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Diversity Washing, um atentado contra as políticas de Diversidade

A "lavagem da diversidade" é o movimento atual de empresas que, por exemplo,até abonam as horas de trabalho de mulheres no dia 08 de Março mas não atuam em abusos diários dentro do próprio ambiente de trabalho, desde manterrupting a questões de assédio. Falam de diversidade de orientação sexual mas não possuem o mínimo conhecimento sobre como absorver homens e mulheres trans em seu quadro.<br/>

O termo "Green Washing" - uma empresa que divulga adotar práticas ecologicamente corretas ou sustentáveis, mas não implementa nenhuma mudança além de colocar latas de coleta seletiva na cozinha - é bastante utilizado por organizações ambientais. Porém, o termo Washing não limitou-se à área da ecologia e avançou para o campo da Diversidade.

Empresas com equipes variadas tendem a lucrar até 33% a mais que equipes homogêneas (estudo da McKinsey Co, 2017), embora seja perceptível mudanças no comportamento da mídia, principalmente após os EUA e Brasil terem eleito um negro e um nordestino como presidentes -respectivamente-, as minorias ainda não viram mudanças nas estruturas organizacionais.
"Existe um desrespeito completo quando falamos de equiparação e reparação nas temáticas de diversidade. Assim como as escolas usam capoeira para justificar que cumprem a obrigatoriedade da lei 11.645 de Ensino da História da África, muitas empresas e consultores usam eventos corporativos e peças publicitárias para cumprir por tabela as temáticas de Diversidade cada vez mais latentes", adverte Alan Soares, fundador do Movimento Black Money.

Cada vez mais corriqueiras, devido a transformação digital, as denúncias de atos discriminatórios surgem na rede e chamam a atenção de consumidores e ativistas de direitos humanos, como casos que vão desde o aluno chamado de escravo por seu colega de faculdade, até a peças publicitárias ofensivas. "Fatos como estes são repetitivos, isso porque a Diversidade não está nas posições e estruturas de poder das instituições públicas e privadas. Este é o retrato do Brasil, em seu racismo estrutural e institucional" desabafa Rodrigo França, sociólogo e ator da peça Contos Negreiros, sucesso de público no Rio de Janeiro.

Segundo dados do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do Instituto Ethos - o Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas Brasileiras e suas Ações Afirmativas, de 2016, ao realizar um recorte racial apenas 4,7% são negros, no de gênero temos 13,6% das Mulheres ocupando cargos executivos e quando se destaca a participação de mulheres negras reduzimos para 0,4% de representatividade.

Para que não haja dúvidas sobre a importância do mercado da Diversidade:
- As mulheres são responsáveis pelas decisões de compra em 61% dos lares, mostrou a pesquisa realizada pela agência J. Walter Thompson.
- Em 34% das casas, as decisões são tomadas em conjunto por homens e mulheres e em apenas 3% dos lares é só o homem quem toma as decisões de compra sozinho.
- A população LGBTQ no Brasil chega a 18 milhões e empresas ainda ignoram esses consumidores e seu potencial de consumo. Possuem renda média de R$ 3.247,00 e 47% está nas classes AB.

De acordo com o Instituto Locomotiva (de Ricardo M.), em 2017, a comunidade negra brasileira teria movimentado aproximadamente R$ 1.6 trilhão de reais. "O Brasil negro seria o 11º país do mundo em população e o 17º em consumo", explica Ricardo. "Se os negros formassem um país estariam no G20 do consumo mundial", complementa o pesquisador. Segundo estudo da consultoria Santo Caos lançado em São Paulo no dia 26/03, empresas que incentivam internamente programas de diversidade possuem 16% maior engajamento de seus profissionais (negros e não negros). "Ações de algumas empresas no dia 08 de Março demonstram que mulheres e outras diversidades não possuem participação, quem dirá inserção em níveis estratégicos, isto fica evidente na ação de marketing ofensiva que uma rede de fast food realizou, no Dia Internacional da Mulher", afirma Nina Silva, Presidente do Movimento Black Money e Project Manager na ThoughtWorks.

A 'lavagem da diversidade' é o movimento que empresas que, por exemplo, abonam as horas de trabalho de mulheres no dia 08 de Março mas não atuam em abusos diários dentro do ambiente de trabalho, desde manterrupting a questões de assédio. "As empresas falam de diversidade e orientação sexual mas não possuem o mínimo conhecimento sobre como absorver homens e mulheres transgêneros em seus quadros. As práticas segregadoras apenas ressaltam e reforçam as disparidades dentro das maiores empresas do país." ressalta Armando Julio, universitário de 20 anos, pré-selecionado no programa Shell Iniciativa Jovem, que buscou empreender junto ao MBM para lutar em prol da empregabilidade da população negra no Brasil.

"Em um país com legislação para empregabilidade de pessoas com deficiências, temos apenas 1% dessa população empregada. Não basta instalar rampas e alças nos sanitários para quem tem problema de mobilidade se quando são absorvidos não estão em funções de visibilidade. Jovens aprendizes em sua maioria são negros mas não recebem treinamentos para seu desenvolvimento, sendo colocados em funções básicas administrativas, com alto turnover por apenas estarem cumprindo números de obrigatoriedade sob legislação", adverte Alan Soares.

Como prevenção ao despreparo das empresas com o tema Diversidade, o MBM lançou a campanha #DiversityWashing que apoia empresas que desejam sair do ostracismo sobre este tema. Serem apenas retratados em campanhas não é suficiente para esse público voraz por equidade de oportunidades e representatividade nas instituições. Hoje, o consumidor quer se ver dentro do seu ambiente de trabalho e poder ter oportunidades da mesma maneira que tem sua imagem comercializada em propagandas. O Movimento Black Money, através de consultorias e estudos de benchmarks, executa um trabalho de apoio e elucidação para empresas que queiram fomentar a Diversidade como pilar de atuação e não apenas uma falsa inclusão.

"As empresas se distanciam do desafio da Inclusão, por ignorarem o assunto e/ou falta de engajamento. É necessário oferecer treinamentos, mentorias, benchmarks para gestores e explicar aos funcionários que fazem parte de um programa maior de inclusão. Demonstrar a essas 'minorias' que existem oportunidades em todos os níveis hierárquicos, apontando o alinhamento da prática com o discurso. Empresas como Thoughtworks, Bayer, Adiq e Trader Brasil são exemplos de como o posicionamento das suas lideranças, dentro e fora do escritório, tornam-se pilares para a construção de políticas para Inclusão e equidade entre Diversidades", complementa Nina Silva.

Saiba mais em: http://bit.ly/DiversityWashing


Website: http://www.movimentoblackmoney.com.br

 

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