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Cielo, Stone, PagSeguro, Linx, Totvs: Credit elege favorita na guerra das "techfins"

Empresa do grupo UOL é destaque na análise do banco, mas Stone e Cielo estão com problemas, na sua visão  

PagSeguro
(Divulgação)

SÃO PAULO – PagSeguro é a companhia favorita dos analistas do Credit Suisse (CS) no setor de “techfins”, de acordo com um relatório publicado nesta segunda-feira (22) pelos analistas do banco. No documento, eles iniciam cobertura primária de Cielo (CIEL3), Stone e PagSeguro (as duas últimas listadas nos EUA) e passam a avaliar as adquirentes no mesmo nicho em que estudam as empresas de software Linx (LINX3) e Totvs (TOTS3), que também entraram recentemente no mercado de pagamentos.

De maneira geral, os especialistas avaliam que, gradualmente, companhias de software, pagamento e soluções financeiras devem convergir, ganhando aspectos do que eles chamam de empresas “techfin”. Com isso justificam que todas essas empresas devem entrar na mesma cesta.

Dentro do universo de cobertura proposto, o Credit tem três recomendações de compra (outperform): PagSeguro, Linx e Totvs. Isso demonstra, primeiramente, que há uma preferência pelas empresas que nasceram como software e “escorregaram” para o setor financeiro e, em segundo lugar, a superioridade da empresa do grupo UOL em relação a suas concorrentes diretas, na visão deles.

PagSeguro: “top pick”

Primeira empresa brasileira a capturar com sucesso o segmento de micro e pequenos empreendedores, a PagSeguro acaba de lançar seu banco digital PagBank, o que traz “grande risco positivo”, disse o Credit. “Vemos boa chance de [o PagBank] se tornar um player relevante no mercado bancário, com foco em microempreendedores e suas famílias”, diz a análise, levando em conta que esse segmento ainda carente de soluções customizadas.

O CS tem preço-alvo de US$ 60 para a empresa nos próximos 12 meses. O valor de fechamento da última sexta-feira foi de US$ 46. Neste preço estão implícitos certos riscos, como o preço dos subsídios que devem ser adotados em face à maior competição no mercado de maquininhas (a Cielo, por exemplo, vem trazendo ofertas agressivas para o segmento de PMEs em busca de conquistar esse mercado).

Na perspectiva mais otimista, a ação pode chegar a US$ 78, de acordo com o CS. Este cenário incluiria uma manutenção das taxas transacionais (MDR) e dos juros para antecipação de recebíveis nos níveis atuais. Já a perspectiva mais pessimista, assumindo queda nos juros da antecipação de 2,99% para 1,99%, poderia derrubar o preço do papel para US$ 40, dizem.

Linx e Totvs: caminho natural

Os analistas veem grande potencial para fabricantes de software que ingressem no setor de pagamentos. É o caso da Linx, que lançou o Linx Pay no ano passado, e da Totvs, que anunciou a Fintech Totvs no final de março deste ano.

Dos atuais R$ 35 (valor do fechamento de sexta), o CS calcula que a ação da Linx deve atingir R$ 43 nos próximos 12 meses. Para os analistas, a contribuição da solução de pagamentos começa tímida, mas deve ganhar corpo rapidamente, chegando a 33% das receitas totais em 2023 (partindo de 0 em 2018). Um bom relacionamento com varejistas, que já são os principais clientes da empresa, deve impulsionar esse resultado.  

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Já a Totvs não tem o varejo como sua frente principal, mas pode se beneficiar da capilaridade do seu negócio em nuvem para fazer a área financeira crescer. O destaque, na visão dos analistas, é a aplicação de soluções de pagamentos em portais educacionais através de seu ERP.

O preço-alvo em 12 meses para a Totvs é de R$ 57, frente os R$ 47,40 do último fechamento. Os analistas não consideram outros negócios da Fintech Totvs além da frente de educação por ainda considerarem os riscos muito elevados.

Stone e Cielo: efeitos negativos

Ainda que disruptiva e nova no mercado, a Stone já sofre os efeitos da competição intensa, de acordo com os analistas. A recomendação do papel subiu de venda (underperform) para neutra. Na avaliação do banco, há pouco espaço para alta no preço: o TP para 12 meses é de US$ 36, sendo que o fechamento último ficou em R$ 35,19.

Por um lado, a empresa apresenta “cultura corporativa, background de tecnologia e capacidade de inovação fortes”, escreve o relatório. Por outro, a competição deve zerar as taxas de terminais de pagamentos e diminuir pela metade os juros das operações de antecipação de recebíveis, o que pode ser muito negativo para um negócio de pagamentos puro.

Já a Cielo, dinossauro do setor, é a única empresa com classificação de venda (underperform) no relatório. A visão do CS é que um histórico frágil na área de tecnologia e a relação com as empresas controladoras (Bradesco e Banco do Brasil) podem “impedir que a empresa entre mais agressivamente nos segmentos de banco digital e serviços financeiros”.

As ofertas recentes da empresa, que cortou MDR e taxas de antecipação, devem resultar em quedas acentuadas na receita, de acordo com os analistas. “Os catalisadores positivos permanecem obscuros”, diz o relatório, que estima preço-alvo de R$ 6 nos próximos 12 meses, ante o fechamento de R$ 6,70 da última sexta-feira.

 

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