Denúncia

Joesley Batista, da JBS, é denunciado pelo MPF por sonegar R$ 10 milhões

Presidente da holding que controla o frigorífico é apontado por sonegar impostos entre janeiro de 1998 e julho de 1999

SÃO PAULO – O Ministério Público Federal, de Goiás, denunciou Joesley Batista, CEO (Chief Executive Officer) da J&F, holding que controla o grupo JBS (JBSS3), por sonegar mais de R$ 10 milhões entre janeiro de 1998 e julho de 1999. Na semana passada, a Justiça Federal recebeu a acusação, determinando o processamento da ação penal contra o denunciado.

Sócio majoritário e administrador do então frigorífico Eldorado Indústria e Comércio de Carnes, conhecido como Friboi, Joesley suprimiu tributos e contribuições sociais devido à União, mediante a omissão de informações às autoridades fazendárias. 

Apesar do encerramento de suas atividades da Friboi, de 1998 a 1999, vários depósitos de dinheiro foram realizados nas contas bancárias titularizadas pela empresa. Alguns com valores bem altos. Por exemplo, no dia 31 de janeiro de 1998, foi depositado cerca de R$ 12 milhões, apontam as informações no site do Ministério Público Federal. Outros 15 depósitos foram realizados após o encerramento das atividades da empresa. O penúltimo depósito, já em 1999, quase um ano e meio após ter dado baixa cadastral, foi depositado o valor de R$ 2,8 milhões na conta da empresa.

Em resposta, a assessoria da J&F disse que o empresário Joesley Batista não recebeu nenhuma intimação do MPF. “Com relação ao processo, que se originou numa discussão na Receita Federal, sobre auto de infração no valor de R$ 4 milhões, o empresário obteve decisão favorável em grande parte da discussão na esfera administrativa e espera que o MPF tenha a mesma interpretação. O empresário considera que o débito é nulo e, portanto, indevido. Para poder discutir judicialmente o débito, entretanto, Joesley Batista ofereceu, e foi aceita pela Receita Federal, uma carta de fiança no valor de R$ 10 milhões. Dessa forma, não haverá prejuízo para os cofres públicos, independentemente da decisão a ser tomada”, esclarece.

O processo judicial, em que se discute a nulidade da cobrança, aguarda decisão da justiça federal de Anápolis.