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Apple perde US$ 9 bi em valor e expõe teto de vidro com saída de diretor "visionário"

Gigante de tecnologia expõe um problema sucessório, dizem analistas que acompanham a empresa  

Jonathan Ive
(Reprodução)

SÃO PAULO – A gigante de tecnologia Apple sofreu um baque de US$ 9,1 bilhões na noite da última quinta-feira (27), efeito do anúncio da saída de Jonathan Ive, diretor de design da companhia. O preço da ação chegou a cair 0,99% - o que pareceria poeira no deserto antes da conversão em valor de mercado.

Com a saída do executivo, um dos “dinossauros” da Apple, vem à tona um dos problemas de uma das empresas mais valiosas do mundo: sua continuidade. Para analistas, se a Apple não montar um bom plano de sucessão rapidamente, pode começar a ter problemas.

Descrito como o John Lennon da empresa (sendo Steve Jobs, nesta metáfora, Paul McCartney), Ive era, assim como o falecido CEO, muito amado em toda a empresa – e todo o universo tech. Essencialmente, ele é o responsável por mudar a forma com que o mundo inteiro consome mídia, considerando seu papel na invenção do iPhone, iPad e outros hardwares icônicos.

Sua relevância é tanta que a empresa emitiu um comunicado em nome do CEO Tim Cook tentando acalmar clientes, acionistas e funcionários após a notícia.

“A Apple irá continuar se beneficiando dos talentos de Jony, trabalhando diretamente com ele em projetos exclusivos e através do trabalho do time brilhante e apaixonado de design que ele construiu”, disse Cook. “Após tantos anos trabalhando juntos, estou feliz que nossa relação continua a evoluir e anseio por trabalhar com ele no futuro”

Segundo relatos de funcionários da empresa à Bloomerg, havia anos que o executivo demonstrava estar de saída. Ele comparecia ao escritório duas vezes por semana e já havia perdido pelo menos seis membros importantes de sua equipe nos últimos três anos. Coincidentemente ou não, tudo isso em um momento que a Apple se prepara para deixar de ser focada em hardware para explorar cada vez mais o software.

Na manhã de sexta, o analista Dan Ives, da Wedbush, descreveu a demissão como uma “enorme mudança de gestão em Cupertino”, e questionou a capacidade da empresa seguir inovando em seus produtos após a saída de um dos visionários que sempre foram peça-chave da marca.

Para analistas, a saída do executivo de 52 anos demonstra que a Apple não planeja grandes inovações em produtos por algum tempo. E as outras áreas da empresa não parecem mais avançadas: Tim Cook tem 58 anos; o diretor de serviços, Eddy Cue, 54; o diretor de software, Craig Federighi, completou 50 e o diretor de marketing, Phil Schiller, já está com 59.

Todas essas pessoas, além de experientes, navegaram na era de ouro da Apple e já enriqueceram. Resta saber se há apetite para continuarem trabalhando duro em inovação e renovação ou se seguirão o caminho da aposentadoria.

Tim Cook disse em algumas ocasiões que a Apple tem, sim, um plano de sucessão, mas não o divulga. Se quiser acalmar o mercado, talvez seja hora de dar mais detalhes. 

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