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Embraer perde participação de mercado no evento mais importante ano

A empresa brasileira terminou a feira levando 47% do total de encomendas de aviões, ante os 83% conquistados em 2018

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(divulgação)

SÃO PAULO - Para a fabricante de aviões Embraer, a aprovação do acordo com a Boeing é cada vez mais essencial. É essa a conclusão a que chegaram analistas após o encerramento do maior evento da indústria aeroespacial do ano, o Paris Airshow 2019.

Realizado num momento crucial para a indústria de aviação comercial, o evento não foi dos mais positivos para a Embraer. A empresa brasileira terminou a feira levando 47% do total de encomendas de jatos regionais, ante os 83% conquistados em 2018 (no evento realizado em Farnborough, Inglaterra), segundo cálculos do Bradesco BBI.

“A forte contração da participação de mercado corrobora nossa visão de que a Embraer precisa fechar acordo com a Boeing para competir com a Airbus”, afirma o analista Victor Mizusaki, do Bradesco BBI, em relatório.

A Embraer recebeu 22 encomendas e 19 intenções de compra do jato E175 e 15 encomendas e 20 intenções de compra do E195 E2. No ano passado, em Farnborough, a empresa havia fechado nada menos que 300 pedidos de aeronaves. 

Sua maior concorrente na aviação comercial, a Airbus, foi vista como a grande vencedora do evento em Paris este ano. E o principal aumento de participação de mercado da francesa ocorreu justamente no segmento em que a Embraer tem destaque: o de jatos regionais. 

A Airbus totalizou uma participação de mercado de 53% em jatos regionais no Paris Airshow 2019 (ante os 17% de 2018), com 85 encomendas para a linha A220 - o novo nome da série C da Bombardier.

O evento, que é bienal e alternado com o Farnborough Airshow, foi o primeiro após o anúncio da parceria entre a Airbus e a canadense Bombardier, em outubro de 2017, para a venda dos jatos CSeries na aviação comercial. 

“O aumento da participação de mercado confirma que a Airbus está usando sua relação com as companhias aéreas para alavancar as vendas de suas aeronaves regionais”, afirma o analista do Bradesco em relatório.

Não bastasse o fortalecimento da concorrente, a Embraer também enfrentou um mercado mais desaquecido. No geral, o total de pedidos no Paris Airshow 2019 caiu 41% em relação ao ano anterior.

O crescimento global de passageiros tem sido mais fraco do esperado. Além disso, os problemas enfrentados com o Boeing 737 Max 8, que teve duas quedas neste ano, também afeta a demanda.

À espera das aprovações finais para concluir o acordo com a Boeing, a Embraer não enfrenta um ano muito fácil. A companhia teve seu primeiro prejuízo em mais de 10 anos em 2018, no valor de R$ 669 milhões. O ano de 2019 não deve ter muitas melhoras nas linhas mais importantes do balanço.

A Embraer já anunciou que sua margem operacional (Ebit) deve ficar próximo do zero enquanto a empresa foca em concluir o acordo com a Boeing, que deve ser aprovado pelos órgãos reguladores até o fim do ano. 

Pelo acordo firmado serão criadas duas novas companhias, uma para a área comercial e outra em defesa. Na joint venture da área comercial, a Boeing será dona de 80% e a Embraer de 20%. Em defesa, a Embraer ficará com 51% das ações e a Boeing com os 49% restantes.

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