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Dia Internacional da Mulher e o lado feminino da tecnologia

Empresária do setor defende presença feminina e a tecnologia como aliada da mulher

Apesar das grandes transformações sociais, alguns setores da economia ainda carregam fortes traços de diferenças entre gêneros. A área de tecnologia é sempre um bom exemplo nesse sentido, uma vez que a predominância de homens em detrimento de mulheres é bastante grande.

A maioria das pessoas não sabe que foi a cientista da computação Jean Sammet que criou a primeira linguagem de computação amplamente utilizada, a FORMAC. Também desconhecem que Radia Perlman desenvolveu um protocolo de compartilhamento de arquivo entre computadores e foi considerada a "mãe da internet".

A empresária do ramo Sylvia Bellio, CEO da It Line Technology, eleita por quatro anos consecutivos a maior revendedora da Dell no Brasil, defende que mulheres e tecnologia sempre foram uma combinação que deu muito certo.

Elas no mercado de trabalho da tecnologia

Apesar da citada presença histórica, o mercado de trabalho atualmente impõe dificuldades para as mulheres. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente 20% do mercado brasileiro de profissionais de Tecnologia da Informação (TI) é formado por mulheres.

Outras pesquisas mostram ainda mais complicações. Segundo um levantamento realizado por uma empresa de classificados, conjuntamente com a Unlocking The Power of Women in Technology (UPWIT), mais de 50% das mulheres que trabalham com informática já sofreram discriminação.

Sylvia Bellio, que conhece os desafios, já que é a única mulher no conselho das empresas parceiras da Dell no Brasil, defende a contratação de mulheres para o setor e afirma que com espaço, valorização e respeito a contribuição de pessoas do sexo feminino pode ser muito grande.
"Entre as qualidades que nos ajudam nesta profissão está a habilidade de sermos multitarefa. Além disso, conseguimos enxergar as empresas de maneira holística e somos capazes de nos adaptarmos às mudanças. Por isso, os empreendimentos de tecnologia precisam de mais funcionárias mulheres, incluindo programadoras", ressalta a empresária.

Com mais de 15 de experiência no ramo, Sylvia defende que as mulheres precisam de oportunidade. Ela exemplifica dizendo que existe um espaço enorme para que elas possam contribuir com ferramentas para o setor de educação.
"O campo da educação precisa urgentemente de ferramentas que auxiliem o aprendizado e a didática. É preciso deixar as escolas em pé de igualdade com o que há de mais tecnológico e as mulheres podem e muito contribuir com isso. Na educação básica, 80% dos docentes são mulheres, por exemplo. Poderíamos unir estas professoras e as programadoras para chegar a soluções inventivas que melhorem o ensino", argumenta.

A empresária explica que não existem diferenças significativas entre o desempenho de homens e mulheres na área de tecnologia. Ela afirma que meninas que pretendem seguir por essa carreira devem ser incentivadas pelas pessoas próximas.

Justamente para encontrar soluções para as diferenças de gênero do setor, a CEO participou dos dois últimos DWEN (Dell Women Entrepreneur). No ano passado, o evento, que debate empreendedorismo e mercado de trabalho para as mulheres, foi realizado em Toronto, Canadá.
Além disso, a especialista tenta contribuir com o debate de outras formas. Recentemente ela lançou o livro "Simplificando o TI", que tem como objetivo desmistificar os conceitos que cercam o mundo da computação e mostrar que qualquer um pode, com dedicação e estudo, entrar no mercado. A It Line tem, inclusive, 50% do seu quadro de funcionários formado por mulheres.

Tecnologia como aliada das mulheres

Sylvia afirma que há muitas décadas pessoas do sexo feminino se destacam no campo e apresentam inovações importantes para a sociedade. Por isso, ela defende que as mulheres também devem utilizar a tecnologia como aliada, já que grandes contribuições para o campo vieram deste público.
"Nós, mulheres, temos cada vez mais atividades cotidianas. Além das questões profissionais, fazem parte da nossa rotina idas a médicos, atividades domésticas e quando somos mães, todos os compromissos com os filhos. Por isso é importante nos organizarmos utilizando as agendas dos celulares, por exemplo", salienta.

Sylvia também cita outros exemplos. Já existem opções de programas para celulares de caronas de veículos dirigidos exclusivamente por mulheres, calendários de ciclos menstruais, aplicativos de segurança que avisam sobre locais perigosos e até mesmo opções que alertam quando uma mulher é interrompida por um homem em uma conversa, fato conhecido como "manterrupting".
"Existem, ainda, fóruns de discussões online que podem ser fontes de auxílio para mulheres. Em locais assim, existe um grande suporte mútuo e um ambiente seguro para conversas e dúvidas que às vezes temos", complementa Sylvia.

Mudanças sociais

Sylvia diz que muito trabalho ainda precisa ser feito para que a lacuna entre os gêneros não exista. Porém, ela também gosta de ressaltar que muita coisa já foi feita para que o mundo da tecnologia trate iguais homens e mulheres.
"A reeducação em curso é bastante grande. Os espaços estão sendo ocupados cada vez mais e a pecha de "sexo frágil" some um pouco a cada dia. É importante lembrar que, apesar de termos muito a fazer, estamos superando os desafios", cita positivamente.

A especialista comenta que durante as últimas décadas até o conceito de família acabou mudando, a partir do progresso do empoderamento feminino. Ela comenta que tanto homens quanto mulheres têm tido o papel de prover o lar e cuidar das tarefas caseiras, como cuidar dos filhos.
Segundo Sylvia, a mudança faz parte do progresso constante que a sociedade tem observado no mercado de trabalho. Ela diz ser ela mesmo um exemplo disso, já que foi a primeira na família a se dedicar a um setor como a tecnologia.
"O papel da mulher socialmente mudou, não há dúvida. Hoje cuidamos dos filhos, da casa e trabalhamos fora. Fazemos tudo isso sem perder a feminilidade, lembrando sempre da força que temos e que não podemos nos deixar abalar por nada. Isso vale para quem está no setor de TI ou qualquer outro", finaliza.

 

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