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OGX sobe mais de 51% em 4 dias com possíveis negociações de dívidas

Segundo operador que pediu para não ser identificado, BTG Pactual, parceiro estratégico do Grupo EBX, estaria negociando com credores reestruturação de passivos

OGX 03 - Primeiro Oleo
(Divulgação OGX)

SÃO PAULO - A derrocata do império de Eike Batista colocou a OGX Petróleo (OGXP3) no olho do furacão nos últimos meses, principalmente, após a empresa anunciar que seus poços atualmente em operação no campo de Tubarão Azul não terão sua produção aumentada e poderão parar de produzir em 2014. Entretanto, na última semana, a trajetória dos papéis mudou de lado, acumulando no período ganhos de 51,28%, indo de R$ 0,39, no fechamento de 3 de julho, para R$ 0,59 nesta quarta-feira (10) - subindo 13,46% apenas nesta sessão.

Embora a avaliação pessimista que se desenhou para a empresa ainda não tenha mudado entre os investidores, que viram o papel sair da máxima histórica de R$ 23,28, em 15 de outubro de 2010, para a mínima de 0,39 em 3 de julho deste ano, alguns fatores têm contribuído para a mudança no rumo das ações nos últimos dias, a começar pelo anúncio feito pela companhia hoje de que concluiu a reestruturação do acordo fechado no passado com a Mubadala, empresa de desenvolvimento e investimento estratégico de Abu-Dhabi, nos Emirados Árabes.

Segundo a nota divulgada ao mercado, a holding EBX resgatou "uma parcela significativa" do investimento inicial feito pela companhia árabe. Segundo apurou um operador de mercado que pediu para não ser identificado, o anúncio de hoje reforça o fato de que a Mudabala está concordando com todas as negociações, o que garante a estabilidade e uniformidade do bloco de controle, o que pode facilitar o futuro da OGX.

Outro ponto indicado por ele como positivo para esse momento no qual a empresa se encontra é que a OGX também deve fazer propostas, em breve, para renegociar os títulos que grandes fundos globais detém da empresa. Isso porque a companhia tem dívidas cujo valor de face supera o de seus ativos. O preço dos bônus da OGX com vencimento em 2018, que superava 90% do valor de face no começo de março, caiu para 19% no início de julho, levando o yield do papel a superar os 60% ao ano. Na última terça-feira, eram negociados entre 25% e 27,5% do valor de face.

Um dos grandes exemplos é a Pimco, maior gestora de fundos de bônus do mundo, que apostou pesado nos títulos de dívida privada da petrolífera. Conforme divulgou o Valor, um levantamento feito pela Bloomberg, apontou que a instituição possuía US$ 488 milhões de títulos da OGX no fim de 2012 e US$ 128 milhões no fim do primeiro trimestre de 2013, figurando entre uma das principais credoras de dívida da petrolífera.

Segundo apurou o Portal InfoMoney, o BTG Pactual, parceiro estratégico do Grupo EBX, estaria negociando com a Pimco e outros credores como será a reestruturação desse passivo, com a finalidade de "limpar" o balanço da OGX e deixá-la mais atrativa para venda. 

O que se especula no mercado agora é que Eike Batista venderia o controle da empresa e, a princípio, não ficaria com nenhuma participação ou, eventualmente, com uma fatia bem menor na empresa. Na melhor das hipóteses, de acordo com o operador, Eike ficaria, no máximo, com um assento no conselho de administração. Atualmente, o empresário detém 58,92% das ações ordinárias da companhia, conforme última atualização da empresa divulgada no início do mês passado.

 

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