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Multimercado que rendeu 500% do CDI foca em Bolsa: “Incrivelmente barata”

"O investidor recebe hoje 7% a mais de geração de caixa sobre a taxa de juro real de 10 anos para correr o risco de bolsa", analisam os gestores da Dahlia Capital

Ações gráfico
(Shutterstock)

SÃO PAULO – Mesmo com a alta recente que fez o Ibovespa se aproximar da marca histórica de 100 mil pontos, o mercado de ações ainda tem muito espaço para valorização, na opinião dos gestores da Dahlia Capital. “A Bolsa está incrivelmente barata”, disse José Rocha, um dos gestores responsáveis pelo fundo Dahlia Total Return, em entrevista ao InfoMoney.

Criado no final de maio de 2018, o fundo rendeu 23,26% desde o lançamento, equivalente a 505% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) no mesmo período. Já o IPCA + IMA - B yield (benchmark do fundo) rendeu 6,57% do período - veja gráfico no final da matéria.O fundo está disponível na plataforma da XP - abra já sua conta, é de graça!

O Dahlia Total Return também tem mandato para investir em juros e moedas, mas a preferência atualmente está no investimento em ações de companhias brasileiras. "É o mercado que mais gostamos e enxergamos potencial", diz Rocha.

A análise de que bolsa está barata é baseada principalmente na geração de caixa das empresas, medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês), e descontando a taxa de juros reais do país.  “Raras vezes a geração de caixa das empresas foi tão alta. Hoje, o investidor recebe 7% a mais de geração de caixa sobre a taxa de juro real de 10 anos para correr o risco de bolsa”.

O fato deste crescimento potencial das companhias estar inserido em um cenário macro favorável deixa o investimento em ações ainda mais atrativo. “Estamos em um ponto de inflexão do crescimento, com um grande potencial de aprovação de reformas”, diz Felipe Hirai, que divide a gestão do fundo.

Soma-se ainda o fato de que o CDI está em seu menor nível histórico, o que deixa o custo de oportunidade menor – e faz o investidor repensar seu apetite ao risco se quiser um retorno mais elevado.

“Quando se descontam taxas e impostos, o juro real líquido na renda fixa talvez não chegue a 1% ao ano. Isso tem implicações incríveis na forma como as pessoas alocam o seu dinheiro. Por isso achamos que a Bolsa pode atingir os 125 mil pontos esse ano”, afirma Rocha.

Entre as ações que os gestores mais gostam estão as da Petrobras. “Achamos que há uma série de movimentos que vão liberar valor para a companhia, como os desinvestimentos de refinarias, a cessão onerosa e a venda da Braskem”.

O setor de energia elétrica também tem oportunidades interessantes. “Achamos que a recuperação do PIB (Produto Interno Bruto) será longa e moderada, ao invés de ser forte e rápida. Devemos ter vários anos de crescimento em torno de 2% ao ano. Se nossa visão estiver correta, os juros vão demorar muito tempo para voltar a subir, o que é bom para o setor de energia elétrica, saneamento e concessões”, diz Rocha.

Entre os papéis do setor, eles destacam o investimento em Eneva. “A empresa negocia com uma TIR (Taxa Interna de Retorno) de inflação +13% ao ano, enquanto a média do setor elétrico está em inflação + 10% ao ano”, diz Felipe Hirai.

Dólar justo

Diferente da visão de muitos outros gestores, eles acham que o dólar não tende cair e que o preço da moeda atualmente está justo – podendo inclusive ter valorização. “Na nossa visão, para o dólar cair a bolsa teria que dar um “tiro” fenomenal. Isso porque precisaria entrar muito investidor estrangeiro para fazer a moeda cair, e neste caso a Bolsa subiria muito”, afirma Rocha.

Ele lembra que os últimos eventos importantes para o mercado tiveram o poder quebrar alguns paradigmas com a moeda.  Pouco antes da greve dos caminhoneiros, por exemplo, o dólar saiu de da faixa de R$ 3,10 e  foi para R$ R$ 3,70, enquanto a Bolsa ficou de lado na faixa dos 75 mil pontos. “Quebrou uma correlação histórica de 20 anos de dólar para cima, bolsa para baixo”, diz Rocha.

Já depois das eleições a bolsa subiu de 80 mil pontos para perto de 100 mil pontos, e o dólar manteve o mesmo nível. “Na nossa opinião, está havendo uma mudança estrutural, causada por uma série de fatores, e isso muda a forma como as pessoas alocam recursos no Brasil”, diz.

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Abaixo, o gráfico de valorização do fundo comparado ao benchmark:

 

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