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Analista da Clear Corretora ensina como entender quando o mercado vai mudar de direção

Maior diversificação do patrimônio

Brasileiro ingressa na Bolsa com investimento médio de R$ 352; 50% têm de 25 a 39 anos e mais de 5 ativos na carteira

Análise de dados da B3 mostra ainda a regionalização da Bolsa e dos clientes pessoas físicas, com destaque para o Norte e Nordeste

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(Getty Images)

SÃO PAULO – Com um maior leque de produtos disponíveis para investimento na Bolsa e uma safra de investidores mais jovens, os montantes dos primeiros investimentos em renda variável têm sido cada vez mais baixos nos últimos anos. É o que mostra uma análise feita pela B3 com base nos dados de investidores pessoas físicas divulgada nesta quarta-feira (11).

Segundo a B3, o primeiro investimento do brasileiro, que estava na casa dos R$ 5,7 mil, em 2015, caiu para cerca de R$ 1,6 mil em janeiro de 2020. Já em junho deste ano, o valor mediano do aporte inicial no mercado chegou a R$ 352 – o menor valor da série histórica da Bolsa.

Segundo Felipe Paiva, diretor de relacionamento com clientes e pessoas físicas da B3, o movimento acontece em meio à maior oferta de produtos que têm ganhado participação na carteira dos investidores.

Em junho, dos 104 mil investidores que entraram na Bolsa, a maior parte entrou no mercado com aportes na faixa de até R$ 200.

Ao mesmo tempo que a entrada em Bolsa se mostra mais acessível, o brasileiro tem se preocupado em diversificar sua carteira.

No primeiro semestre de 2021, cerca de metade das pessoas físicas tinha mais de cinco ativos no portfólio. O dado representa mais do que o dobro do registrado em 2016, quando 21% dos investidores tinham essa quantidade de ativos na carteira.

Ao mesmo tempo, o percentual de investidores que detinham um único ativo na carteira caiu de 39% para 20% nos mesmos cinco anos.

Quando analisado o estoque de R$ 545 bilhões do investidor pessoa física na B3, 71% estão alocados em mais de cinco ativos, acima dos 50% de 2016.

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Em junho, o número de CPFs cadastrados na Bolsa (investidores individuais) chegou a 3,2 milhões, um crescimento de 42% ante o primeiro semestre de 2020.

Com relação ao número de contas cadastradas, foram 3,8 milhões ao fim do primeiro semestre. É importante destacar que um investidor pode ter conta em mais de uma corretora.

“O movimento de aumento de investidores na Bolsa não tem volta. O investidor sabe que pode experimentar pequenas quantias nos diferentes produtos, investindo menos em mais opções”, disse Paiva, durante coletiva de imprensa.

Fonte: B3

Diversificação da cesta

O levantamento da Bolsa mostra ainda que o percentual alocado em ações tem perdido espaço para outros produtos. É caso de fundos imobiliários, fundos de índice (ETFs) e dos BDRs, que são certificados que representam ativos emitidos por empresas em outros países, mas que são negociados aqui, na B3.

Em 2016, 78% das pessoas físicas na Bolsa detinham apenas ações na carteira, percentual que caiu para 50% em junho deste ano.

O levantamento mostra, por exemplo, que o percentual de investidores que detêm ações e FIIs na carteira cresceu de 9%, em 2016, para 26%, em junho deste ano.

Fonte: B3

Com investidores colocando os ovos em diferentes cestas, o saldo mediano nos produtos de renda variável tem recuado. Em ações, o valor, que estava na casa dos R$ 10 mil em 2019, caiu para R$ 7 mil em junho deste ano.

Em fundos imobiliários, o saldo atual é similar, de R$ 6 mil – também abaixo dos R$10 mil, de 2019, e dos R$ 37 mil de 2011. O mercado de FIIs tem hoje 1,43 milhão de investidores pessoas físicas.

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Nos fundos de índice, mercado que tem tido ampla expansão, com produtos que buscam replicar desde índices globais, commodities, criptomoedas e até fundos imobiliários, o saldo mediano em custódia encontra-se na casa dos R$ 2 mil. Em 2011, o montante estava em R$ 20 mil e em 2019, em R$ 5 mil.

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Desde o primeiro semestre de 2020, a classe de ETFs já mostra alta de 104% na base de investidores pessoas físicas, para 438,7 mil.

Os BDRs, que foram liberados para negociação pelo investidor pessoa física em 2020, também viram o número de investidores disparar, de 2,8 mil, em 2019, para cerca de 300 mil, em junho deste ano. No produto, o saldo mediano em custódia está em R$ 2 mil, 64% abaixo dos R$ 5 mil de 2019.

Mulheres e jovens

A análise de dados da B3 constatou ainda que as mulheres entram com valores maiores que homens na Bolsa. Enquanto o primeiro investimento mediano mensal das investidoras está em R$ 481, o dos homens está em R$ 303.

A participação das investidoras na Bolsa, contudo, ainda é baixa, na casa dos 30% – patamar que tem se mostrado estável nos últimos anos.

A B3 destacou ainda a forte participação de investidores mais jovens, de 25 a 39 anos, que representam hoje 48% dos investidores na Bolsa. Em 2013, esse percentual era de 33%, e ficava abaixo da faixa etária de 40 a 59 anos, que era de 40%. Hoje, esse grupo de investidores representa 29% dos entrantes.

Regionalização da Bolsa

Outro destaque da análise da B3 recai sobre a regionalização das empresas da Bolsa e dos investidores de renda variável.

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Apesar de a região Sudeste concentrar o maior número de investidores, as demais têm apresentado maior crescimento relativo quando comparados os anos de 2018 e 2021. O destaque recai sobre as regiões Norte e Nordeste, com aumento de 575% e 486%, respectivamente.

“Temos visto mais empresas indo para a Bolsa como forma de levantar capital. Já vimos alguns picos de IPOs anos atrás, mas 2021 está sendo muito diferente do ponto de vista de empresas e de dispersão dos investidores. Hoje, vemos movimentos tanto de demanda quanto de oferta vindos não só da região Sul e Sudeste, mas também do Norte, Nordeste e Centro-Oeste”, afirma Paiva.

Segundo o diretor da B3, apesar do ciclo de aperto monetário em curso, promovido pelo Banco Central, a grande entrada de investidores na renda variável é um “movimento que veio para ficar”.

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