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Sem acordo com a Gol, Smiles fica sem rumo

 Os papéis da companhia chegaram a cair 10% durante a manhã e fecharam o dia com perdas de 4,1%

Smiles
(Divulgação)

SÃO PAULO - Após cinco meses de negociações, a companhia aérea Gol não conseguiu chegar a um acordo com a sua controlada Smiles para incorporá-la. A reação do mercado mostra bem o desafio que a Smiles tem pela frente.

Os papéis da companhia (SMLS3) chegaram a cair 10% durante a manhã e fecharam o dia com perdas de 4,1%. Sem o acordo, a empresa fica sem rumo em meio a um mercado cada vez mais competitivo e desafiador.

A incorporação dos negócios da Smiles pela Gol nunca foi bem vista pelos minoritários. Com faturamento muito mais estável que companhias aéreas e uma margem alta em um setor promissor, a companhia fazia parte da carteira de muitos investidores.  Desde o anúncio da Gol, no ano passado, a Smiles perdeu mais de R$ 5 bilhões de valor de mercado.

Mesmo assim, muitos esperavam que a Gol aceitasse pagar um bom prêmio para incorporar os ativos, uma vez que o ganho que teria com essa incorporação seria alto. "Fomos pegos de surpresa. Esperávamos que as empresas realmente chegassem a um acordo. Para a Gol, os ganhos eram muito expressivos", afirma Adriano Leite, gestor da Moat Capital, que tem participação na Smiles.

“Para a Smiles, o cenário sem acordo sugere que a Gol não está disposta a pagar um prêmio substancial para comprar a participação minoritária e levanta preocupações sobre governança e como o relacionamento Smiles-Gol vai evoluir daqui para frente”, afirmam analistas do Morgan Stanley em relatório.

Atualmente, cerca de 60% dos resgates de milhas da Smiles são destinados a passagens de sua controlada. O contrato atual que a Smiles tem com a Gol tem duração até 2032, mas a companhia aérea já disse que não pretende renová-lo. Nesse meio tempo,  a empresa pode sofrer com uma série de revisão de preços por parte da Gol — diminuindo as altas margens de seu negócio.

Se continuar com seus negócios separados, a Smiles vai precisar diversificar mais a origem de suas receitas até 2032. O problema é que, durantes as negociações, a Smiles perdeu um executivo chave para seu negócio: Leonel Andrade — o presidente que levou a companhia a conquistar o seu sucesso operacional e no mercado.

Sob sua administração, a Smiles ganhou participação de mercado, melhorou sua margem e até mesmo socorreu a Gol durante o momento de maior crise (fazendo o adiantamento de pagamentos de passagens compradas com milhas, em 2016).

Leonel foi pego de surpresa pela Gol e renunciou à presidência, no fim de março. Muito mais do que trazer a companhia até aqui, Andrade tinha uma visão para o seu futuro — essencial para a empresa nesse momento difícil. O executivo queria transformar a Smiles em uma plataforma completa de viagens, indo muito além da Gol, numa espécie de Decolar.com. Seria esse o melhor caminho para a Smiles a partir de agora?

No mercado, analistas e investidores se dividem entre aqueles que ainda estão em “estado de negação” sobre o fim da negociação entre Smiles e Gol e aqueles que não sabem dizer se a atual diretoria da empresa seria capaz de montar uma grande estratégia.

"O anúncio foi ruim, mas não deve ser definitivo. Gol e Smiles terão  que chegar a um acordo, não faz sentido que continuem operando separado. Para a Gol é um ganho muito grande", afirma Leite, da Moat Capital.

“Acreditamos que as duas empresas não se envolverão em novas negociações no curto prazo, pois: 1) A Smiles precisa concluir a atualização de seu plano de negócios (...)  2) A GOL solicitou uma revisão extraordinária dos preços de passagens aéreas padrão vendidos para a Smiles”, afirmam analistas do Bradesco em relatório.

O cenário é cada vez mais desafiador para a Smiles, com o aumento do número de programas de fidelidade. Para melhorar sua eficiência, a Latam anunciou no ano passado o fechamento de capital da Multiplus. Ao contrário da Smiles, o plano da concorrente segue firme. 

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