Em negocios

O rei dos carros na web

Criador do Webmotors e do iCarros, Sylvio Alves de Barros Netto tornou-se referência quando o assunto é venda de veículos pela internet

Sylvio de Barros - Icarros
(divulgação)

SÃO PAULO - Paixão por carros e por inovação. É essa a receita de sucesso de Sylvio Alves de Barros Netto, um dos empresários mais relevantes no universo digital do país. Criador do Webmotors e do iCarros, o empreendedor apostou na internet em uma época em que a rede mundial de computadores ainda era algo muito distante do dia a dia dos brasileiros.

Foi em 1995, enquanto era funcionário da General Motors, que ele criou o Webmotors. Na época responsável por elaborar o catálogo de vendas e de treinamento para vendedores da montadora, Netto percebeu que, com a abertura comercial pela qual o Brasil passava, o número de carros no país crescia consideravelmente. Era impossível manter as informações atualizadas sobre todos os carros de forma manual. Ao buscar ferramentas que pudessem ajudá-lo, ele descobriu a internet e se interessou de imediato.

Muito mais do que uma ferramenta facilitadora, Sylvio viu na web a oportunidade de transformar o tradicional caderno de classificados automotivos – que os jornais publicavam aos domingos – em um site. O Webmotors nasceu como o primeiro portal brasileiro desse segmento. Muitas pessoas não acreditavam que suas ideias dariam certo, porque, na época, havia apenas 800 mil internautas no Brasil. Ele conta que foi bastante difícil lidar com a descrença das pessoas, o alto custo do desenvolvimento de sistemas e a falta de mão de obra qualificada. Para solucionar o problema, o empresário convidou seu desenvolvedor para ser seu sócio.

Com mais estrutura, a empresa começou a se destacar e se tornou o canal automotivo do UOL. Assim, atraiu investidores-anjos. “Eu recebia pessoas que falavam de investimentos, de fundos e capital de risco, e não entendia do que se tratava.” Decidiu então estudar e entender essas propostas e, em 1999, aceitou dois novos sócios, o GP Investimentos e o JP Morgan Partners. Foi nessa época, que ele percebeu que o negócio estava no caminho certo e decidiu largar o emprego que ainda mantinha na montadora.

No final da década de 90, porém, o estouro da bolha da internet – que fez com que muitos negócios pontocom fossem vendidos – freou seus planos. “Se tivéssemos continuado, teríamos sumido. Diferentemente de nós, que tínhamos experiência, havia muita gente querendo aparecer. E nós não conseguíamos mostrar nosso valor.”

Na época, o banco Real/ABN AMRO até se mostrou interessado em comprar a empresa, mas como o valor do site estava acima do que a instituição financeira imaginava pagar, não chegaram a um acordo. No final da bolha, o negócio acabou sendo fechado por um valor inferior ao inicialmente almejado – mas nunca divulgado.

Vida de empregado
Com a venda do Webmotors, Netto deixou de ser o dono da companhia para novamente se tornar um funcionário. Mas voltar ao mundo corporativo como empregado foi um choque. “Eu já tinha sido mordido pelo bichinho do empreendedorismo, e era difícil conviver naquele ambiente.” Alguns meses depois, pediu demissão e se desligou definitivamente da companhia que criou.

Nesse período, aventurou-se no setor de saúde. “Não tinha ninguém investindo nesse segmento, achei que era uma boa oportunidade.” Com dois ex-colaboradores que haviam montado o site Jet Saúde, o empreendedor investiu e criou o portal Minha Vida, que hoje tem 8 milhões de usuários únicos por mês. Apesar de o negócio ter prosperado, sentia que faltava algo: ele não estava trabalhando com os carros, sua verdadeira paixão.

O problema é que o contrato assinado com o banco Real exigia que ele ficasse afastado do setor automotivo por alguns anos. Em 2007, com o fim da quarentena, Sylvio foi procurado pelo Itaú, de quem se tornou sócio. “No Brasil, o banco tem uma importância na cadeia automotiva que não tem em nenhum outro lugar do mundo, porque é parceiro da revenda no financiamento bancário.”

Novo negócio, nova estratégia
No novo negócio, Netto mudou a estratégia. Comprou um site que já existia, e o Itaú entrou como parceiro. Assim, a instituição financeira tornou-se responsável pela área comercial e contábil do portal iCarros, enquanto Sylvio cuidaria de gestão de marketing, tecnologia e conteúdo. “Tiramos o melhor que o Itaú pode oferecer, sem engessar a estrutura, já que uma empresa de tecnologia tem de ser ágil”, avalia.

 A estratégia deu certo. Em menos de quatro anos, o site acumula 12 milhões de visitas por mês, o que deu a ele a liderança em audiência no segmento, ultrapassando, inclusive, o Webmotors, que hoje está nas mãos do Santander. “Temos 20% de audiência a mais que meu primeiro portal”, conta.

Negócios à parte
Apesar de ter voltado a empreender no setor de que mais gosta, Sylvio não se fechou a outras oportunidades. Ele também é sócio de um site destinado aos profissionais de arquitetura, chamado Arkad. No espaço, é possível navegar por fornecedores e showrooms de todo o país. “Além do banco de dados, fazemos curadoria, o que não exista na internet.” Atualmente há mais de 220 arquitetos cadastrados, mais de 20 mil produtos e 250 lojas anunciando. Talvez seja este o segredo do empresário: investir naquilo que ainda ninguém investiu. “Estamos passando por uma janela de oportunidades”, afirma ele.

Carros e riscos: paixões também fora dos negócios
Além de trabalhar com automóveis, Sylvio se diverte com eles. Nas horas vagas, gosta de pilotar um Porsche de corrida. O empresário começou a correr em 1995, no Rally dos Sertões. “Era uma grande aventura.” Após uma queda numa prova de motos no Marrocos, que lhe rendeu muitas sessões de fisioterapia, ele desistiu dos ralis. Foi então que um amigo o convidou para a Porsche GT3 Cup Challenge Brasil. A ideia de abrir o GP do Brasil de Fórmula 1 e correr sem ter de modificar o carro despertou o interesse de Sylvio. “Você senta e anda.” Ele explica que os participantes não precisam se preocupar se alguém treinou mais do que o outro ou se alguém tem uma peça mais sofisticada, porque os carros são originais de fábrica. Na última prova de 2012, o empresário tornou-se bicampeão da categoria. “Não chego a ser um piloto profissional, mas participar de um esporte de risco me faz muito bem.”

 

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