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O Lixo Nosso de Cada Dia: o valioso recurso que pode transformar São Paulo

Em meio ao caos na gestão de resíduos da cidade, especialistas, sociedade civil e setor público se reúnem rumo a soluções lucrativas e ambientalmente eficientes.

Se por um lado os números sobre a quantidade de resíduos sólidos gerada no Brasil são estarrecedores, por outro eles mostram que muito pode ser feito; sobretudo quando avaliamos a destinação dada ao que é reciclável, orgânico e rejeito no País. Para se ter uma ideia, a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) calcula que nos últimos 5 anos foram enviados para lixões 45 milhões de toneladas de materiais recicláveis, que poderiam movimentar mais de R$ 3 bilhões por ano caso tivessem a destinação correta.

Enquanto o cenário é desolador para muitos, para empreendedores visionários trata-se da oportunidade de transformar problemas ambientais em negócios sustentáveis. As alavancas são as mais diversas, desde o uso das novas tecnologias digitas até aprimoramentos no design de produtos e processos industriais a partir dos conceitos da economia circular, que vê os resíduos como nutrientes para realimentar a cadeia produtiva, economizando recursos do meio ambiente.

É assim que trabalham empresas como a TerraCycle e Boomera, que investiram em tecnologia e hoje lucram reciclando também o “não-reciclável”: de esponjas de lavar louça a bitucas de cigarro, de canetas a fraldas descartáveis. Ou ainda o programa SO+MA, cujo modelo de negócio atribui pontos a quem junta materiais recicláveis para trocar por cursos, exames médicos, experiências e descontos em supermercados, por exemplo.

“Não há outra saída se quisermos coexistir numa sociedade mais saudável. O consumo e o descarte estão sendo feitos de forma irresponsável; se precisamos mudar hábitos e paradigmas, vamos usar o conhecimento para nos reinventar e gerar novos negócios, enquanto solucionamos nossos problemas ambientais”, opina Flavia Lemes, embaixadora do Instituto Lixo Zero Brasil em São Paulo, sócia da Casa Causa e coordenadora do Encontro Lixo Zero São Paulo, que acontece na capital paulista no próximo dia 28, na Unibes Cultural.

Com o tema “O Lixo Nosso de Cada Dia”, o evento vai reunir quem mais entende de gestão de resíduos sólidos, entre cooperativas, empreendedores, ativistas e poder público para mostrar boas práticas no setor. A intenção é promover diálogos propositivos em busca de soluções para os dilemas atuais em torno do descarte de resíduos sólidos na cidade.

Sensibilização, educação, redução, reuso, reciclagem, compostagem, tecnologia e design circular, serão os assuntos contemplados.

“As pessoas precisam entender que quando falamos em “jogar fora”... não existe fora! Fica tudo aqui, no planeta Terra”, elucida Xexéu Tripoli, vereador em São Paulo pelo Partido Verde. Ele é autor dos projetos de lei que proíbem o fornecimento de canudos e utensílios feitos de plástico de uso único em estabelecimentos comerciais da cidade, os chamados descartáveis. Seu gabinete estará representado no Encontro Lixo Zero.

 

Só a cidade de São Paulo gera, diariamente, uma média de 20 mil toneladas de resíduos sólidos por dia. Cerca de 40% disso poderia ser reciclado, mas somente 7% o é. Os dados são da Amlurb, autarquia responsável pela gestão dos resíduos e limpeza urbana da cidade, que também atesta que a capacidade dos aterros deve se esgotar em oito anos.

A pauliceia está no topo do ranking das cidades que mais geram lixo do País. Só a quantidade de lixo domiciliar produzida anualmente poderia cobrir até 53 metros de altura a extensão de toda a avenida Paulista, segundo o cálculo do recém-lançado portal ReciclaSampa, que estimula a reciclagem na cidade e também estará no Encontro do dia 28.

 

Nem tudo cheira mal

Uma notícia alimentou os ânimos de quem vê o copo metade cheio: durante a 4ª Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, em março deste ano, o prefeito Bruno Covas assinou o Compromisso Global para erradicar o desperdício e a poluição gerada por plásticos na capital paulista. A iniciativa mundial traça metas ambiciosas para empresas, governos e organizações estabelecerem medidas no combate às embalagens plásticas de uso único a partir dos princípios da economia circular. 

Além disso, o Plano de Metas da prefeitura para 2020 determina a redução, em quatro anos, de 500 mil toneladas de resíduos enviados aos aterros municipais.

Segundo o Urban World Forum, a principal conferência mundial sobre questões urbanas, a gestão e a disposição adequada dos resíduos sólidos é fundamental para gerar impactos socioambientais positivos, como a manutenção saudável do solo, a recuperação dos corpos d'água e mananciais, a diminuição de enchentes, a contribuição para a limpeza do ar, condições mais salubres para catadores nas ruas, além da diminuição do efeito estufa - que tem relação direta com a emissão de gases gerados na produção e disposição final de resíduos.

 “As soluções existem. O desafio e´ inverter a lo´gica do descarte e olhar para cada recurso como algo precioso que vai realimentar toda a cadeia produtiva. Quem quiser fazer parte desta transformação, estará no encontro Lixo Zero”, finaliza Flávia Lemes.

 

Website: http://casacausa.com.br

 

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