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Deutsche Bank demite 18 mil funcionários e apresenta plano de US$ 8,3 bilhões

Plano de reestruturação do maior banco alemão prevê corte de despesas para um quarto do que a instituição tem hoje

Deutsche Bank em Nova York
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Deustche Bank, maior banco alemão e um dos mais tradicionais da europa, anunciou a demissão de mais de 18.000 funcionários nesta segunda-feira (08) — o que representa um corte de um em cada cinco empregados que o banco tem ao redor do mundo.

A demissão acontece após uma reunião do conselho do Deutsche Bank no domingo (07) que culminou com o anúncio de um plano de reestruturação de US$ 8,3 bilhões — o maior já visto na história dos bancos. 

Uma das mudanças mais drásticas anunciadas no plano é a saída do Deutsche Bank da gestão de ativos e negociação de ações. O objetivo, segundo o banco, é focar em suas “forças tradicionais de financiamento, assessoria, renda fixa e moedas”. Após a reestruturação, quase 75% das receitas do banco de investimento virão de clientes corporativos — segmento no qual o Deutsche Bank está entre os TOP 5 bancos globais. 

Nesta segunda-feira Christian Sewing, CEO do banco, afirmou que “os dias de ambições espetaculares” na parte de banco de investimento acabaram. O plano é criar uma divisão "ferozmente competitiva, bem respeitada e rentável de forma sustentável".

O que deu errado no Deustche Bank?

Por anos o maior banco alemão sofreu com uma espiral de queda de receita e aumento de despesas. Os problemas do banco nos últimos anos incluíram uma tecnologia obsoleta, fuga de talentos e multas pesadas por conta de sua má conduta (foram US$ 17 bilhões em multa na última década). 

O segmento de banco de investimentos e corporativo, responsável por mais da metade da receita total do Deustche Bank, perdeu participação de mercado para concorrentes — que foram mais rápidos em corrigir deficiências de balanço e governança após a crise financeira de 2008.

Christian Sewing assumiu a presidência do banco em abril do ano passado. Na época ele afirmou que sua missão não era mudar a estratégia global do Deutsche, apenas implementá-la de maneira mais eficaz.

A abordagem cautelosa de Sewing, no entanto, não funcionou. Pouco tempo depois a agência de classificação de risco S&P cortou a nota do banco e o preço das ações acumularam uma queda de 25% de abril até o fim de 2018.

No início de 2019 a situação do Deutsche se mostrou ainda mais catastrófica, quando o banco apresentou um prejuízo de US$ 750 milhões em seu balanço de 2018. Convencido de que o banco não podia mais esperar por uma reviravolta, Sewing começou a trabalhar em um plano de reestruturação. 

Sewing prevê que o plano apresentado no domingo irá reduzir o total de custos a um quarto do que é hoje até 2022, passando dos atuais 24 para 6 bilhões de euros.

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