LAME4: principal aposta dos analistas no setor ainda não vingou em 2011

Mantendo uma ótima performance operacional, analistas culpam sua forte exposição à B2W pelo fraco desempenho das ações no ano

SÃO PAULO – Em 2010, as varejistas viram suas ações figurarem entre as maiores altas da bolsa brasileira, contrariando o tímido desempenho do Ibovespa, que subiu apenas 1,05% no mesmo período. O movimento positivo do setor, no entanto, não embalou todas as empresas, como é o caso da Lojas Americanas (LAME4), que viu seus ativos recuarem 0,89% naquele ano.

Esse “atraso” em relação aos seus pares acabou despertando um certo otimismo por parte dos analistas para as ações da varejista. Aliado a isso, o agressivo plano de crescimento da empresa, que prevê chegar a marca de 900 lojas até o final de 2013, a baixa dependência de crédito e sua forte penetração em diversas classes sociais ajudaram a posicionar o ativo LAME4 como uma principais apostas do mercado para 2011.

Contudo, até o último dia 11 de abril, as ações da Lojas Americanas acumulavam perdas de 11,01% em 2011, desempenho abaixo tanto do Ibovespa, que recuou 1,65% nesse período, quanto da maioria das outras varejistas voltadas ao consumo cíclico, como Lojas Renner (LREN3, -3,18%), Restoque (LLIS3, -0,76%), Grendene (GRND3, +4,08%), Guararapes (GUAR3, +6,57%), Marisa (AMAR3, +8,11%), Hering (HGTX3, +16,85%).

PUBLICIDADE

Mas como uma empresa atuante em um segmento diretamente exposto às condições macroeconomicamente favoráveis do País – aumento da renda da população, queda do desemprego, maior confiança do consumidor e do empresário, entre outros – e que vem apresentando resultados operacionais consistentes a cada trimestre não consegue transformar isso em maior valor de mercado? Para os analistas, a explicação é simples e tem um nome: B2W (BTOW3).

A pedra no caminho da Lojas Americanas
Braço operacional da Lojas Americanas no mercado de e-commerce (vendas pela internet), a B2W vem sofrendo com a concorrência cada vez mais acirrada nesse segmento, o que tem deteriorado suas margens e seu market share a cada trimestre, mitigando o otimismo dos analistas sobre o futuro da empresa. A Lojas Americanas acaba sentindo essa má performance, visto que ela detém 56,57% das ações ordinárias da varejista online.

E é justamente essa forte participação na B2W que tem gerado tanta desconfiança do mercado sobre a empresa. Isso porque no dia 23 de março – mês em que os papéis PN da Lojas Americanas esboçavam uma certa reação, acumulando ganhos de mais de 8% nos primeiros 15 dias – a B2W anunciou que realizará um aumento de capital no valor de R$ 1 bilhão por meio de oferta de ações, com a Lojas Americanas afirmando que comprará não só a totalidade das ações que tem direito como também as ações daqueles acionistas que optarem por não participar da oferta.

“O que vemos é a controladora assumindo o compromisso de aportar um valor entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão em uma empresa com perspectivas pouco atrativas e que atua em um segmento bastante competitivo”, afirma Marcelo Varejão, analista da Socopa Corretora. Para ele, mais do que imobilizar essa quantia milionária da B2W, o principal fator de preocupação acaba sendo o possível impacto no ambicioso plano de investimentos da Lojas Americanas. “Eu não sei onde isso pode impactar a estratégia de crescimento da empresa”, conclui Varejão.

Seguindo essa linha de raciocínio, a equipe de análise do Banif comenta que o forte aporte financeiro que a Lojas Americanas deverá fazer na B2W acaba fazendo com que o investidor olhe com mais aversão o investimento na ação da empresa.

Já o analista Renato Prado, do Banco Fator Corretora, comenta que as operações da Lojas Americanas podem ser impactadas caso a B2W não apresente melhorias após esse aporte financeiro.

PUBLICIDADE

Cabe ressaltar que, após o anúncio feito pela B2W, muitas casas de research revisaram o preço-alvo estimado e as projeções de resultados para ambas as empresas. Em apenas uma semana, Bank of America Merrill Lynch, Citigroup, BTG Pactual e Credit Suisse atualizaram suas estimativas para LAME4 e BTOW3, com a grande maioria indicando certa insatisfação com o aumento de capital anunciado.

Apesar disso, expectativa sobre LAME4 ainda é favorável
Mesmo não tendo acompanhado seus pares em 2010 e apresentando um desempenho decepcionante nesse início de 2011, a Lojas Americanas continua sendo muito bem vista pelos analistas. Entre os principais motivos estão os resultados operacionais da companhia, que seguem apresentando um forte ritmo de crescimento frente às outras varejistas de consumo cíclico.

“O desempenho operacional da Lojas Americanas continua muito bom. Basta olhar os resultados de 2010, quando a companhia cresceu 11% em vendas mesmas lojas em relação a uma base bastante forte que foi o ano de 2009”, diz o time de análise do Banif, ressaltando ainda que poucas empresa mostraram um crescimento de dois dígitos nas vendas mesmas lojas e, se mostraram, poucos deles tinham uma base comparativa forte como a Lojas Americanas.

Resultados do 1T11 da B2W deverão ditar rumo das ações
Como temos percebido em 2011, não é só de seus próprios resultados que as ações da Lojas Americanas dependem para apresentar valorização. Tudo dependerá de como a B2W reagirá daqui pra frente com esse estímulo financeiro, afirma Prado, do Fator. Até lá, a tendência é de que as ações LAME4 sigam andando de lado, acredita o analista.

Contudo, Prado espera que já nos números do primeiro trimestre de 2011 da B2W – que deverão ser divulgados entre maio e junho – consiga-se perceber algum efeito do aporte financeiro bilionário e, consequentemente, os impactos sobre as ações das duas empresas.

E as expectativas do analista do Fator para os resultados da B2W mostram-se até que otimistas, acreditando que a performance da varejista online já caiu tudo que tinha que cair. “Os resultados da empresa já alcançaram números muito fracos em relação ao potencial já demonstrado por ela e praticamente bateram o fundo do poço. Eu acredito que esses próximos resultados devam apresentar melhora”, finaliza Prado.