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Oi mira ex-Vivo para "salvar" companhia e ações disparam - mas ele aceitará o cargo?

Não é a primeira vez que Amos Genish, fundador da GVT, é sondado pela companhia, em recuperação judicial desde junho de 2016

Amos Genish
(REMO CASILLI/REUTERS)

SÃO PAULO - A possibilidade do executivo israelense Amos Genish presidir a Oi (OIBR4; OIBR3) fizeram as ações da companhia dispararem até 7% nesta segunda-feira (25). A informação de que Genish foi procurado pela empresa é do jornal O Estado de S. Paulo, que cita fontes próximas ao assunto.

Não é a primeira vez que Genish, fundador da GVT (vendida para a Telefônica por R$ 22 bilhões) e ex-presidente da Vivo (VIVT4) e da Telecom Itália, é sondado pela companhia, em recuperação judicial desde junho de 2016. Pessoas próximas a Genish confirmaram que o executivo foi procurado pela Oi, mas afirmaram que, por enquanto, ele descarta o convite. 

Os analistas do Bradesco BBI consideram a possibilidade de Genish assumir o cargo, mas há alguns pontos que precisam ser levados em consideração. O primeiro deles é que a fusão entre Oi e TIM segue no radar. Assim, a TIM seria sócia majoritária na nova empresa que pode surgir, fazendo com que o executivo responda novamente ao fundo norte-americano Elliott. 

Vale lembrar que o executivo foi afastado da presidência da Telecom Itália, dona da TIM no Brasil, no fim do ano passado justamente por "culpa" do fundo Elliot, que ganhou mais assentos no conselho da companhia e exigiu mudanças na cúpula. "Embora seja possível fazer esse relacionamento funcionar, seria estranho, no mínimo", afirmam os analistas do Bradesco BBI, em relatório enviado a clientes. 

Outro ponto levantado pelos analistas é a reunião entre o fundo Elliot e a Vivendi, que voltarão a debater a composição do conselho da Tim em 29 de março. O episódio pode abrir espaço para novas disputas pelo controle da companhia e o nome de Genish pode voltar ao radar da Tim.

Afastado da presidência da Telecom Itália em novembro passado, Genish voltou a exercer funções executivas na Vivendi e é membro do conselho da Telecom Itália. 

O terceiro ponto diz respeito a questões financeiras. Apesar do momento desafiador da Oi - a tele entrou com pedido de proteção na Justiça, com dívidas declaradas de R$ 65 bilhões - Genish poderia receber um grande programa de opções de ações para atraí-lo para a empresa, aprimorando ainda mais o alinhamento entre a administração e os acionistas.

Levando isso em conta, os analistas do Bradesco BBI avaliam que a probabilidade de Amos Genish estar à frente da Oi não deve ser descartada. Neste sentido, eles reforçam a visão de que a relação risco/retorno para a ação da companhia parece positivamente assimétrica no curto prazo, especialmente quando a reforma do setor de telecomunicações no Brasil ganha força mais uma vez. Assim, possuem classificação outperform (desempenho acima da média do mercado) para os papéis OIBR3 com preço-alvo de R$ 1,80, o que corresponde a um potencial de valorização de 17% em relação ao fechamento de sexta-feira (22). 

Plano B

Fontes próximas à |Oi afirmaram ao jornal O Estado de S. Paulo que o nome de Genish é o favorito para conduzir as mudanças na companhia. Caso o executivo recuse de vez o convite, o plano B seria Rodrigo Abreu, ex-presidente da TIM e hoje na Quod.

Abreu também é membro do conselho de administração da Oi. No passado, uma das soluções apontadas para resolver os problemas financeiros da Oi foi uma fusão com a Tim.

Atualmente, a Oi é comandada desde o fim de 2017 pelo executivo Eurico Teles, funcionário de carreira da Oi e diretor jurídico da companhia. Teles tem sido responsável pelo processo de reestruturação da operadora, com apoio do juiz responsável pela recuperação judicial da Oi, e sua permanência à frente da tele está garantida até o fim deste mês.

Pessoas próximas à Oi afirmaram à reportagem que a mudança da gestão da companhia ainda não foi discutida pelo conselho de administração - ao menos até a última reunião, realizada na quinta-feira (21).

Procurada pela reportagem do Estadão, a Oi não quis comentar o assunto. O fundo Golden Tree preferiu não se manifestar. As gestoras York e Solus não retornaram os pedidos de entrevista. Os executivos Amos Genish e Rodrigo Abreu também não quiseram comentar o assunto.

(Com Agência Estado)

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