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Software ajuda a reduzir gastos e facilitar a distribuição de água em municípios do Nordeste

Desenvolvido por um grupo de pesquisadores da UnB, o programa é utilizado para otimizar a distância e diminuir os custos com a Operação Carro-Pipa, do Governo Federal, que abastece regiões que sofrem com a estiagem

Cerca de 850 municípios do nordeste são atendidos pela Operação Carro-pipa, programa executado pelo Comando militar do Nordeste desde 1998, que transporta água às regiões que sofrem com a estiagem na região. Para transportar o produto são usados mais de 6.800 pipeiros, que atendem cerca de 79 mil pontos de abastecimento e cisternas coletivas, beneficiando mais de 3,7 mi de pessoas. Mas toda essa logística gera grande custo financeiro ao Poder Público. Em 2017, por exemplo, o valor do repasse foi de cerca de R$ 1 bi, segundo informações do Governo, do Ministério da Defesa e da Agência Nacional de Águas.

Um projeto desenvolvido por professores e estudantes da Universidade de Brasília (UnB), iniciado em junho de 2018 e que deve ser implantado no Ceará, gerará uma diminuição de cerca de 6% nos custos de distribuição no estado. Em 2016, por exemplo, o valor do repasse ao Ceará, feito pelo Governo Federal, foi de R$21,5 mi. Com a implantação do programa de redução haverá uma diminuição de cerca de R$ 1,4 mi por mês.

O "Projeto de redução de custos para gerenciamento dos carros-pipa no nordeste brasileiro" é coordenado pelo professor Reinaldo Crispiniano Garcia, do Departamento de Engenharia de Produção da UnB, e tem o apoio da Finatec, fundação de Apoio para Pesquisa, Ensino, Extensão e Desenvolvimento Institucional.

O programa desenvolvido pelo grupo de pesquisadores utiliza estatística computacional e manipulação de dados. Após cruzar as informações sobre as distâncias entre as localidades e os pontos de abastecimento, além de considerar o número de pipeiros e de caminhões disponíveis, o programa gera um mapa com os deslocamentos ideais para os caminhões-pipa de forma que se diminua a distância de distribuição e determine a logística mais adequada. A ideia é que o software seja implantado em todo o Nordeste. Além do Ceará, o projeto já é executado no Piauí e na Bahia.

“O grande problema é que os custos não eram otimizados, tudo era resolvido pela experiência e intuição das pessoas, sem aplicar ferramentas computacionais de otimização, acarretando maiores custos logísticos”, explica Garcia, gestor do projeto. 

O pesquisador da UnB reforça que a eficiência do programa só é possível se as informações sobre as regiões que necessitam de água forem passadas corretamente, um trabalho que demanda um grande fluxo de dados. Segundo ele, o Exército envia ao governo uma lista das localidades, de fazendas, pequenos povoados e municípios distantes que necessitam de água. As informações são rodadas no software, que após o processo, indica quais regiões devem ser abastecidas por quais mananciais, a partir de determinadas localidades.

Desafios

Um dos obstáculos que ainda precisa ser superado para que o projeto seja implantado em toda a região nordestina é a dificuldade em reunir todas as informações das cidades, especialmente aquelas às quais o acesso é mais difícil. Muitas se localizam nas fronteiras entre os estados, e algumas pequenas fazendas ou localidades estão onde não existem estradas.

Outro desafio descrito por Garcia é o fato de motoristas dos caminhões-pipa ganharem por quilômetro rodado, o que implica em gastos com manutenção. Alguns acabam desistindo do trabalho, pois alegam que o valor ganho pelas viagens é menor que os gastos com o veículo, já que muitos trechos, mesmo que pequenos, possuem estradas ruins e inacessíveis. Com a otimização, os ganhos deles deverão ser ainda menores.

O mestre em ciências mecânicas e estudante de doutorado na UnB, Álvaro Campos Ferreira, integrante do projeto, destaca a importância da proposta em áreas carentes do nordeste. “Nosso objetivo é aumentar a eficiência da distribuição de água através de inteligência e computação. O impacto econômico vem dessa eficiência, reduzindo a distância total percorrida pelos caminhões, sem que a capacidade de cada manancial seja excedida e nenhum município fique sem água”, finaliza o pesquisador. 

Website: http://www.finatec.org.br

 

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