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Os fundos que mais tinham ações da Vale no dia da tragédia

Um levantamento da XP Investimentos mostra que no fechamento do dia 24 de janeiro muitos fundos tinham posições importantes em papéis da mineradora - a maior era do Bahia AM Valuation (14% do patrimônio líquido)

mina ferro vale paraopeba brumadinho
(reprodução)

SÃO PAULO – As ações da Vale (VALE3) despencaram 24,5% na última segunda-feira (28), em consequência da tragédia ocasionada pelo rompimento da barragem da mineradora em Brumadinho (MG). Com um peso importante de 11,39% na composição do Ibovespa, o papel também faz parte da carteira de alguns dos principais fundos de investimento do país.

Um levantamento da XP Investimentos mostra que no fechamento do dia 24 de janeiro,  véspera da tragédia, o fundo com maior exposição aos papéis da mineradora era o Bahia AM Valuation, que tinha 14% do seu patrimônio líquido em ações da empresa. 

Da mesma gestora, o fundo Bahia Long Biased tinha 11,5% em ações da Vale, seguido pelo XP Ações, com 11,1% do patrimônio investido na companhia. Logo depois aparecem o Sharp Ibovespa Ativo (10%), o Alaska Black (9%) e o Mauá Capital Ações (8,1%) – veja a lista completa na tabela no final da matéria.

As perdas do dia anterior só serão divulgadas durante a tarde desta terça-feira (29), quando todos os fundos precisam atualizar suas cotas na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). A expectativa dos gestores é que as cotas recuem até 3,3%, dependendo da exposição que o fundo tinha nas ações.

 Para os gestores, o dia foi de reavaliação das posições. A maioria optou por manter os papeis até conseguirem entender melhor a dimensão dos impactos da tragédia. De uma maneira geral, o consenso era de que, apesar da dimensão do acidente, a desvalorização de ontem foi exagerada.

Na conta feita por Wagner Salaverry, sócio da Quantitas, para justificar a perda de R$ 70 bilhões em valor de mercado registrada dia 28, o fluxo de caixa da Vale teria de ser cerca de R$ 15 bilhões menor daqui para a frente. “Ainda que haja muita incerteza sobre o que vai acontecer com a empresa e qual será o tamanho das indenizações e dos custos de reconstrução e reparação ambiental, parece um valor alto demais”, disse Salaverry. 

Renato Ometto, sócio da Mauá, acrescentou que a situação financeira da empresa é sólida: o endividamento foi reduzido e a geração de caixa é robusta. “A Vale tem recursos para sair dessa enrascada”, afirmou. “Depois de mais de 20% de queda, não faz sentido vender. Prefiro esperar para ver quanto a companhia vale de fato.”

O AZ Quest FIA, que chegou a 14% do patrimônio em Vale em setembro do ano passado, já havia diminuído consideravelmente a posição nos últimos meses – era de 7,5% nesta segunda. “Nós já estávamos underweight (com exposição menor que a média)”, disse Alexandre Silvério, CIO da AZ Quest e responsável pela gestão do fundo.

Segundo o gestor, ainda é cedo para afirmar qual o real impacto que o desastre de Brumadinho terá sobre a companhia. “O case de investimento de Vale mudou radicalmente de sexta para hoje. Cabe a nós reavaliarmos a luz das informações que temos hoje, de acordo com nossos mandatos”, afirmou.

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Veja a lista dos fundos com maior exposição às ações da Vale no dia 24 de janeiro:

Fundo % VALE3 % VALE3 Expectativa
24/jan 28/jan de Cota
Bahia AM Valuation FIC FIA 14 * *
Bahia Am Long Biased FIC FIM 11,5 * *
XP Ações FIC FIA 11,1 8,8 -3,00%
Sharp Ibovespa Ativo FIA 10 8 -2,00%
Alaska Black Institucional FIA 9 9 -1,80%
Maua Capital Ações FIC FIA 8,1 8,7 -3,30%
AZ Quest Acoes FIC FIA 7,5 * *
STK Long Only Institucional FIA 7,4 7,3 -2,00%
Pacifico LB FIC FIM 6 6 -1,30%
Pacifico Ações FIC FIA 4,9 6,5 -1,90%
RPS Total Return D30 FIC FIM 4 4 -1,00%
AZ Quest Total Return FIC FIM 4 0 *
Indie FIC FIA 3,9 3,9 *
Claritas Long Short FIC FIM 2,7 0 -0,80%
  • A casa não informou o dado até o fechamento do material.
    ** A casa optou por não divulgar o dado.

 

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