Mudanças

Petrobras troca diretores da era PT por equipe pró-mercado

Estatal na prática já adota uma gestão pró-mercado desde o impeachment presidencial em 2016, quando abandonou a direção nacionalista

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(Agência Petrobras)

(Bloomberg) — O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, concluiu nesta semana a renovação da diretoria da companhia com a retirada dos últimos três diretores promovidos na era PT e a montagem de uma nova equipe alinhada com o programa liberal do governo Jair Bolsonaro.

A estatal na prática já adota uma gestão pró-mercado desde o impeachment presidencial em 2016, quando abandonou a direção nacionalista. Mas a saída diretores nomeados durante o governo PT é uma mudança simbólica de liderança numa empresa historicamente dividida entre os interesses de seus acionistas privados e o governo, que detém o controle acionário da empresa.

Metade da diretoria-executiva de oito assentos, incluindo o presidente, foi promovida pelo governo do presidente Jair Bolsonaro. Os outros quatro diretores foram substituídos em 2018 pelo governo do então presidente Michel Temer.

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A cúpula da empresa agora tem histórico alinhado a um perfil pró-acionista e a favor de privatizações definida pelo governo de direita de Bolsonaro. Em entrevista de vídeo interna para funcionários, Castello Branco reiterou nesta semana que gostaria de avaliar acabar com o monopólio virtual da empresa no refino de petróleo e reforçar a aptidão natural da companhia para a produção de petróleo. O presidente descartou uma privatização completa da holding.

“Não é concebível que uma única companhia tenha 98 por cento da capacidade de refino, seja ela qual for, em um país,” disse Castello Branco. “A Petrobras é número 1 em termos de águas ultraprofundas, não há empresa que tenha capital humano e tecnológico para explorar este tipo de ativo.”

A seguir listamos os sete diretores executivos da Petrobras que trabalharão com o novo presidente:

Carlos Alberto Pereira de Oliveira, diretor de E&P

Conhecido dentro da empresa como “Capo”, por suas iniciais, Oliveira está na Petrobras há 38 anos e construiu a reputação de ser um executivo linha-dura e competente. Ele chegou a cargos de liderança na era PSDB, um partido de centro-direita. Nos últimos tempos, trabalhou no departamento de exploração e produção. Oliveira foi nomeado diretor de E&P em 7 de janeiro, no lugar de Solange Guedes.

Anelise Lara, diretora de refino

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Lara ingressou na Petrobras na década de 1980, liderou alguns de seus mais importantes projetos em águas profundas e ganhou fama de ser a melhor negociadora da companhia. Desde 2016, ficou responsável pelas privatizações e liderou o programa de desinvestimentos mais ambicioso do setor de petróleo. Nomeada em 4 de janeiro, Lara substitui Jorge Celestino.

Lauro Cotta, diretor de estratégia

Cotta vem de fora da Petrobras: é membro do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) e de 2000 a 2014 foi CEO de três empresas de gás natural diferentes — Minasgás Distribuidora de Gás Combustível, SHV Gás Brasil e Supergasbras Energia. Cotta foi nomeado em 4 de janeiro e substitui Nelson Silva.

Rudimar Andreis Lorenzatto, diretor de desenvolvimento de produção

Também nomeado em 4 de janeiro, Lorenzatto fez carreira na Petrobras e substitui seu antigo chefe Hugo Repsold Jr. Mais recentemente, trabalhou como gerente-executivo nas operações submarinas da empresa.

Rafael Salvador Grisolia, diretor financeiro

Diretor financeiro da Petrobras desde junho, Grisolia foi executivo de finanças da Exxon Mobil no Brasil, entre outras empresas, antes de ser contratado como diretor financeiro da divisão de combustíveis da Petrobras, a BR Distribuidora.

Eberaldo de Almeida Neto, diretor de assuntos corporativos

Neto ocupa o cargo atual desde janeiro do ano passado. Está há três décadas na Petrobras, trabalhando nas divisões de E&P, operações submarinas e serviços.

Rafael Mendes Gomes, diretor de governança e conformidade

No cargo desde abril, Gomes foi sócio sênior do escritório de advocacia Chediak Advogados e executivo da divisão brasileira do Walmart.

©2019 Bloomberg L.P.

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