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Rede de dormir artesanal produzida na Paraíba ganha prêmio internacional

O prêmio "Reconhecimento de Excelência Artesanal do Cone Sul" foi dado pelo World Crafts Council (Conselho Mundial de Artesanato) sob auspícios da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura – Unesco.

Na Economia Criativa, o Artesanato é um setor que contribui com a expressão e preservação cultural apresentando ao mercado valores estéticos e de identidade de um povo. Em São Bento, na Paraíba, a produção têxtil realizada na Santa Luzia Redes e Decoração em teares manuais e mecânicos -- com acabamentos artesanais -- trouxe a Armando Dantas, executivo da empresa, o prêmio "Reconhecimento de Excelência Artesanal do Cone Sul".

O prêmio foi dado pelo World Crafts Council -- Conselho Mundial de Artesanato -- com apoio, proteção e recomendação da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura – Unesco. Como organização internacional, a Unesco é referência pela visão global do papel sociocultural e econômico do artesanato na sociedade.

Os produtos artesanais selecionados respondem aos seguintes critérios e condições: o prêmio reconhece que um produto artesanal (ou linha de produtos) segue os critérios de qualidade técnica, inovação, vínculo cultural e produção com respeito ao meio ambiente. Outro critério é a possibilidade do produto ser comercializado internacionalmente.

Quem apresentou os produtos artesanais do Estado da Paraíba para a seleção foi Eduardo Barroso. Como consultor e coordenador do programa João Pessoa Cidade Criativa da prefeitura da cidade, ele esteve presente na Assembleia do Conselho Mundial de Artesanato, realizada no Uruguai, cuja programação previa a seleção dos produtos artesanais oriundos dos países do Cone Sul: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile.

Sustentabilidade social, ambiental, econômica e cultural

Com foco na sustentabilidade, a rede de dormir premiada foi desenvolvida em algodão colorido orgânico da Paraíba. A pluma do algodão certificado já nasce com tons que vão do bege ao marrom, sem uso de aditivos ou corantes. O cultivo da matéria-prima é feito sem irrigação na região do semiárido em assentamento rural. Como não há tingimentos, o impacto na economia de água é de 87,5% na cadeia produtiva, de acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias – Embrapa. O contrato é de compra garantida para que os agricultores e suas famílias viabilizem a permanência no campo, mantendo suas tradições e vivendo de forma digna.

Dantas recebeu a notícia com emoção. “A sensação é de superação. Temos sonhos. Temos causa. Somos insistentes. Passamos por uma crise e foi muito difícil, mas em uma decisão coletiva colocamos a meta de sermos os melhores em nosso setor e todos se engajaram. O prêmio é uma validação de que nossos esforços não foram em vão”, diz o responsável por trazer cultura empresarial para o artesanato em sua região.

Excelência como resultado da inovação

Barroso explica que o prêmio é realizado a cada três ou quatro anos, sem data pré-determinada. O reconhecimento é dado por região como de países Andinos, da América Central e do Caribe, do Norte da Europa, da Ásia, entre outras. De acordo com o consultor não é um prêmio de design. “Trata-se de reconhecer a excelência na execução do trabalho artesanal”, diz.

Para Dantas o reconhecimento da excelência na execução da rede Trancê é também resultado do investimento em inovação. Quando recebeu consultoria para adequação do programa de exportação TexBrasil, da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e da Confecção – ABIT, Armando foi alertado que o trabalho artesanal em seus produtos seria ainda mais valorizado no exterior. “Já fazíamos artesanato, mas a consultoria ampliou nossa visão de mercado”, diz. Assim, com o apoio do Sebrae, Armando Dantas manteve o foco no desenvolvimento de produtos alinhados com o setor de decoração investindo em design, para garantir a produtividade, e em marketing, para aumentar a demanda. ­­“O marketing contribuiu para alcançar o mercado comunicando nossa capacidade criativa e produtiva na criação e desenvolvimento de utilitários e produtos artesanais e sustentáveis para decoração”, revela.

Desta forma, Armando Dantas, que há 32 anos vendia redes de porta em porta, hoje exporta para a Europa, a América do Norte e África. Ele é um dos responsáveis por São Bento ser conhecida como a “capital internacional das redes” e por manter viva várias técnicas artesanais na região e entorno. Além da fábrica têxtil Santa Luzia Redes e Decoração, a produção artesanal envolve 400 famílias na região do sertão paraibano. Nos acabamentos técnicas como macramê, rendas, crochê, fuxico, patchwork, entre outras feitas exclusivamente à mão.

Seu trabalho propõe resgate das vocações regionais, preservação da cultura local, promoção da agricultura familiar e estímulo ao empreendedorismo -- capacitando os artesãos para o mercado. A excelência na execução, fruto do engajamento dos envolvidos no processo, agora foi reconhecida oficialmente, contribuindo para que seus produtos tenham aceitação no mercado interno e externo.

Premiação foi em João Pessoa – Cidade Criativa da Unesco

No total, 20 artigos artesanais originários dos cinco países foram premiados. Do Brasil, dos quatro produtos premiados, três são da Paraíba. Além de Armando Dantas, da Santa Luzia Redes e Decoração, foram laureados os artesãos Joaquim da Silva Neto (Joca dos Galos) com um galo de folhas de fandres (latas) e Fernando Valentim (Mestre Valentim) com uma garrafa de marchetaria. Outro produto que ganhou reconhecimento foi uma cesto de capim dourado do Jalapão, no Estado de Tocantins.

O prêmio "Reconhecimento de Excelência Artesanal do Cone Sul" foi entregue por Alberto Bertolaza, presidente do Conselho Mundial de Artesanato para a América Latina (2010-2018) -- vindo do Uruguai especialmente para o encerramento da I Feira Internacional de Economia Criativa de João Pessoa, coordenada por Barroso.

Na cerimônia estavam presentes Idrassen Vencatachelum, diretor da Rede Internacional de Desenvolvimento do Artesanato, Maísa Cartaxo, primeira-dama de João Pessoa, e Regina Amorim, gestora de Turismo do Sebrae Paraíba.

“Este reconhecimento significa muito para nós, artesãos. Iniciei a vida como vendedor ambulante, tenho carteira de artesão e muito orgulho dessa história que hoje gera empregos e ajuda no desenvolvimento da Economia Criativa em João Pessoa e na cidade de São Bento, na Paraíba”, afirmou Armando Dantas, da Santa Luzia Redes e Decoração, que falou em nome dos premiados.

Website: https://www.redesantaluzia.com.br/

 

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