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De vendedor de celular a dono de startup: conheça história do fundador da Easy Taxi

Empreendedor começou seu primeiro negócio com 14 anos

Tallis Gomes
(Divulgação)

SÃO PAULO – Se hoje você consegue encontrar um táxi por aplicativos de smartphones, é porque o co-CEO e fundador do Easy Taxi, Tallis Gomes, desistiu de uma banda de rock e descobriu um talento para o empreendedorismo.

Com 14 anos, ele queria juntar dinheiro para comprar uma bateria para a sua banda. Para isso, ele começou a revender celulares utilizando o Mercado Livre. “Eu me lembro de ter visto uma matéria sobre o Larry Sergey, da Google, ganhar dinheiro com a internet e eu achei isso muito legal”, explica.

Tallis percebeu uma demanda em sua cidade (Carangola, MG) por celulares com câmera e decidiu revender os aparelhos que eram colocados no site. “Eu não tinha dinheiro para comprar um celular e revender, então eu fiz um book com imagens dos celulares do Mercado Livre com preço 25% maior do que o ofertado e levei para a escola", afirma. O primeiro cliente foi um professor de biologia, que gostou do serviço de Tallis e recomendou para outras pessoas.

O resultado disso? Com 16 anos, Tallis foi morar sozinho e pagou os seus estudos em um dos melhores colégios de Juiz de Fora, também em Minas Gerais.

Publicitário
Ao terminar a escola, Tallis ingressou na faculdade de publicidade e propaganda da ESPM (Escola superior de Propaganda e Marketing). Nesta época, como o negócio com os celulares já não estava rendendo muito, ele foi estagiar. Seu primeiro estágio foi no Grupo Severiano Ribeiro, empresa detentora da marca de cinemas Kinoplex. 

Durante o estágio, ele fez uma promoção pelo Twitter que gerou uma taxa de ocupação enorme no cinema para filme infantil. "Nisso eu pensei: ‘Se eu consegui acertar para eles, porque eu não faço isso para mim?’”, afirma o empreendedor.

Gomes, então, montou o seu segundo negócio: a E-Spartan. Uma agência de gamificação e mídia social que teve dois clientes que se mantiveram por uns sete meses até a falência da empresa. “Eu não tinha experiência suficiente para fazer um negócio e eu era um menino de 18 anos tentando prestar consultoria para empresários com mais de 40 anos de profissão.”

Tallis voltou ao mercado de trabalho e passou pela Unilever e Ortobom. Esta última, ele começou como analista de marketing e em poucos meses se tornou gerente nacional de marketing. Nesta empresa, ele convenceu a diretoria de que colchão pode ser vendido pela internet. Para isso, ele criou um mecanismo que permitia escolher o colchão a partir do peso e altura do cliente. Em seis meses, o e-commerce já estava faturando R$ 500 mil por mês.

3ª empresa
A vontade de ter a sua própria empresa voltou novamente e o empreendedor abriu seu terceiro negócio. A
 
Techsamurai é uma agência de construção de software. "A diferença é que a gente não contrata ninguém no Brasil." A estratégia era para evitar o custo, já que no Brasil, contratar um desenvolvedor é muito caro. Estas pessoas eram contratadas por projetos. 

“Eu não tinha custo fixo e gasto com internet, a empresa ficava na nuvem, tinha gente trabalhando 24 horas e com um custo bem menor. Ou seja, eu entregava o projeto para a empresa duas vezes mais rápido e pela metade do preço”, afirma. Em menos de um ano, a empresa começou a faturar R$ 60 mil. 

Apesar do sucesso da empresa, Tallis ainda não estava satisfeito. Ele sonhava em deixar algo de legado para o mundo. Foi assim que surgiu a ideia da Easy Taxi. “Até aquele momento eu eu só  tinha feito empresas de serviços e não tinha feito nada que trouxesse valor para a sociedade. "Então, eu tive a ideia de trazer para o mercado uma solução de mobilidade”, explica.

A princípio, o aplicativo era voltado para os usuários de ônibus, mas após participar do Startup Weekend, em 2011, Gomes descobriu que a Google já estava desenvolvendo um serviço parecido. “Eu precisei pedir um táxi, mas eu não consegui; foi nessa hora de que tive um insight: utilizar um mecanismo de geolocalização para fazer um aplicativo de táxi.”

Porém, o caminho para tornar o Easy Taxi em um dos maiores aplicativos de mobilidade do mundo não foi fácil. Tallis precisou convencer os taxistas de que o aplicativo seria um bom negócio e chegou até a alugar smartphones para os profissionais que ainda não tinham um pudessem participar da novidade. “A gente mudou aquela ideia de que celular era uma coisa para rico e passou a ser um objeto de trabalho”, afirma.

Milhões em investimentos
Hoje, com apenas 26 anos, Tallis tem nas mãos uma empresa que já recebeu mais de R$ 55 milhões em investimentos em quase dois anos de operação. A empresa está presente em 24 países e 92 cidades, sendo 37 delas no Brasil, e já registrou mais de 5 milhões de downloads.

Questionado sobre novas empresas, Gomes acredita que a área da robótica será um grande boom para a tecnologia, assim como o smartphone foi há alguns anos. “Essa década é a década da robótica e eu pretendo entrar no ramo em breve.”

 

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