eventual mudança pode levar a uma nova rodada de deterioração de expectativas e o efeito desejado pode ser negativo”, alerta.

O economista lembra que uma mudança deixaria a curva de juros mais pressionada e não menos. Ele explica que os juros longos tenderiam a subir e a curva ficaria mais inclinada, o que não seria bom para investimentos, que costumam ser feitos com foco no longo prazo.

Apesar das informações desencontradas dos últimos dias, Costa acredita que a sinalização dada hoje por Haddad de que o governo deve antecipar para março a apresentação do novo arcabouço fiscal representa uma notícia positiva.

Em evento do BTG Pactual nesta manhã, o chefe da equipe econômica disse que, atendendo a pedidos da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que também atua como ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, decidiu antecipar o movimento para março e não mais abril.

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Haddad diz que governo deve antecipar apresentação do novo arcabouço fiscal para março

“O governo está tentando reorganizar a agenda de discussões. O melhor seria priorizar a agenda fiscal”, diz. O economista afirma que uma ordem um pouco menos “danosa” seria rediscutir a meta de inflação após definir o novo arcabouço fiscal e iniciar a tramitação do projeto no Congresso.

“É muito ruim discutir tanto a âncora fiscal quanto a monetária ao mesmo tempo”, conclui.