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Oportunidade ou problema? Empreendedores reagem à eleição de Trump

Fintech Class reúne CEOs e especialistas otimistas e assustados com o cenário que se desenha

Donald Trump
(Bloomberg)

SÃO PAULO - A inesperada vitória de Donald Trump nas eleições dos Estados Unidos desta terça-feira causou as mais difersas reações entre empreendedores do mercado de fintechs. Para alguns, a tendência agora é que o cenário fique mais complicado para este meio, já que a mudança de gestão na maior economia do mundo pode gerar uma busca por investimentos menos arriscados que startups. 

Quando candidato, o bilionário pregou em diversos discursos um mercado mais fechado a economias estrangeiras. Em discurso posterior à eleição, porém, afirmou estar aberto a ter boas relações com todos os países interessados em dialogar com os EUA. 

"Ainda bem que eu consegui essas parcerias antes do Trump se eleger", disse o CEO do Guiabolso, Thiago Alvarez, em apresentação na manhã desta quarta-feira durante o evento Fintech Class. Para ele, o lado do funding pode ser o mais prejudicado por uma busca por segurança, algo que não aconteceria caso Hillary vencesse as eleições. 

"Tomara que eu esteja errado", disse, "mas se a Hillary vencesse o cenário seria mais estável. Para quem depende do investimento externo é necessário entender que agora vai ser mais difícil", explicou ao InfoMoney. Sua opinião, todavia, não é unânime. 

Guga Stocco, diretor de estratégia do Banco Original, acredita que o cenário é de "circo", mas que deve ter pouco impacto no mercado brasileiro, pelo menos por enquanto. "Caso haja uma mudança de mentalidade e fique pior a economia nos Estados Unidos, os americanos vão acabar partindo para outros mercados, então essa pode ser até uma oportunidade para o Brasil", comentou. "Mais pessoas vão investir aqui se tiver algum problema lá".

Este posicionamento é semelhante ao de Sérgio Furio, CEO da startup de crédito Bank Fácil. "Os investidores norte-americanos vão perceber que o mercado nacional para eles vira um mercado mais arriscado, e vão olhar para o restante do mundo", opinou o espanhol que trabalha com o mercado de fintech no Brasil há mais de dois anos. 

O investidor norte-americano, que hoje concentra sua renda principalmente no Vale do Silício, "de repente vai perceber que está no meio do negócio e vai buscar ainda mais por diversificação", o que deve ser uma oportunidade para o Brasil.

 

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