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PetroRio: o passado complicado deu origem a uma empresa promissora

Em 3 anos, os resultados melhoraram e as ações valorizaram mais de 1.000%. A PetroRio foi escolhida a melhor companhia da Bolsa no setor de petróleo e gás, segundo o ranking feito pelo InfoMoney em parceria com Ibmec e Economatica

PetroRio
(Divulgação)

SÃO PAULO - Passados pouco mais cinco anos desde que atingiu o fundo do poço, a PetroRio (PRIO3) se tornou um caso de destaque no setor de petróleo e gás. Seus números são uma evidência disso. A produtora de petróleo e gás lucrou R$ 205 milhões em 2018, 300% mais que no ano anterior. As receitas aumentaram 59%, para R$ 849 milhões. E as ações valorizaram mais de 1000% nos últimos três anos. 

A PetroRio foi escolhida a melhor empresa do setor de petróleo e gás no ranking Melhores Empresas da Bolsa, feito pelo InfoMoney em parceria com o Ibmec e a Economatica. O ranking analisou diferentes indicadores das companhias abertas em três anos, de 2016 a 2018 (confira as demais vencedoras e a metodologia da pesquisa).

A história por trás desses resultados é tão surpreendente quanto improvável. A PetroRio nasceu com o nome de HRT, empresa de exploração de petróleo fundada pelo geólogo Marcio Mello.

A companhia levantou R$ 2,6 bilhões numa abertura de capital em 2010, auge do oba-oba com o Brasil, para explorar petróleo na Bacia Amazônica e na Namíbia.

O plano não deu certo, a desconfiança dos investidores disparou e as ações chegaram a cair 97% em 2013. Naquele ano, a HRT atraiu para seu grupo de principais acionistas Nelson Tanure, conhecido por investir em companhias problemáticas.

Tanure arquitetou um projeto de mudanças operacionais. Uma das principais foi abandonar a estratégia de encontrar petróleo em novos poços e se concentrar em explorar campos já maduros.

A diretoria da companhia foi trocada e teve início um plano rigoroso de corte de custos e aumento da eficiência. Um dos novos diretores nomeados foi Nelson Queiroz Tanure, filho de Tanure, que participou ativamente do redirecionamento estratégico (o nome da empresa foi substituído por PetroRio em 2015).

“Subvertemos a lógica do setor, de adquirir áreas em leilões da ANP e assumir o risco de ter de achar petróleo ou não, para comprarmos campos já em produção”, explica Queiroz Tanure, que assumiu como CEO em 2018.

Mas atuar em campos maduros que geram receita rapidamente não é suficiente para garantir uma empresa rentável, de acordo com o executivo. A qualidade da gestão e os processos rigorosos de controle de custos são essenciais para lucrar com poços maduros, especialmente num cenário de preços mais baixos do petróleo no mercado internacional: o valor do barril baixou de US$ 100, em 2014, para cerca de US$ 60 hoje.

A melhora operacional do primeiro campo adquirido pela PetroRio, o de Polvo, mostra isso. “Era um campo caro, com custo anual de US$ 240 milhões, e que produzia pouco, 11 mil barris”, diz o CEO. Depois de inúmeras iniciativas, o custo de operação caiu para US$ 90 milhões.

Em 2018, o campo recebeu US$ 60 milhões em investimentos na perfuração de três poços, aumentando sua produção e alongando sua vida útil para 2024. Mais produção e menor custo levaram o gasto com produção por barril em Polvo, que fica Bacia de Campos, de US$ 86 para menos US$ 30. A eficiência operacional – número de dias em que o campo segue produzindo, sem paradas técnicas – saltou de 80% para 95%.

O modelo de sucesso de Polvo está sendo replicado nos outros dois campos adquiridos pela companha: Frade, cuja participação foi comprada no final de 2018 e terá novo poço perfurado em 2020, e Manati, em que a PetroRio tem 10% de participação, mas conseguiu imprimir seu rigor de gestão ao participar de forma “insistente” dos comitês técnicos, segundo Queiroz Tanure. A Petrobras opera Manati.

A PetroRio também se preparou para os preços menores do óleo. “Renegociamos contratos com fornecedores e estabelecemos um sistema de compartilhamento de risco”, explica Tanure. Se o preço sobe, a PetroRio paga mais aos fornecedores, se cai os custos são reduzidos.

Bônus em ações

A companhia também mudou a forma de remuneração dos funcionários. Foi criado em 2015 um programa de distribuição de ações, que prevê que até 60% do bônus anual seja convertido em ações distribuídas em quatro tranches ao longo de quatro anos. O objetivo é criar “comprometimento de longo prazo do colaborador”, diz o CEO.

Dos funcionários da PetroRio, 80% têm papeis da empresa. As ações veem registrando valorização expressiva. Em 2017, subiram 275,6%; no ano passado, valorizaram mais 21,3%.

Como amortiza prejuízos acumulados na gestão anterior, a empresa não está distribuindo dividendos. “Entre distribuir dividendos e investir o caixa em crescimento, a segunda opção é melhor hoje, na fase em que estamos, tanto que o mercado reconhece a decisão como acertada”, explica Tanure.

Agora, a empresa estrutura a emissão de um bond, entre R$ 1,6 bilhão e R$ 2 bilhões, para sustentar seu crescimento, mantendo “o nível confortável de endividamento”, afirma o CEO.

A chegada de novos competidores para a exploração de campos maduros, o que deve ocorrer com a decisão da Petrobras de se desfazer de parte do portfólio mais antigo, não assusta Queiroz Tanure. “Pode ser até interessante, mas vejo muita empolgação. Não adianta pagar caro por um campo já maduro porque terá vida curta”, comenta.

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