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Deutsche Bank prepara plano B caso não compre o Commerzbank

Alguns de seus maiores acionistas querem que o banco prepare opções, diante dos obstáculos à combinação das duas instituições

Deutsche Bank - predio banco alemanha
(Wikimedia)

(Bloomberg) -- Deutsche Bank trabalha em uma estratégia alternativa para apresentar aos investidores na eventualidade de um colapso nas negociações para compra do rival Commerzbank. A informação é de pessoas a par dos esforços.

Alguns de seus maiores acionistas querem que o banco prepare opções, diante dos obstáculos à combinação das duas instituições. Segundo uma das pessoas ouvidas pela reportagem, o presidente Christian Sewing considera dois cenários principais: uma pequena atualização na estrutura (cortes mais acelerados nos custos, inclusive na divisão de banco de investimento) e uma mudança estratégica maior (que geraria mais custos imediatos).

As negociações formais entre os dois bancos alemães se arrastam há quase cinco semanas e não há sinal de acordo tão cedo. A oposição vem aumentando. Sindicatos tentam evitar dezenas de milhares de demissões e o apoio político também diminuiu. Mesmo dentro dos bancos, há um entendimento amplo dos obstáculos ao negócio e integrantes do alto escalão ainda não decidiram se faz sentido seguir adiante, segundo pessoas que relataram o conteúdo das conversas.

Pelo menos dois grandes investidores do Deutsche Bank afirmaram que esperam de Sewing uma nova estratégia se as discussões fracassarem. Não haveria credibilidade em simplesmente voltar para o plano antigo, que se mostrou insuficiente para elevar a lucratividade e o preço da ação da instituição, segundo investidores, que pediram anonimato.

Uma porta-voz do Deutsche Bank não quis comentar.

Obstáculos

O líder do comitê de supervisão do Deutsche Bank, Paul Achleitner, avisou que o banco pretende passar informações atualizadas quando publicar os resultados do primeiro trimestre, em 26 de abril. O Commerzbank vinha tentando definir uma posição antes disso para aliviar o clima de incerteza entre os funcionários, segundo uma pessoa com conhecimento da situação.

Sempre foi grande o ceticismo em relação aos benefícios que seriam gerados pelo casamento dos dois bancos, mas as discussões tiveram o apoio do Ministério das Finanças da Alemanha. Mesmo com todos os obstáculos, o acordo ainda pode ser assinado, considerando tudo o que está em jogo para os bancos e para a própria economia do país.

Entre os principais obstáculos estão a expectativa de perda de receitas, dificuldades para baixar custos e a forma de captação do dinheiro necessário para realizar a transação.

A aquisição também poderia levar à reavaliação de alguns dos ativos do Commerzbank, que tem no balanço 2,4 bilhões de euros a mais do que seu atual valor de mercado. Já as despesas com reestruturação são estimadas em 4 bilhões de euros.

Tudo isso poderia reduzir o benefício com economias de custos que poderiam ocorrer por meio da eliminação de vagas e agências. Até 40.000 empregos estão ameaçados, segundo sindicalistas. Parlamentares de diversas linhas — inclusive do Partido Social Democrata, do ministro das Finanças, Olaf Scholz — se posicionaram contra os cortes.

Sendo assim, um comprador estrangeiro pode ser mais atraente para o Commerzbank. O ING Groep já abordou o banco e o governo alemão sobre o tema, informaram pessoas a par do caso. Ralph Hamers, o presidente do maior banco holandês, chegou a prometer que demitiria menos gente do que no caso de uma fusão entre Commerzbank e Deutsche Bank e que transferiria a sede do ING de Amsterdã para Frankfurt, segundo reportagem da Manager Magazin.

Há notícias de que o UniCredit, da Itália, também estuda fazer uma oferta pelo banco alemão.

--Com a colaboração de Patrick Winters, Greg Farrell e Matthew Miller.

Repórteres da matéria original: Steven Arons em Frankfurt, sarons@bloomberg.net;Eyk Henning em Frankfurt, ehenning1@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Dale Crofts, dcrofts@bloomberg.net, Christian Baumgaertel, Ross Larsen

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